Mulher dos Anos Dourados

22 de março de 2012 ● POR

Eu sou uma mulher que pertence a uma geração que deixou saudade. Que viveu a vida com respeito, com charme, com romantismo e com intensidade. Tivemos nossas tormentas, mas soubemos enfrentá-las e vencê-las sempre com elegância, dignidade e respeito ao próximo.
Minha geração não teve medo de ser feliz e nem vergonha. Uma geração que via Copacabana como a “Princesinha do Mar”. Que conhecia São Paulo como a elegante e charmosa terra da garoa. E para nós o Brasil era o grande país do futuro. No entanto, a Princesinha se casou, separou e ninguém sabe para onde foi. São Paulo cresceu, engordou, perdeu o charme e a garoa. Quem viu nem reconhece. Já o Brasil, continua sendo o país do futuro, só que não sabemos que futuro será esse.
Eu pertenço a uma geração que viu o biquíni nascer e não viu nada além. Agora mulher de biquíni é como mina abandonada, quando se chega, já não resta nada para se explorar. Vimos o cinema transformar em romantismo os horrores de uma guerra. Hoje se você descuida a guerra sai da TV e cai em sua sala, suja, violenta e cruel. E por falar em TV, ela era limpa, emocionante querendo vencer e sem apelações. Tanto que o primeiro beijo na TV até hoje é contado em prosa e verso. Agora beijo e no horário infantil. Sexo fica para sessão vespertina e o explícito nas novelas da noite. Pensar que a gente se emocionava muito mais com Chaplin, que sequer falava.
Ah, eu pertenço a uma geração que namorava na matinée dos domingos, comendo pipocas, chupando drops. Que esperava o filme começar prá buscar a emoção de um beijo roubado. Hoje o escurinho do cinema só Rita Lee lembra.
Eu pertenço a uma geração que encarava a virgindade como virtude, não como vergonha. Que usava camisinha como preservativo não como meio de sobrevivência. Minha geração estudava para ficar culta e vencer na vida, não pra ficar esperta e ganhar a vida.
A geração dos “anos dourados” tinha respeito pela autoridade, não medo, manifestava amor pela pátria, não deboche. Uma geração que valorizava a amizade, não o interesse, que fazia coisas bobas, como abrir a porta para uma mulher. Puxar a cadeira prá ela sentar. Que oferecia seu lugar no ônibus para uma senhora, mesmo que nem fosse tão senhora.
Minha geração vai deixar saudades. Ela viveu anos dourados de verdade e intensamente. Com pique, com tesão, com alegria. E dizer que a gente era feliz e não sabia. Agora no Dia Internacional da Mulher, buscamos a “mulher” que ficou abandonada em cada uma de nós. Espero que a achemos… e, se possível, feliz.
Adaptação do texto de José Roberto Palladino
Cacilda Gonçalves Velasco
Eu sou uma mulher que pertence a uma geração que deixou saudade. Que viveu a vida com respeito, com charme, com romantismo e com intensidade. Tivemos nossas tormentas, mas soubemos enfrentá-las e vencê-las sempre com elegância, dignidade e respeito ao próximo.
Minha geração não teve medo de ser feliz e nem vergonha. Uma geração que via Copacabana como a “Princesinha do Mar”. Que conhecia São Paulo como a elegante e charmosa terra da garoa. E para nós o Brasil era o grande país do futuro. No entanto, a Princesinha se casou, separou e ninguém sabe para onde foi. São Paulo cresceu, engordou, perdeu o charme e a garoa. Quem viu nem reconhece. Já o Brasil, continua sendo o país do futuro, só que não sabemos que futuro será esse.
Eu pertenço a uma geração que viu o biquíni nascer e não viu nada além. Agora mulher de biquíni é como mina abandonada, quando se chega, já não resta nada para se explorar. Vimos o cinema transformar em romantismo os horrores de uma guerra. Hoje se você descuida a guerra sai da TV e cai em sua sala, suja, violenta e cruel. E por falar em TV, ela era limpa, emocionante querendo vencer e sem apelações. Tanto que o primeiro beijo na TV até hoje é contado em prosa e verso. Agora beijo e no horário infantil. Sexo fica para sessão vespertina e o explícito nas novelas da noite. Pensar que a gente se emocionava muito mais com Chaplin, que sequer falava.
Ah, eu pertenço a uma geração que namorava na matinée dos domingos, comendo pipocas, chupando drops. Que esperava o filme começar prá buscar a emoção de um beijo roubado. Hoje o escurinho do cinema só Rita Lee lembra.
Eu pertenço a uma geração que encarava a virgindade como virtude, não como vergonha. Que usava camisinha como preservativo não como meio de sobrevivência. Minha geração estudava para ficar culta e vencer na vida, não pra ficar esperta e ganhar a vida.
A geração dos “anos dourados” tinha respeito pela autoridade, não medo, manifestava amor pela pátria, não deboche. Uma geração que valorizava a amizade, não o interesse, que fazia coisas bobas, como abrir a porta para uma mulher. Puxar a cadeira prá ela sentar. Que oferecia seu lugar no ônibus para uma senhora, mesmo que nem fosse tão senhora.
Minha geração vai deixar saudades. Ela viveu anos dourados de verdade e intensamente. Com pique, com tesão, com alegria. E dizer que a gente era feliz e não sabia. Agora no Dia Internacional da Mulher, buscamos a “mulher” que ficou abandonada em cada uma de nós. Espero que a achemos… e, se possível, feliz.
Adaptação do texto de José Roberto Palladino
Cacilda Gonçalves Velasco