As crianças de hoje são mais saudáveis do que as de gerações anteriores?

06 de novembro de 2017 ● POR Redação

Por Alessandro Lucchetti

Pergunte a adultos de idades variadas se as crianças de hoje são mais saudáveis do que as de sua própria geração. A resposta mais comum a ser encontrada é “não”. Um novo estudo da revista acadêmica Academic Pediatrics, veículo oficial da Academic Pediatrics Association, dos Estados Unidos, revela que menos de um terço dos adultos acredita que as crianças de hoje são mais saudáveis fisicamente em comparação com as de sua infância. E menos de 25% acham que o status de saúde mental das crianças atuais é melhor agora.

Se pesquisa semelhante fosse aplicada no Brasil, é bem provável que o resultado não fosse muito diferente. Segundo o pesquisador que liderou a equipe responsável pelo estudo, Gary Freed, pediatra ligado ao C.S. Mott Children’s Hospital, da Universidade de Michigan, a melhoria nas condições de vida parece ter encontrado uma barreira.
“Temos alcançado notáveis progressos na prevenção de doenças, no campo tecnológico e no desenvolvimento de curas que reduziram significativamente as doenças infantis e as mortes ao longo do último século. Porém, estamos claramente ficando aquém do esperado no tocante aos desafios à saúde infantil contemporâneos, incluindo saúde mental, bullying, segurança e obesidade”, salienta Freed.

Os resultados da pesquisa traduzem em números dificuldades detectadas por professores de Educação Física em qualquer extrato sociológico moderno, em que o tempo disponível para atividades físicas é disputado com diversões eletrônicas, problema agravado pelo consumo crescente de alimentos industrializados, não preparados em casa.

O estudo, liderado pelo Mott Children’s Hospital, utilizou como base uma pesquisa com amostragem nacional, nos Estados Unidos, que contou com a participação de 1.330 pessoas. Os pesquisadores avaliaram o posicionamento dos adultos diante de seis fatores que influenciam a saúde e o bem-estar infantis.

Apenas dois fatores foram avaliados por mais de 25% dos participantes no sentido de melhor posicionamento referente às crianças de hoje em comparação com as de gerações anteriores: qualidade da educação (36% acham que está melhor do que antes) e qualidade dos serviços médicos (39%).

Minorias ainda mais rarefeitas acreditam que o suporte emocional das famílias (23%), exercícios e fitness (18%), qualidade da dieta (17%) e segurança das comunidades (14%) estão melhores hoje. Apenas 15% consideram que as chances de uma criança crescer com boa saúde mental hoje são melhores do que as que tiveram quando estavam se desenvolvendo.
“Questões de saúde mental estão rapidamente despontando como um fator dominante quanto ao bem-estar das crianças e uma preocupação central dos pais hoje”, destaca Freed.
A percepção negativa é mais prevalente em meio às gerações mais recentes, com apenas 10% dos integrantes da geração X e 6% dos Millenials acreditando que as crianças de hoje vão crescer com boa saúde mental.

Alguns dos pesquisados acreditam que as condições de saúde pioraram devido a preocupações emergentes, como obesidade e problemas mentais.
Segundo Freed, esses riscos à saúde para a atual geração deveriam dividir a preocupação dos formuladores de políticas públicas com aquela voltada para os idosos.
“Esses dados que levantamos deveriam fazer soar um alarme. Embora as alterações demográficas requeiram foco contínuo nos extratos da população que envelhecem, devemos igualmente reconhecer a importância de moldar um futuro mais saudável para nossas crianças. Devemos trabalhar juntos para nos certificar de que as crianças de hoje tenham chances de ser uma geração saudável no futuro”.

Nesse sentido, é claro que a missão dos professores de Educação Física que atuam nas escolas é de primordial importância para combater os riscos representados pela obesidade e sedentarismo infantis.