Entenda os benefícios que a meditação proporciona à Educação Física

15 de maio de 2018 ● POR Redação

Educação Física pode ser muito mais (ou muito menos) do que movimento. Nos anos recentes, tem sido publicada uma série de estudos que demonstram a contribuição que variadas técnicas de meditação proporcionam para aprimorar a concentração e reduzir o estresse e a ansiedade. Alguns desses estudos inclusive oferecem evidências sobre os efeitos dessa prática para crianças e adolescentes.

No segundo semestre de 2015, uma série de matérias em diversos sites, jornais e revistas narrou a experiência da professora Rosângela Martins dos Santos, que introduziu a técnica no início das aulas de Educação Física da Escola Municipal Lupércio Belarmino da Silva, em Florianópolis, entre crianças de seis a nove anos de idade, que cursavam do 1º ao 4º ano do Fundamental.

Os alunos sentam-se em roda e repetem “Eu estou em paz”, intercalando as falas com respirações profundas. O processo toma de três a cinco minutos da aula. Os relatos dos estudantes são positivos. “Fico mais tranquila, mais em paz. Parece que tirei um peso das minhas costas depois de tudo o que aconteceu durante o dia”, relata Madelaine, do 3º ano, à reportagem do site “The Greenest Post”. Rodrigo, da mesma turma, aponta melhoras nos colegas e nele mesmo. “Eu me sinto bem melhor e toda a escola também fica em paz”.

A meditação promove progressos da memória, atenção, concentração, criatividade e capacidade de absorção dos conteúdos, além de favorecer a integração entre os colegas. Outros benefícios, não menos importantes: reduz a ansiedade, melhora o humor e contribui no tratamento de dores de cabeça, musculares e nas articulações.

Rosângela também inseriu o yoga em suas aulas, fazendo uso do método “Yoga na Educação”, criado pela professora francesa Michelina Flak e pelo professor e filósofo suíço Jacques De Coulon. Breves sequências de exercícios físicos, respiratórios e mentais ajudam a diminuir o estresse e fomentar a harmonização das crianças.

“O exercício cria uma atmosfera acolhedora que faz com que as crianças se divirtam enquanto desenvolvem não apenas força, coordenação, flexibilidade e equilíbrio, mas também consciência, melhora na capacidade de concentração, foco e autoconfiança”, conta Rosângela.

Rosângela bebe em várias fontes e utiliza o livro “Virando bicho com Yoga”, de Ana Paula Zampetti. A proposta é imitar as posturas de diferentes animais para trabalhar a prática com os alunos, aprimorando a concentração e induzindo ao relaxamento. Um dos efeitos notados pela educadora é a diminuição da necessidade de competição entre as crianças.

Iniciativas semelhantes se espalham pelo Brasil. No bairro Real Parque, na zona sul de São Paulo, crianças de 7 a 12 anos do Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente “O Visconde” praticam meditação transcendental duas vezes por semana. Profissionais da ONG receberam treinamento do Instituto David Lynch no Brasil, que já desenvolveu projetos similares em escolas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. As crianças aprendem a ficar em silêncio. Benefícios notados: relacionamento melhor com parentes e colegas, aumento da criatividade, melhor aproveitamento escolar.

Segundo pesquisa brasileira publicada pela Neuroimage, a meditação tem o condão de melhorar o desempenho cerebral, sobretudo em tarefas que demandam concentração. “O cérebro de pessoas que meditam recruta menos áreas cerebrais para realizar uma determinada tarefa, como se fizesse uma maior economia, o que se traduz em mais foco e concentração. Tata-se de um desafio no mundo cheio de estímulos em que vivemos”, diz a psicobióloga Elisa Kozasa, do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, autora do trabalho.

Outro estudo, divulgado em 2013 pelo The British Journal of Psychiatry, que envolveu mais de 500 adolescentes entre 12 e 16 anos, analisou os efeitos da técnica de meditação de atenção plena (mindfulness). De acordo com os autores do artigo, jovens que frequentavam escolas que aplicavam programas de meditação apresentaram em média menos sintomas depressivos e níveis de estresse menores em comparação ao grupo de controle, além de relatarem maior bem-estar.

Em Vitória, 15 escolas estaduais estão participando do projeto Educação em Valores, Desenvolvimento Humano e Cultura de Paz, promovido pela Secretaria de Educação do Estado do Espírito Santo em parceria com o Instituto Migliori, o Ministério Público do Estado e a ArcelorMittal.

“Usamos conhecimentos de áreas da psicologia positiva e da neurociência cognitiva e comportamental de forma adaptada para a educação”, explica a neuropsicóloga Regina Migliori, coordenadora do projeto, que envolve técnicas de meditação e outras práticas contemplativas para trabalhar a atenção, as emoções, a aprendizagem, a convivência e o desenvolvimento de processos decisórios. Nesse programa, estão envolvidos 380 professores, que deverão trabalhar a nova atividade com cerca de 10.500 estudantes.