Envelhecimento saudável: é possível acontecer?

09 de outubro de 2017 ● POR Redação

Aquele estereótipo de vovozinho ou vovozinha, que ficam em casa, sentados, usando óculos, fazendo crochê, lendo jornal, estão fora de moda. Os idosos de hoje, muitos deles, são ativos e fazem atividades físicas de todos os tipos e variações. Muitos participam de competições e modalidades de alta exigência física e psicológica.

Estamos vivenciando a chamada “transição demográfica”, onde há diminuição da população jovem e aumento da população idosa, sendo assim o envelhecimento um fenômeno mundial. Estimativas projetavam na década de 80 que o número de idosos até 2025 seria superior a 30 milhões no Brasil (RAMOS, VERAS, KALACHE, 1987), e segundo a Síntese de Indicadores Sociais (IBGE,2016), entre 2005 e 2015, a proporção de idosos de 60 anos ou mais, na população do País, passou de 9,8% para 14,3%, em números são 29.458 milhões, ou seja, a proporção estimada para 2025 foi alcançada rapidamente entre 2016 e 2017.

Uma das estratégias mais simples, econômicas e eficazes para aumentar os índices de saúde e bem estar entre os idosos é a prática de exercício físico que contribui de maneira significativa para a manutenção da aptidão física e saúde (ANACLETO, 2013). Nesse sentido Barha e colaboradores (2017) em uma revisão sistemática e meta-análise sobre exercício em idosos concluiu que no geral, o treinamento aeróbio levou a maiores benefícios do que o treinamento de resistência na função cognitiva global e nas funções executivas, enquanto o treinamento combinado levou a maiores benefícios do que o treinamento aeróbico para a função cognitiva global, a memória episódica e a fluência das palavras.

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia desde 1999 indica que a atividade física regular melhora a qualidade e expectativa de vida do idoso, induzindo várias adaptações fisiológicas e psicológicas. Dentre os benefícios, o aumento do O2 máx,  benefícios circulatórios periféricos, aumento da massa muscular, melhor controle metabólico, redução do peso corporal, melhora da função pulmonar, melhora do equilíbrio e da marcha, menor dependência para realização de atividades diárias, melhora da auto-estima e da autoconfiança, significativa melhora da qualidade de vida, diminui a incidência de quedas, o risco de fraturas e a mortalidade em portadores de doença de Parkinson (NÓBREGA et al., 1999).

A participação em atividades físicas regulares e moderadas pode retardar declínios funcionais, além de diminuir o aparecimento de doenças crônicas em idosos saudáveis ou doentes crônicos. Alguns benefícios são redução de morte por problemas cardíacos em 20 a 25%; redução substancialmente da gravidade de deficiências associadas à cardiopatia e outras doenças crônicas; melhora da saúde mental; promoção de contatos sociais; estimulação de independência pelo período de tempo mais longo; redução do risco de quedas; custos médicos significativamente menores (BRASIL, 2005). Em estudo Suominen e colaboradores (2017) detectaram que mesmo em atividades atletas velocistas mais velhos e idosos (40 a 85 anos) submetidos a prática de atividade física intensa por 20 semanas havia uma capacidade de adaptação da estrutura óssea, indicando a manutenção de adaptação dessa estrutura mesmo durante o envelhecimento.

Desde as atividades mais simples como uma caminhada até as mais complexas como os esportes radicais, os idosos estão encontrando seu lugar e se inserindo com primazia. O importante é não ficar parado e deixar o tempo passar. Então para que você desfrute desses benefícios, inicie a prática de atividade física em qualquer idade.

Você encontrará significativos benefícios em aspectos físicos, psicológicos, sociais e culturais que serão explicitados em artigos futuros.

ANACLETO, G. C. F. Flexibilidade em idosos: efeitos da intervenção física e da suplementação com omega 3. Dissertação de Mestrado. Mestrado em Ciências do Envelhecimento – Universidade São Judas Tadeu. São Paulo, 2012.

BARHA, Cindy K. et al. Sex differences in exercise efficacy to improve cognition: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials in older humans. Frontiers in neuroendocrinology, 2017.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Envelhecimento Ativo: uma politica de saúde, 2005.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Síntese de indicadores sociais: uma analise de vida da população Brasileira. 2016. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv98965.pdf

NOBREGA, A. C. L.; FREITAS, E. V.; OLIVEIRA, M. A. B.; LEITÃO, M. B.; LAZZOLI, J. K.; NAHAS, R. M.; BAPTISTA, C. A. S.; DRUMMOND, F. A.; REZENDE, L.; PEREIRA, J.; PINTO, M.; RADOMINSKI, R. B.; LEITE, N.; THIELE, E. S.; HERNANDEZ, A. J.; ARAÚJO, C. G. S.; TEIXEIRA, J. A. C.; CARVALHO, T.; BORGES, S. F.; DE ROSE, E. H. Posicionamento Oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e da sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia: Atividade Física e Saúde do Idoso. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, São Paulo, v.5, n.6, p. 207-211, nov./dez. 1999.

RAMOS, L. R; VERAS, R. P.; KALACHE, A. Envelhecimento populacional: uma realidade brasileira. Revista de Saúde Pública, v.21, n.3, p.211-24,1987.

SUOMINEN, T. H. et al. Effects of a 20-week high-intensity strength and sprint training program on tibial bone structure and strength in middle-aged and older male sprint athletes: a randomized controlled trial. Osteoporosis International, p. 1-11, 2017.

Geovana Mellisa Castrezana Anacleto– Professora de Educação Física. Doutoranda em Epidemiologia pela FSP – USP. Email: geovana_castrezana@hotmail.com

Flávio Rebustini– Doutor em Desenvolvimento Humano e Tecnologias (UNESP – RC). Coordenador da Pós em Psicologia do Esporte da Universidade Estácio.