Violência nas escolas: professor de educação física é um alvo ainda mais exposto

14 de junho de 2017 ● POR

Não é de hoje que a mídia divulga casos de assassinato, espancamento e desrespeito voltado a professores, tanto da rede pública como da particular no Brasil. O professor de educação física, por lidar com disputas esportivas, talvez esteja ainda mais exposto à violência. Suas aulas são enxergadas como oportunidade para alunos acertarem diferenças entre si. Ao repreender quem exerce um comportamento agressivo, o educador pode se converter, ele mesmo, no alvo de erupções de violência.

A revista Isto É nº 2214, de 18 de abril de 2012, publicou um panorama estarrecedor dessa questão, a reportagem “Professor: profissão perigo – Aumentam os casos de agressão física e psicológica a docentes brasileiros nas escolas particulares e nas universidades”.

Logo no quinto parágrafo é abordado o caso de um professor de educação física, identificado, por temor a represálias, como F.. Então com 28 anos, o educador, que trabalhava na rede pública de Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, narra um episódio bastante ilustrativo do nível de violência que tomou conta de algumas escolas.

F. repreendeu um aluno por comportamento violento durante um treino de basquete. Ameaçado por ele, o professor teve que sair escoltado pela polícia, pois o aluno voltou acompanhado por um grupo de amigos que não estudavam na escola para um “acerto de contas”. F. conseguiu contornar o dramático episódio e continuou lecionando no mesmo local.

A própria equipe de reportagem conhece uma professora, que identificaremos como W., que foi alvo de assédio sexual na Escola Estadual Vicente de Taunay, localizada na avenida Professor Celestino Bourroul, no bairro do Limão. “O que me chamou a atenção é que algumas crianças muito novas, com dez, 11 anos, já eram extremamente precoces e usavam termos bastante maliciosos”, disse W., que já não atua como professora na capital paulista.

A mesma reportagem da Isto É demonstra que os casos de violência e perseguição não se atêm à rede pública. A professora gaúcha Etiene Selbach Silveira conta que descobriu agressões virtuais ainda na era do Orkut, quando lecionava no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, em Porto Alegre. Depois de protestar no sindicato e na direção da escola, a comunidade saiu do ar, mas a educadora foi demitida poucos meses depois. “Nos colégios particulares, se alguém não gosta de algo, o professor é demitido”, disse, em entrevista à publicação semanal, Cecília Farias, então diretora do Sinpro-RS.

A reportagem do Portal da Educação Física localizou um estudo assinado pelos professores Gustavo Levandoski, Fabiano Ogg e Fernando Luiz Cardoso: “Violência contra professores de Educação Física no ensino público do Estado do Paraná”, publicado em 2011 na revista Motriz, do curso de Educação Física da Unesp de Rio Claro. Conseguimos localizar Levandoski, que hoje leciona na Universidade da Grande Dourados, mas não recebemos as respostas às perguntas que encaminhamos até o fechamento deste artigo.

Ogg e Cardoso elaboraram um questionário que levanta dados severamente preocupantes. À pergunta Você teme ou temeu por sua integridade física ao repreender por qualquer motivo algum aluno?, 60,4% dos inquiridos responderam sim.

Extremamente preocupante, o tema merece a atenção da classe, e certamente voltará a ser objeto de outros artigos do Portal da Educação Física.