Você não sabe respirar: conheça a pranayama e veja dicas para melhorar

11 de janeiro de 2018 ● POR Redação

Em modalidades aquáticas, saber respirar é fundamental. Te soa estranho a sentença “saber respirar”? Pois bem, a verdade é que grande parte das pessoas não sabe fazer bem esse movimento tão simples e vital. A respiração nos acompanha desde o primeiro momento de vida e fica conosco até o último minuto, nosso último suspiro. Dá a impressão de que é só deixar o ar entrar e sair e pronto. Mas, não.

Você sabia que é muito comum, por exemplo, bebês prematuros esquecerem de respirar e ter breves, porém perigosos, momentos de apneia? O sistema respiratório ainda não está completamente desenvolvido e eles precisam aprender a respirar para sobreviverem.
E quando falamos, então, de modalidades esportivas aquáticas, entendemos que a respiração se torna, de fato, questão de vida ou morte. Afinal, não somos peixes com guelras, não é mesmo? Brincadeiras à parte, quero trazer uma reflexão sobre uma estratégia inteligente e eficiente que pode ajudar atletas de modalidades aquáticas a respirarem de forma mais correta e coordenada e, assim, desenvolverem suas práticas e alcançarem níveis mais altos de performance e rendimento: pranayamas.

Pranayama é a junção de duas palavras sânscritas: “Prana”, que quer dizer força fundamental da vida, e “yama”, que quer dizer controle, restrição ou canal. Pranayama é, portanto, a canalização da força da vida. Prana está em qualquer ser vivo e é uma energia tão sutil que a fisiologia ocidental ainda está procurando decifrar os seus mecanismos e como mapeá-la. O Pranayama também pode ser visto como a combinação de “pran”, a força da vida, com “ayama”, que significa expansão. Nesta acepção, Pranayama expande a força da vida por todos os níveis de nosso ser: físico, psicoemocional e espiritual.

O Hatha Yoga Pradipika descreve a utilidade do Pranayama da seguinte maneira: “Quando a respiração é irregular, a mente oscila; quando a respiração é constante, a mente também é estável. Para adquirir estabilidade, deve-se controlar sua respiração. Enquanto há respiração no corpo, há vida. Quando a respiração se vai, a vida também se vai, portanto, o controle da respiração prolonga a vida”.
Patañjali cita, no seu Yoga Sutra, que Pranayama consiste em controlar o processo de inspirar (shvasa) e expirar (prashvasa) (Patañjali, Yoga Sutra, II:49).
Respirar bem significa viver melhor. A maioria das pessoas utiliza inadequadamente sua capacidade pulmonar, desperdiçando o potencial que se tem para respirar com plenitude, desenvolver saúde, vitalidade e resistência.

O pranayama é um excelente aliado para os esportes, principalmente os aquáticos, como mergulho, surf, natação, e outros, porque amplia a capacidade pulmonar, intensifica o fluxo da energia no interior do corpo, promove resistência, consciência corporal e respostas rápidas às exigências físicas (KUPFER, 2000).
São diversos pranayamas diferentes, ou seja, diversas técnicas de respiração diferentes que podem auxiliar os atletas de modalidades aquáticas a desenvolverem rendimento e performance diferenciados. Basicamente, o controle da respiração significa cessar os movimentos de entrada e saída do fôlego. Existe entre a inspiração e a expiração um ponto de repouso, um momento de completa satisfação respiratória. É neste ponto que o praticante do controle respiratório coloca sua atenção. Souto (2009) diz que o pranayama é a total suspensão do reflexo respiratório por um período mais ou menos longo.

Sabemos que, atualmente, no esporte de alto rendimento, o talento não é suficiente. O atleta precisa ir além, trabalhar seus limites físicos e mentais. Superar esses limites significa ter também a habilidade de se adaptar e buscar medidas que atendam às demandas que a modalidade exige. Intervenções alternativas, como os pranayamas, mostram-se eficientes em casos nos quais os atletas buscam essa superação, buscam destaque.
Pereira (2016), realizou um estudo no qual foi aplicado os pranayamas nos atletas, em dois cortes de 10 atletas cada, durante três semanas, em seis sessões de 20 a 30 minutos, após o treino. Após a intervenção, viu-se uma diferença quase significativa na frequência cardíaca (FC) e uma alteração quase qualitativa na vitalidade, fadiga e emoções negativas, assim como melhorias significativas na frequência respiratória (FR) e na frequência cardíaca (FC) média, mínima e máxima, isto é, uma FR e FC menores e também valores mais baixos de fadiga, comparativamente com a linha-de-base.

Concluiu-se que a intervenção teve um efeito na recuperação física notando-se alterações positivas na FC (frequência cardíaca).

Claramente é necessário que os estudos sobre o assunto se ampliem. Contudo, podemos observar que pranayamas podem ser usados como uma estratégia diferenciada por atletas de todas as modalidades, principalmente as aquáticas, tanto com o objetivo de aprimorar seus recursos respiratórios, quanto para se recuperar após as práticas.
O indivíduo que não respira corretamente reduz a vida do seu corpo. Se não se movimenta livremente, limita a vida de seu corpo. Se não se sente inteiramente, estreita a vida do seu corpo e, se sua auto-expressão é reduzida, o indivíduo terá a vida do seu corpo restringida. (Lowen, 1982, p.38).

Talita Guedes Bittioli – Psicóloga pela Universidade Metodista de São Paulo, Especialista em Psicologia do Esporte pela Universidade Estácio e Coach Esportivo pela Academia Emocional. Atende na Dharma Atividade Física e Psicologia.
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REFERÊNCIAS:
Academia Brasileira de Letras. Disponível em: . Acesso em 1 de dezembro de 2017.
CALDER, A. Recovery Training, Training Smart Online, 2005.
ELIAS, Marcos Teixeira. Sobre a arte de respirar bem. Curitiba: Centro Reichiano, 2007. Disponível em: www.centroreichiano.com.br/artigos.htm. Acesso em 26 set 2017.
KELLMANN, M. Preventing overtrainning in athlete in high-intensity sports and stress/recovery monitoring. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 20 (Suppl. 2): 95-102, 2010.
KUPFER, P. Guia de Meditação. Florianópolis: Fundação Dharma, 1997.
KUPFER, P. Yoga Prático. Florianópolis: Fundação Dharma, 2001.
LE PAGE, J; LE PAGE, L. O que é Pranayama? Garopaba: Centro de Yoga Montanha Encantada. Disponível em: http://yogaintegrativa.com.br/index.php/artigos/pranayama/200-o-que-e-pranayama. Acesso em: 15 de dezembro de 2017).
LOWEN, A. Bioenergética. São Paulo: Summus Editorial, 1982.
MAURICIO C.C.R; AMORIM, A. C. G. P.; DEUTSCH, S. 8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP, 2015. Projeto de Yoga como extensão universitária. – ISSN 2176-9761.
PEREIRA, A . C. A. Recuperação Psicológica e Física em Nadadores Através do Yoga: Efeitos no Bem-Estar. Lisboa. Disponível em: . Acesso em 15 de Dezembro de 2017.
SOUTO, A. A essência do Hatha Yoga: Hatha Pradipika – Gheranda Samhita – Goraksha Shataka. São Paulo: Phorte editora, 2009.p.57.
“Yoga Sutras of Patanjali”; Master E.K, Kulapathi Book Trust, Visakhapatanam, Bharat, ISBN 81-85943-05-2