Envelhecimento, atividade física, massa corporal e arco plantar longitudinal influenciam no equilíbrio funcional de idosos?

23 de fevereiro de 2018 ● POR Redação

O Brasil tem hoje cerca de 13,5 milhões de idosos, o que corresponde a cerca de 9% da população, e este total deverá chegar a 56 milhões em 2050, o que corresponderia a 24% da população prevista (COSTA, 2005). A prática da atividade física vem sendo uma rotina comum entre as pessoas da terceira idade, trazendo benefícios como a melhora do desempenho das capacidades funcionais, o aumento da força muscular e flexibilidade, a melhora da coordenação motora (BRACH, SIMONSICK, KRITCHEVSKY, YAFFE, & NEWMAN, 2004; CAPODAGLIO, CAPODAGLIO, FERRI, SCAGLIONI, MARCHI & SAIBENE, 2005), a prevenção e controle de doenças como obesidade, hipertensão e diabetes mellitus (OKUMA, 1998), além dos efeitos positivos na sociabilidade e na saúde mental desta população, que tem sua sobrevida aumentada a cada dia.

O sistema musculoesquelético, juntamente com outras integrações aferentes e eferentes do sistema nervoso central, tem sua capacidade funcional reduzida com o envelhecimento biológico, havendo perda da massa e força muscular, além da degeneração global de diversos tecidos no sistema cardiopulmonar, nervoso e outros (DURAKOVIC & MISIGOJ-DURAKOVIC, 2006). TINETTI (1986) estudou uma população de idosos sedentários em que 47% dos idosos avaliados não foram capazes de se levantar do chão após um episódio de queda.

A idade avançada associada a fatores psicossociais e à deterioração da saúde, muito comuns na terceira idade, são fatores preditivos de grande perda de capacidade funcional (AYIS, GOOBERMAN-HILL, BOWLING & EBRAHIM, 2006). Com a degeneração do sistema musculoesquelético nos idosos, e também a diminuição da capacidade residual cardíaca e dos níveis de atividade física (GOLDSPINK, 2005), pode haver alterações do padrão de marcha e postura, podendo influenciar também no equilíbrio e conseqüente predisposição a quedas nesta população.

O envelhecimento biológico do sistema músculoesquelético pode levar, também, a alterações específicas do pé, entre elas, a atrofia da musculatura intrínseca e deformidades ósseas, que por alterarem a base de apoio também podem levar a alterações do equilíbrio. LIN, LEE, CHEN, LEE e KUO (2006) observaram que um arco longitudinal medial mais rebaixado leva a uma menor excursão do centro de pressão em condições de maior distúrbio de equilíbrio (de olhos fechados e em uma superfície não rígida), sugerindo que a área de contato do pé está intimamente relacionada ao equilíbrio funcional.

O aumento do peso corpóreo na população idosa pode surgir como efeito do sedentarismo e de mudanças no metabolismo, propiciando o aparecimento de doenças crônicas e o aumento da mortalidade. Assim, a medida do índice de massa corpórea (IMC) vem sendo utilizada na prevenção de doenças, sendo que o IMC acima de 25 kg/m2 está associado a sobrepeso ou obesidade e a inúmeras condições patológicas associadas (KYLE, GENTON, GREMION, SLOSMAN, LAJOIE & GALLAGHER, 2004; PICHARD, 2004).

O aumento do IMC tem sido correlacionado com o desabamento do arco longitudinal medial do pé (VAN SCHIE & BOLTON, 2000). Os pés, como base de sustentação na postura estática ou dinâmica, possuem íntima relação com o equilíbrio funcional e, portanto, com as atividades da vida diária de idosos. O arco longitudinal medial, bem como os demais, é adaptado principalmente para a função de tomada de peso, absorvendo choques e distribuindo a carga por todo o pé, constituindo um mecanismo dinâmico de equilíbrio (NEUMAN, 2002).

Diante desse contexto, o objetivo do presente trabalho foi verificar se as variáveis antropométricas de massa e arco longitudinal plantar, idade e tempo de prática de atividade física influenciam no equilíbrio funcional de idosos fisicamente ativos.

Resumo

Este estudo visou buscar relações entre características antropométricas e de equilíbrio funcional em uma amostra de 45 idosos fisicamente ativos, relacionando algumas variáveis selecionadas entre si – IMC, faixa etária, tempo de prática de atividade física, índice do arco longitudinal medial, alcance funcional e escore do teste de Tinetti. Estas relações foram investigadas com o intuito de verificar se as variáveis antropométricas, idade e prática de atividade física têm influência no equilíbrio funcional de idosos. O arco longitudinal foi mensurado por meio da impressão plantar e então classificado de acordo com o Índice do Arco de CAVANAGH E RODGERS (1987). O Índice do Arco apresentou significantes mudanças de acordo com o IMC, tendo uma maior incidência de pés planos com o IMC ? 25 kg/m² (p = 0,0173). O tempo de prática da atividade física ou a idade dos sujeitos não influenciaram de maneira significativa nas variáveis de equilíbrio. A faixa etária também não influenciou no tipo de pé. O equilíbrio funcional de idosos fisicamente ativos não sofreu influência do tempo de prática de atividade física, IMC e tipo de arco longitudinal plantar.

Para acessar o estudo, na íntegra, clique aqui: http://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/16693/18406

Autores: Isabel de Camargo Neves Sacco, Tatiana de Almeida Bacarin, Ricky Watari, Eneida Yuri Suda, Maíra Grizzo Canettieri, Ludmilla Carrijo Souza, Maria Fernanda de Oliveira, Suely Santos

Publicação: Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.183-91, jul./set. 2008