Quais os principais fatores que influenciam o ataque no vôlei de alto nível?

22 de setembro de 2017 ● POR Redação

A dinâmica dos jogos esportivos coletivos caracteriza-se principalmente pela alternância entre ataque e defesa. A posse de bola geralmente é o que determina o papel (ofensivo ou defensivo) que a equipe está desempenhando. Então, naturalmente, enquanto uma equipe ataca, a outra obrigatoriamente se defende. O momento de ataque caracteriza-se pela “progressão” da equipe que detém a posse de bola, rumo a meta adversária, que pode ser o gol, a cesta ou a própria quadra. Por outro lado, o momento defensivo caracteriza-se por ações que tentam defender a própria meta, concomitantemente com a intenção de recuperação da posse da bola (BAYER, 1986; GRECO & CHAGAS,1992).

Dentre os esportes coletivos, o voleibol distingue-se dos demais, inicialmente, por contar com um espaço de jogo bastante peculiar. Este não é comum às duas equipes, pois cada uma possui uma meia quadra (separada da outra por uma rede) onde pode realizar suas ações de jogo. Assim, não existe a possibilidade de se tomar a bola do adversário, ao contrário, ela deve ser “recebida” dele.

Em virtude disso, o objetivo final do jogo é enviar a bola, por sobre a rede, para a meia quadra oposta, de modo que a equipe adversária seja incapaz de retorná-la. Para tanto, cada equipe só está permitida a trocar dois passes consecutivos (três toques), sendo que a bola não pode ser segura, conduzida (apenas pode ser batida ou tocada brevemente), nem pode tocar o solo ou qualquer outro objeto, com exceção da rede, antes que a mesma seja enviada de volta à meia quadra adversária. Desse modo, a dinâmica do jogo de voleibol caracteriza-se, principalmente, pela constante troca de posses de bola entre as equipes. E, como não existe contato físico entre os atletas das equipes oponentes durante a disputa, a única maneira de “perturbar” a ordem do sistema concorrente é, justamente, através desta troca de posses. Assim, o ato de enviar a bola para a meia quadra adversária é o modo de “atacar” o adversário.

Dessa forma, o objetivo deste estudo foi analisar a primeira seqüência de ações do jogo de voleibol, com a finalidade de verificar a influência de alguns fatores selecionados – recepção, posição para onde a bola foi levantada (levantamento onde), tipo de bola levantada (levantamento qual) e destino de ataque – sobre o resultado do ataque.

Foram analisados 20 jogos de voleibol masculino de alto nível, o que resultou na observação de 77 “sets”. A variável recepção foi avaliada a partir da escala proposta por EOM e SCHUTZ (1992a), que varia de “zero” (erro) a “quatro” (acerto máximo), sendo que aquelas que foram avaliadas como “zero” precisaram ser descartadas uma vez que não geraram nenhuma influência sobre o ataque. A posição para onde a bola foi levantada foi descrita a partir da divisão da rede em três partes: entrada (posição 4), meio (posição 3) e saída (posição 2).

Os tipos de levantamento foram categorizados a partir de sugestões de KATSIKADELLI (1995), onde os levantamentos foram classificados como de 1o., 2o. ou 3o. tempo, bolas de fundo e bolas de segunda do levantador. A variável destino do ataque se propôs diferenciar as bolas batidas contra o bloqueio, as largadas, as bolas que passavam pelo bloqueio e alcançavam a quadra adversária, além das bolas que foram devolvidas sem a execução de um ataque propriamente dito à equipe que sacou (bolas “de graça”). A variável resposta resultado do ataque foi avaliada a partir de uma escala adaptada de EOM e SCHUTZ (1992a), e variou de “zero” (erro) a “três” (ataque fulminante).

Para efeitos de análise, optou-se pela utilização de uma estatística descritiva bidimensional, onde os fatores foram cruzados com a variável resposta, produzindo, assim, quatro tabelas, as quais permitiram que o resultado do ataque fosse analisado descritivamente. Além disso, foi realizada uma regressão logística politômica nominal, através do pacote estatístico Minitab, para tentar predizer as chances dos fatores selecionados influenciarem o resultado do ataque. Os resultados encontrados para explicar o ataque a partir desta análise de regressão mostram que basicamente dois fatores influenciaram o resultado do ataque: a recepção e o destino do ataque. Estes fatores indicaram principalmente se a bola permanecia em jogo após a primeira ação de ataque.

Para acessar o estudo agora, clique: https://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/16571/18284

Autores: Cláudio Miranda da ROCHA; Valdir José BARBANTI
Publicação: Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.18, n.4, p.303-14, out./dez. 2004