A luta das empresas de Educação Física no combate ao sedentarismo

30 de maio de 2018 ● POR Redação

Por Alessandro Lucchetti

Ginástica laboral, grupos de corrida, Gympass, massagens, acompanhamento nutricional. As empresas mais preocupadas em combater o sedentarismo, obesidade e melhorar suas estatística de absenteísmo e rotatividade têm lançado mão de várias estratégias para ter funcionários mais saudáveis. No entanto, ainda são raras as companhias que conseguem engajar trabalhadores com histórico quase nulo de prática esportiva, e nem sempre as ações são coerentes.

“Já visitei muitas empresas. Muitas delas querem criar uma cultura de qualidade de vida, mas em determinada hora do expediente circula um carrinho de guloseimas, há uma máquina de refrigerantes no corredor, e o estímulo é para o uso de elevadores, não de escadas”, observa Fábio Medina, professor de Educação Física, personal trainer e presidente da Ludera – Engajamento e Bem-Estar.

Medina é um estudioso de estratégias para reduzir o sedentarismo em empresas. Já implantou programas de qualidade de vida no Tribunal de Justiça de São Paulo, Leroy Merlin, ups, Aptargroup e XP Investimentos.

“Um dos meus primeiros clientes foi o Conjunto Nacional (grande edifício comercial que ocupa uma quadra delimitada por Avenida Paulista, Rua Augusta, Alameda Santos e Rua Padre João Manuel, em São Paulo). Organizamos grupos de corrida e disponibilizamos para 300 funcionários, com tudo de graça, incluindo inscrição em corridas. Com o tempo, percebi que muitos iam apenas para ganhar o kit de corrida. Quem continuou treinando regularmente era quem já praticava atividade física. Praticamente não conseguimos novos adeptos”, recorda Medina.

O sedentarismo é um grande adversário da lucratividade das empresas. As doenças causadas por esse estilo de vida repercutem em uso intenso do plano médico, além de elevar os índices de absenteísmo.

“É preciso saber como engajar os colaboradores num plano de qualidade de vida. Meramente dar academia de graça para o trabalhador é o mesmo que dar um carro para quem não sabe dirigir”.

Uma das estratégias da Ludera é atrair colaboradores de empresas conveniadas para um game chamado Avalianópolis. Nesse joguinho, o funcionário “habita” uma cidade e frequenta virtualmente lugares como hospital, restaurante e academia. Respondendo a perguntas, vai deixando dados que são tabulados e utilizados na formulação de propostas de atividades físicas.

A Ludera cria rankings entre os funcionários, e eles pontuam fazendo atividades. “Eles fazem quatro caminhadas por semana, por exemplo, registram no (aplicativo) Strava e mandam os dados. Tudo isso é convertido em pontos”.

Na empresa GRSA, a Ludera instalou uma balança que capta dados de estatura, peso, bioimpedância, pressão arterial e frequência cardíaca. Os trabalhadores são estimulados a subir na balança uma vez por semana.

O engajamento nas empresas se amplia, segundo Medina, com a participação de líderes, com o efeito-grupo e recompensas. “Muita gente se engaja por conta do grupo. Até pensa em desistir, mas não quer ver seu grupo perder. Os prêmios variam de empresa para empresa. Algumas colocam a foto do colaborador que lidera o ranking na parede, como faz o Mc Donald’s.

Outras dão um vale-cinema (com o dia de folga para usufruir). Tem uma que deixa um estandarte, uma bandeirinha, na mesa do colaborador que se destaca, e todo mundo que passa por lá fica reverenciando ele”.

Além do envolvimento por meio de games, a Ludera dá dicas para que se efetuem mudanças de hábitos. Por exemplo: orienta os trabalhadores a não deixar uma garrafa de água na mesa, mas apenas um copo. “Isso vai induzir a pessoa a se levantar a cada hora para beber água. Nós decoramos as escadas com adesivos, para estimular o uso, nem que seja de um lance apenas”.

Medina enxerga um mercado enorme para empresas como a Ludera. “As empresas europeias estão à frente das americanas nessa preocupação com o combate ao sedentarismo. Mas não encontramos ainda alguma empresa que ataque o problema com metodologia, com algo sustentado e métricas para acompanhar a evolução da comunidade. Acho que nesse trabalho há um mercado muito grande para os profissionais de Educação Física. As possibilidades se multiplicam”.