Profissional: você está preparado para situações de afogamento?

08 de novembro de 2017 ● POR Redação

Todo ano em nosso país os afogamentos começam a ser registrados com maior frequência quando as temperaturas aumentam. Por isso, o mês de novembro passou a ser considerado pelo Instituto de Natação Infantil (INATI) como o Mês da Segurança Aquática. O objetivo é chamar atenção da sociedade sobre as causas do afogamento e alertar a população a respeito da importância da prevenção.

Do latim praevent?o, prevenção etimologicamente é “prae”, que significa antes e “eventious” que é evento. Assim sendo, o termo prevenção faz referência à ação e ao efeito de prevenir, ou seja, é a ação e o efeito de impedir, de preparar com antecedência o que é necessário antecipando uma dificuldade. A prevenção permanece sendo a mais poderosa intervenção terapêutica e pode evitar quase 85% dos casos de afogamento.

O afogamento por sua vez é definido como a aspiração de líquido não-corporal por submersão ou imersão. O termo aspiração refere-se a entrada de líquido nas vias aéreas (traquéia, brônquios ou pulmões), e não deve ser confundido com “engolir água”. A cada ano, 500.000 pessoas morrem afogadas em todo o mundo. Os principais fatores de risco para o afogamento são: a idade, ser do sexo masculino, o uso de bebidas alcoólicas, a baixa condição socioeconômica e a falta de supervisão.

Mundialmente, o afogamento constitui a primeira causa de morte do sexo masculino na faixa etária entre 5 e 14 anos, sendo a segunda causa no Brasil desse grupo. Em nosso país, há 7.210 mortes ao ano por afogamento (5,2/100.000 habitantes), sendo mais frequentes os casos em água doce (rios, lagos e represas).
É definido também:

Quanto ao Tipo de água (importante para campanhas de prevenção):
1 – Afogamento em água Doce: piscinas, rios, lagos ou tanques.
2 – Afogamento em água Salgada: mar.
3- Afogamento em água salobra: encontro de água doce com o mar.
4 – Afogamento em outros líquidos não corporais: tanque de óleo ou outro material e outros.
Quanto à Gravidade:

A Classificação de afogamento permite ao socorrista estabelecer a gravidade de cada caso, indicando a conduta a ser seguida. Foi estabelecida com o estudo de casos de afogamento no Centro de Recuperação de Afogados (CRA) de Copacabana (RJ) e seu acompanhamento no Hospital Municipal Miguel Couto durante 20 anos.
Grau 1 – Tosse sem espuma na boca ou nariz. Procedimentos – Repouso, aquecimento e medidas que visem o conforto e tranquilidade do banhista. Não há necessidade de oxigênio ou hospitalização.
Grau 2 – Pouca espuma na boca e/ou nariz. Procedimentos – Oxigênio nasal a 5 litros/min2, aquecimento corporal, repouso, tranquilização e observação hospitalar por 6 a 24 h.
Grau 3 – Muita espuma na boca e/ou nariz com pulso radial palpável. Procedimentos – Oxigênio por máscara facial a 15 litros/min no local do acidente. Posição Lateral de Segurança sob o lado direito. Internação hospitalar para tratamento em CTI.
Grau 4 – Muita espuma na boca e/ou nariz sem pulso radial palpável. Procedimentos – Oxigênio por máscara a 15 litros/min no local do acidente. Observe a respiração com atenção – pode haver parada da respiração. Posição Lateral de Segurança sobre o lado direito. Ambulância urgente para melhor ventilação e infusão venosa de líquidos. Internação em CTI com urgência.
Grau 5 – Parada respiratória, com pulso carotídeo ou sinais de circulação presente. Procedimentos – Ventilação boca-a-Boca. Não faça compressão cardíaca. Após retornar a respiração espontânea – trate como grau 4.
Grau 6 – Parada Cardiorrespiratória (PCR). Procedimentos – Reanimação Cardiopulmonar (RCP) (2 boca-a-boca + 15 compressões cardíaca). Após sucesso da RCP – trate como grau 4.

Apesar da ênfase no tratamento, a conduta prioritária é a prevenção. A prevenção do afogamento é qualquer medida com o objetivo de evitar o afogamento sem que haja contato físico entre a vítima e o socorrista. São as ações baseadas em advertências e avisos a banhistas no sentido de evitar ou ter cuidado com os perigos relacionados ao lazer, trabalho, ou esportes praticados na água. E embora o ato de prevenir possa aparentemente não transparecer a população como “heróico”, são eles os alicerces da efetiva redução na morbimortalidade destes casos.
Sabemos que os acidentes aquáticos acontecem e o risco entre as crianças é sempre maior. No Brasil, o afogamento é a segunda maior causa da morte infantil entre 1 e 9 anos e destes 53% ocorrem em piscinas. Ensinar a criança a nadar e ter noções de sobrevivência desde a sua tenra idade reduz drasticamente as estatísticas.
O movimento Mês da Segurança Aquática, que acontece simultaneamente em todo o Brasil, alerta para 5 atitudes que os adultos devem ter para prevenir estes acidentes:
– Tenha sempre muita atenção em crianças na água;
– Só mergulhe na presença de um guarda-vidas;
– Saiba como agir e o faça com urgência;
– Se tiver piscina em casa, mantenha cercada;
– Use ralos antisucção e meios de interrupção da bomba;

São atitudes simples, mas definitivas.
Para as crianças o movimento indica ações que devem ser tomadas:
– Só entre na piscina na presença de um adulto;
– Boia de braço ou circular não é sinal de segurança – cuidado!
– Evite a sucção de cabelos e partes do corpo;
– Não se aproxime dos ralos de fundo e dos bocais de aspiração das piscinas;
– Não entre com cabelos soltos;
– Em residência nunca entre com a bomba da piscina ligada;
– Sempre entre na água com os pés primeiro – evite o trauma de cabeça;
– Nunca grite, ou finja uma situação de perigo, caso não seja verdade;
– Algumas brincadeiras são perigosas: correr em volta da piscina, pular em cima de tapetes flutuantes, pranchas ou de colegas.

Para adultos: Converse com as crianças e lembre-se que prevenir é sempre a melhor opção. Ensine as crianças a nadar, pois é uma habilidade vital para prevenir situações de afogamento, seja no mar, rios, piscinas ou em qualquer outro ambiente aquático.
Lembrem – se por fim que o afogamento ainda constitui grave e negligenciado problema de saúde pública, que necessita, com urgência, em âmbito nacional, de mais campanhas de prevenção que objetivem reduzir sua incidência não só no litoral, mas principalmente no interior do país.

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Prof. Esp. Roberto Trindade – Formado em Turismo, Psicologia e Educação Física. Pós-Graduado em Psicologia do Esporte e Esportes de Aventura. Email: trindade_scuba@hotmail.com