Conheça um sistema de ensino focado em melhorar suas aulas de Educação Física

15 de dezembro de 2017 ● POR pedro.cunacia@nortemkt.com

A análise da produção científica veiculada nos principais periódicos científicos nacionais de educação física permite constatar a pouca incidência de pesquisas voltadas à prática pedagógica. Esse fato reflete o distanciamento entre as discussões que ocorrem no âmbito acadêmico e o profissional, sobretudo na educação física escolar (BETTI, 1996; FERRAZ, 2000, 2001; GUERRA DE RESENDE, 1995; TANI, 1996, 2001). Apesar da proposição de várias abordagens em educação física escolar em forma de livros, os professores ainda têm dificuldades em encontrar subsídios para organizar e implementar seus programas. Uma das principais causas é o fato desses textos não sistematizarem suas proposições considerando os problemas básicos da implementação, tais como: estabelecimento de objetivos, seleção e organização dos blocos de conteúdo, estruturação do ambiente de aprendizagem e formas de avaliação. Ao invés disso, os aspectos abordados enfatizam, principalmente, o sentido e significado da educação física na escolarização básica e as matrizes filosóficas subjacentes. Além disso, os raros textos que apresentam elementos da prática pedagógica o fazem de maneira genérica, apontando princípios gerais que não permitem ao professor visualizar como se daria efetivamente a implementação. Nesse sentido, os conteúdos são propostos sem indicações sobre como ensiná-los ou então, no que diz respeito a avaliação, raramente se encontram proposições de instrumentos para ilustrar os princípios e critérios adotados. Portanto, há necessidade de pesquisas que analisem conhecimentos sobre a prática pedagógica dos professores, testando a viabilidade das várias abordagens em educação física e relacionando-as aos contextos sócio-culturais das escolas públicas e privadas.

Resumo

O objetivo dessa pesquisa foi testar um programa de Educação Física na Educação Infantil, visando verificar o impacto de um ensino sistematizado nas unidades de conteúdo, a saber: a) habilidades motoras básicas; b) conhecimento das partes do corpo; c) noção de educação física. Foi feita uma comparação entre duas turmas, compostas por 35 crianças de quatro anos, de uma escola da Rede Municipal de Educação Infantil de São Paulo. Uma das turmas, denominada grupo experimental, teve aulas de educação física com duração de 50 minutos, duas vezes por semana, enquanto a outra, denominada grupo controle, não participou de aulas de educação física. Os dois grupos foram submetidos a cinco testes: três de habilidades motoras básicas (saltar, arremessar e equilíbrio), um sobre o reconhecimento das partes do corpo e uma entrevista visando avaliar a noção do que é educação física. A mesma avaliação foi realizada novamente ao final do programa, após seis meses letivos. Nos testes de habilidades básicas, as crianças foram classificadas em estados de desenvolvimento (GALLAHUE & OZMUN, 2001). Na identificação das partes do corpo foi realizada uma estatística descritiva sobre as respostas. A entrevista sobre a noção de educação física foi interpretada mediante análise de conteúdo (TRIVIÑOS, 1987). Os resultados evidenciaram mudanças significantes e positivas nos dois grupos para as habilidades de saltar e equilíbrio, indicando influência do processo maturacional e de experiências extra aulas de educação física e não a influência do programa. Na habilidade de arremessar, verificou-se mudanças significantes e positivas nos dois grupos com superioridade para o grupo experimental, indicando efeito do programa. Em relação aos conteúdos conceituais o grupo experimental apresentou aprendizagem superior à do grupo controle na noção de educação física. Na identificação das partes do corpo, os dois grupos demonstraram aprendizagem, sendo que o grupo experimental foi superior que o grupo controle em um dos componentes. Os resultados demonstram a necessidade de se considerar o tempo de prática necessário ao desenvolvimento das habilidades motoras básicas, remetendo-se a perspectiva do aprender a aprender. Além disso, verifica-se a importância de se considerar os conteúdos em educação física escolar, não só na dimensão procedimental, mas também nas dimensões conceitual e atitudinal.

Para ler o estudo completo clique aqui: https://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/16550/18263

Autores: Osvaldo Luiz FERRAZ; Kelly Zoppei FLORES

Publicação: Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.1, p.47-60, jan./mar. 2004