O Programa Academia da Saúde traz benefícios para os municípios? Pesquisa responde

14 de junho de 2017 ● POR

O perfil epidemiológico e os problemas de saúde da população brasileira mudaram ao longo do último século no Brasil. Estudos longitudinais têm mostrado diminuição na mortalidade infantil, bem como melhorias nos níveis educacionais, aumento da cobertura de saneamento básico, melhorias nas habitações e aumentos nas coberturas de vacinação.

Estas mudanças contribuíram para o aumento na expectativa de vida da população. No entanto, de forma concomitante, houve aumento do excesso de peso corporal e da morbidade e mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis. Atualmente no Brasil, mais de 50% dos adultos têm excesso de peso, 14,8% são tabagistas e 79,8% não consomem pelo menos cinco ou mais porções de frutas, verduras ou legumes. As doenças cardiovasculares, respiratórias crônicas, diabetes, cânceres e as doenças renais são as principais causas de morte hoje no Brasil. Além disso, inquéritos feitos em amostras de adultos das capitais brasileiras têm indicado que 60% dos adultos não praticam nenhum tipo de atividade física no lazer e por volta de 85% das pessoas não praticam pelo menos 150 minutos de atividade física neste domínio.

No ano de 2011, o Ministério da Saúde lançou o Programa Academia da Saúde, que tem como objetivo contribuir para a promoção da saúde, com a produção de cuidado e com modos de vida saudáveis na população a partir da implantação de polos com infraestrutura e pro?fissionais quali?ficados. Além disso, também no ano de 2011, o Plano Nacional para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis estabeleceu como uma das suas diretrizes a promoção da saúde, que engloba a promoção da atividade física, a promoção da alimentação saudável, do envelhecimento ativo, da prevenção e controle do tabagismo e do consumo excessivo de álcool. No entanto, ainda são escassos estudos descritivos quantitativos sobre ações de promoção da atividade física e da alimentação saudável nos municípios brasileiros, principalmente analisando a participação dos NASF nestas ações.

Dessa forma, esta pesquisa teve como objetivo analisar o impacto desse Programa no contexto dos municípios abordados. Acompanhe abaixo e aproveite:

Resumo

Os objetivos do presente estudo foram: 1) Descrever as prevalências de ações de promoção da atividade física e da alimentação saudável e as características da estratégia de saúde da família em municípios brasileiros que receberam recursos para o desenvolvimento do programa Academia da Saúde; e 2) Verificar as prevalências dessas ações segundo a presença de Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) e de profissionais de educação física e nutricionistas nas equipes. Foi realizada entrevista telefônica em 2012 com gestores de saúde de municípios de todo o Brasil que receberam recursos para o desenvolvimento do Academia da Saúde. Foram descritas as frequências (%) das características da saúde da família e das ações de atividade física e de alimentação saudável e calculadas as prevalências em municípios com e sem NASF e com e sem profissionais de educação física e nutricionistas nas equipes. O teste do qui-quadrado foi usado para avaliar as associações. Do total de 5.570 municípios brasileiros em 2012, 2.074 (37,2%) receberam recursos, e destes, 44,1% (n = 914 gestores) responderam as entrevistas. A maioria dos municípios não tinha NASF (61,5%), mas estava desenvolvendo ações de atividade física (84,1%) e de alimentação saudável (83,9%). O parceiro público mais citado foi o setor educação. A prevalência de ações de atividade física (91,5%, p < 0,001) e de alimentação saudável (88,2%, p = 0,006) foi maior nos municípios que tinham NASF em comparação com os que não tinham. A prevalência de ações na atenção básica foi maior nos municípios com profissionais de educação física e com nutricionistas nas equipes. Os NASF contendo profissionais de educação física e nutricionistas são importantes para a promoção da atividade física e da alimentação saudável nos municípios.

Para ler o artigo, na íntegra, clique: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1807-55092016000400913&script=sci_abstract

Autores: Alex Antonio FLORINDO; Priscila Missaki NAKAMURA; José Cazuza de FARIAS JÚNIOR; Fernando Vinholes SIQUEIRA; Rodrigo Siqueira REIS; Danielle Keylla Alencar CRUZ; Pedro Curi HALLAL.
Publicação: Rev Bras Educ Fís Esporte, (São Paulo) 2016 Out-Dez; 30(4):913-24