Conselho de Educação Física apura acidente de jovem em academia

14 de janeiro de 2016 ● POR

De acordo com o coordenador do Departamento de Orientação e Fiscalização do CREF4/SP, Valdir Fregolon, foi instaurado um Processo Ético Disciplinar para apurar as responsabilidades dos envolvidos no acidente. “Pelo o que já vimos publicado na imprensa, possivelmente tiveram alguns erros que vamos apurar. Um agente foi enviado à cidade e irá levantar todas as questões necessárias, principalmente as responsabilidades disso.”

Ele explica que algumas das questões a serem avaliadas são se a estudante tinha atestado médico para a prática dos exercícios físicos e se o profissional de educação física a orientava no momento do acidente. “Perante nosso Código de Ética, vamos apurar se ele foi criterioso e se zelou pela integridade física do usuário.”

Conforme o resultado, segundo Fregolon, o profissional poderá responder por processo ético e terá a sanção aplicada, que pode ser desde a aplicação de multa até a cassação do registro profissional. “Seguimos alguns passos de conduta que serão averiguados para apurar o nível de responsabilidade que o profissional de educação física teve sobre o caso.”

Segundo o advogado Eder Fasanelli, um dos responsáveis pela academia Brasil Fitness, todas as informações sobre o acidente serão repassadas ao CREF4/SP. “Estamos à disposição para atender ao Conselho. Nossa preocupação é com a recuperação da Marcelle”, diz.

Entenda o caso

O acidente foi no sábado (9), mas o pai da jovem registrou boletim de ocorrência na segunda-feira (11). De acordo com o registro policial, Marcelle fazia abdominal invertido, em que o aluno fica pendurado pelos pés de cabeça para baixo, quando a cinta que a prendia estourou e ela caiu de cabeça no chão. A jovem foi hospitalizada e ficou internada na UTI do Hospital de Base, com fratura na quinta vértebra e lesão na medula.

A assessoria de imprensa do Hospital de Base, onde ela está internada, afirma que a família da jovem proibiu a divulgação de qualquer informação sobre o quadro clínico dela. O hospital informou apenas que ela está quarto e que o estado de saúde é estável.

De acordo com o advogado da academia, Eder Fasanelli, a jovem usou um aparelho que não é recomendável para a prática do exercício. “Ela fazia o abdominal invertido em um aparelho que serve para fazer ‘rosca’ de braço. Nem tem cinta para prender os pés lá. Geralmente, quem faz esse abdominal faz com personal [trainer], porque fica de cabeça para baixo.”

O responsável nega que tenha havido falha no equipamento ou no procedimento adotado pela academia. “Ela chegou lá e foi fazer o exercício sozinha. Aquela cinta não é para aquilo, não foi um professor nosso que indicou aquela cinta para aquele aparelho. Não houve absolutamente nada de falha de serviço ou de execução de serviço.

Foi um acidente e, graças a Deus, o professor estava por perto, havia médicos treinando e ela teve um atendimento rápido. Agora, estamos preocupados com o pronto restabelecimento dela.”

O advogado diz que, por causa do acidente, cogita proibir este exercício na academia. “Já não é recomendado e, agora, realmente pensamos em tornar proibido, porque depois de 10 anos de funcionamento esta é primeira vez que ocorre algo deste tipo.”
Matéria publicada no site Globo.com