Quer ser um profissional de Educação Física de verdade?

13 de outubro de 2016 ● POR pedro.cunacia@nortemkt.com

A Ciência (do latim scientia, traduzido por “conhecimento”) refere-se a qualquer conhecimento ou prática sistemática (que se repete). Em sentido mais estreito a ciência refere-se ao sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico, bem como ao corpo organizado de conhecimento conseguido por meio de pesquisas científicas.
Princípios básicos do método científico.
O conhecimento adquirido por meio do método científico deve ser baseado em evidências: Para que algo seja considerado cientificamente sustentável deve ser possível provar por meio de achados concretos. Esses achados podem ser qualitativos ou quantitativos.
O conhecimento científico deve ser replicável e reprodutível: Para que possamos validar os achados outros pesquisadores, sem vínculo conosco, devem achar resultados que levem a mesma conclusão que a nossa. Não há nada mais anti-científico que dizer “esse resultado acontece porque testei em mim mesmo”, ou dizer, “eu vejo isso na minha prática clínica e isso já basta para mostrar que funciona”. Nunca faça isso e se o fizer, não incentive a replicação.
A ciência não aceita o discurso da autoridade: a titulação de um pesquisador não pode ser usada para validar seus achados. Se o profissional usa os princípios 1 e 2 ele tem a mesma autoridade científica que qualquer PhD. O fato de você ter uma titulação alta lhe faz ter mais responsabilidade ainda ao propor determinadas mudanças de conduta. Você como profissional qualificado deve proliferar os princípios do método científico e não diminuir sua importância com arrogância e soberba.
Mas o que você tem a ver com isso?
Ao entrar em um curso de nível superior você passa ser um representante da ciência. Gostando ou não seu curso de graduação só existe por estar vinculado diretamente com alguma área da ciência. Entretanto, cada vez menos temos visto profissionais baseados em ciência e quando tentam fazer isso distorcem, manipulam e impõem suas interpretações tendenciosas, pilantras e mercadológicas.
Desculpem minha sinceridade, mas o tratamento aplicado para com a ciência suja não permite gentilezas.
Ao sentar em uma cadeira, dentro da sala de aula, para adquirir a licença para atuar em determinada área (diploma), você é tão responsável pelo que vai aprender quanto o professor que vai lhe ensinar. Você não pode permitir que lhe enganem ou lhe manipulem com lógicas simples de “boteco”.
Vou lhes contar uma coisa, eu tenho uma característica interessante, segundo alguns colegas, eu deixo os estudantes “petulantes”. Na verdade eu não os tenho tornado “petulantes”, eu não faço nada mais que acreditar em futuros profissionais participativos e questionadores. Eu faço isso quebrando com a ideia ultrapassada de “superioridade de conhecimento”, em minha sala de aula eles passam a discutir com mais clareza e confiança, que ao meu ver, é que o precisamos para vivermos em uma sociedade melhor.
Uma sociedade evoluí quando se torna mais científica e participativa.
Quer mudar também?
Para conseguir fazer isso basta que você se aproprie do que lhe pertence. Você tem a obrigação moral de criar e desenvolver o comportamento inquieto e participativo, você é um representante da ciência. A curiosidade deve fazer parte de seu dia a dia profissional e se tornar algo visceral, algo que seja tão forte quando o amor e orgulho que tu tens de ter escolhido sua profissão. Espalhe o conhecimento como um agricultor espalha as sementes no campo, cultive-as e colha o melhor resultado, a verdade.
Definitivamente, torne-se um profissional com qualidade.
O Prof. André Lopes é Ph.d em Ciências do Movimento Humano pela UFRGS e Expert do Portal da Educação Física.