Diário de aula muda a vida de professoras e alunos de Ed. Física: veja dicas de como utilizá-lo

20 de junho de 2017 ● POR pedro.cunacia@nortemkt.com

O desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social da criança deveria ser trabalhado plenamente desde a educação infantil, em acordo com o que dispõem o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA – (BRASIL, 1990 – Lei 8069/90) e a Lei de Diretrizes e Bases – LDB – (BRASIL, 1996 – Lei 9394/96). Para alcançar tal plenitude, meninos e meninas necessitam interagir com o meio físico e social, possibilitando a ampliação de seus conhecimentos acerca de si mesmos, dos outros e do meio em que vivem. Logo, a Educação Física deveria ser considerada fundamental para que a criança aprenda conceitos e atitudes, e incorpore, também, uma ampla série de experiências de movimento que a auxiliem a desenvolver suas habilidades motoras.

Nesta perspectiva, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998) afirma que as instituições de educação infantil devem oferecer oportunidades de movimento para que a criança adquira cada vez maior controle sobre seu próprio corpo, se aproprie das possibilidades de interação com o mundo e alargue o conhecimento sobre a cultura corporal de sua época. Apesar deste referencial trazer vários subsídios que auxiliam o professor de Educação Infantil nesta prática pedagógica, as escolas municipais de São Paulo não vêm implementando esta proposta de trabalho (FERRAZ, 2000). O que é um dado alarmante e está em desacordo com o ECA e a LDB, na medida em que prejudica o desenvolvimento integral da criança.

FERRAZ (2000) explica que apesar de 90% dos professores pesquisados por ele possuírem formação superior, 46% não desenvolvem a área de Educação Física, alegando que receberam uma formação inadequada. Vê-se, então, a necessidade da formação continuada nesta área, mas não com ênfase ao treinamento, desrespeitando os conhecimentos que o professor possui, como ocorre na maioria dos cursos.

Dessa forma, essa pesquisa procura auxiliar de maneira independente indicando ferramentas que podem ajudar a melhorar o trabalho de professores de Educação Física de todo país. Veja melhor abaixo:

Resumo

Esta pesquisa investigou o processo de reflexão de quatro professoras de uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) de São Paulo que participaram de um curso de formação continuada em educação física mediado pela técnica do diário de aula. Realizou-se a análise de padrões, tarefas e dilemas registrados nos diários e a análise de conteúdo das entrevistas feitas com as educadoras. Nos primeiros diários as professoras avaliavam aspectos não relacionados aos objetivos e conteúdos da aula, deixando-se envolver pelas emoções que emaranham a reflexão na ação.

Quando a escrita dos diários e as discussões coletivas passaram a fazer parte de sua rotina de trabalho, conseguiram observar as principais dificuldades de seus alunos em relação às habilidades básicas, ao ritmo e aos jogos. Os estilos de ensino por tarefas (circuitos/estações de aprendizagem) e descoberta orientada foram considerados eficientes, passando a fazer parte das formas de estruturação das aulas.

O jogo de regras contribuiu para discussões sobre compreensão, construção e respeito a diversas regras sociais. Houve dificuldades externas à aula (baixos salários, dificuldade de acesso à literatura, entre outros) as quais mostraram a importância do apoio pedagógico e material (por exemplo, jornada completa como regime de trabalho em somente uma escola). Pressupõe-se que o professor precisa de tempo suficiente para todas as atividades inerentes à docência.

Finalmente, valorizar a participação das crianças nas decisões durante as aulas possibilitou compreender seu modo de pensar, contribuindo para atingir o objetivo da aula e facilitando os planejamentos e as reflexões das professoras.

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Autores: Valentina PIRAGIBE; Osvaldo Luiz FERRAZ
Publicação: Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.20, n.4, p.227-37, out./dez. 2006