A atividade física pode auxiliar na memória dos idosos

14 de fevereiro de 2018 ● POR Redação

A memória é segundo o dicionário Michaelis “a faculdade de lembrar e conservar ideias, imagens, impressões, conhecimentos e experiências adquiridas no passado e a habilidade de acessar essas informações na mente”, e essa capacidade é uma das principais características do envelhecimento saudável.

Existem muitos tipos de memoria, sendo:

  •         Memória sensorial – é a memoria que esta associada aos sentidos visuais e auditivos
  •         Memória visual/auditiva – é a capacidade de armazenar imagens e sons a longo prazo.
  •         Memória semântica – é responsável por armazenar o conhecimento da realidade e traduzir em palavras
  •         Memória processual – é onde é guardado as aprendizagens automáticas, como escrever, andar de bicicleta ou dirigir, não se pensa na execução de movimentos, tornando-se automático.
  •         Memória episódica – é o arquivo das experiências vividas, é quando lembramos de momentos passados.
  •         Memória a curto prazo – também conhecida como memória de trabalho, está associada a informação relevante para o momento, por exemplo as tarefas que deve executar durante o dia, e são irrelevantes a longo prazo.
  • Uma das queixas mais frequentes de idosos são a dificuldade de armazenar sua rotina diária, ou seja é o acesso aos registros e não a perda ou desaparecimento do mesmo, além das dificuldades na formação de memória de curto prazo (CHARIGLIONE, 2014).

    Na pesquisa de Silva, Anacleto e Souza (2015) as autoras analisaram as produções sobre memória e envelhecimento na base de dados Portal de Periódicos CAPES/MEC, de 2009 a 2014, e apenas dois trabalhos foram feitos pela área da Educação Física. As mesmas autoras identificaram melhores índices nos parâmetros da memória em praticantes de atividade física (SILVA, ANACLETO E SOUZA, 2016), esses dados não foram encontrados pelas autoras Banhato et al. (2009), houve uma índice maior dos idosos ativos mas eles também tinham maior escolaridade, assim as autoras concluíram que os índices foram altos pela escolaridade.

    O melhor desempenho do grupo de idosos ativos nos testes de memória, segundo  Cordeiro et al. (2014)  pode estar associado a alterações fisiológicas no sistema nervoso central decorrentes da prática da atividade física, sendo essas

  •    a melhora na circulação cerebral – a atividade física promove aumento do volume de sangue circulante, da resistência física em 10-30%.
  •    alteração na síntese e degradação de neurotransmissores – a atividade física aumenta os neurotransmissores monoaminas e as endorfina;
  •    alterações neuroendócrinas e humorais;
  • Nesse sentido, Bherer (2015) destaca que há suporte para a noção de que a plasticidade cognitiva para controle de atenção, induzida por treinamento cognitivo ou atividade física e exercício, é preservada no final da idade adulta. Além disso, os resultados de estudos com pacientes em risco de declínio cognitivo também sugerem que o treinamento cognitivo e as intervenções de exercícios são ferramentas não-farmacêuticas promissoras para ajudar a melhorar a cognição em indivíduos com risco mais antigo.

    Referências.

    BANHATO, Eliane Ferreira Carvalho et al. Atividade física, cognição e envelhecimento: estudo de uma comunidade urbana. Psicologia: Teoria e Prática, v. 11, n. 1, p. 76-84, 2009

    BHERER, Louis. Cognitive plasticity in older adults: effects of cognitive training and physical exercise. Annals of the New York Academy of Sciences, v. 1337, n. 1, p. 1-6, 2015.

    CHARIGLIONE, Isabelle Patriciá Freitas. Intervenções cognitivas para o aprimoramento da memória em idosos com envelhecimento cognitivo normal. Brasilia, Universidade de Brasília: 2014.

    Cordeiro, Juliana; Del Castillo, Bruna Lencina; Silva de Freitas, Caroline; Pereira Gonçalves, Marisa Efeitos da atividade física na memória declarativa, capacidade funcional e qualidade de vida em idosos Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, vol. 17, núm. 3, julio-septiembre, 2014, pp. 541-552 Universidade do Estado do Rio de Janeiro Rio de Janeiro, Brasil

    SILVA, Aline Cristina; ANACLETO, Geovana Mellisa Castrezana; SOUZA, Adriana Aparecida Ferreira. Memória e envelhecimento: análise de produção científica da capes. In: XVIII CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTIFICA DA UMC, 2015. Anais… Mogi das Cruzes: UMC, 2015. CD-ROM

    SILVA, Aline Cristina; ANACLETO, Geovana Mellisa Castrezana; SOUZA, Adriana Aparecida Ferreira. Avaliação da memória em idosos: estudo transversal. In: XIX CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTIFICA DA UMC, 2016. Anais… Mogi das Cruzes: UMC, 2016. CD-ROM.

    Geovana Mellisa Castrezana Anacleto – Professora de Educação Física. Doutoranda em Epidemiologia pela FSP – USP. Email: geovana_castrezana@hotmail.com

    Flávio Rebustini Doutor em Desenvolvimento Humano e Tecnologias (UNESP – RC). Coordenador da Pós em Psicologia do Esporte da Universidade Estácio.