Pais definem se filhos serão ou não sedentários

07 de agosto de 2018 ● POR Flávio Rebustini

O crescimento do esporte espetáculo e a aproximação dos atletas dos fãs e consumidores do esporte por meio das mídias sociais abrem a possibilidade de uma nova forma de aproximar os jovens do e esporte e, talvez, de incentivo para uma maior participação dos jovens.

E esse é um ponto nevrálgico e notório os benefícios que o esporte aplicado de forma correta traz inúmeros benéficos para a saúde e o desenvolvimento. Além do desenvolvimento motor e psicológico, o esporte desenvolvido de forma sistemática também traz benefícios sociais no que diz respeito às vivencias sociais modernas (PEREIRA e ANDRADE, 2018).

Segundo Côté, et. al. (2009) a partir dos seis anos de idade as crianças que são inseridas em uma variedade de esportes têm uma gama maior de benefícios psicossociais do que aqueles que se especializam em um único esporte. Proporcionar as crianças vivências variadas dentro do esporte possibilita uma melhor construção do repertório motor, social e psicológico, fato que pode influenciar de forma positiva a vida esportiva e social.

Dentre alguns dos fatores que influenciam os jovens no esporte está o papel da família. De acordo com Kindermann e Skinner (2017) até a adolescência a participação dos pais é um dos fatores de grande importância ao engajamento das crianças em atividades sociais. O modelo de influência dos pais sobre as crianças se dá em três papeis: Como provedor de oportunidades para participar de programas esportivos. Como Intérprete, que abrande as crenças e as atitudes dos pais com relação aquele esporte sendo capaz de influenciar a autoeficácia da criança, pois nessa faixa etária o feedback dos pais é a grande fonte de informação para avaliação da sua competência. E por fim, o papel de modelo agindo como de comportamento positivo, pois a própria participação dos pais no esporte está correlacionada com o nível de participação e envolvimento. (FREDRICKS e ECCLES, 2004)

Os pais geralmente são responsáveis por apresentar a prática esportiva e os recursos necessários para que os filhos se mantenham com uma pratica regular e é fundamental no desenvolvimento dos filhos.

Segundo Hellstedt (1990) o envolvimento dos pais no esporte vai de sub-envolvimento, passa por moderado e vai até super-envolvimento. O sub-envolvimento é caracterizado pela falta de comprometimento dos pais, seja ele financeiro, emocional ou funcional. O moderado e ideal, há uma orientação e suporte com metas realistas e com suporte emocional e estruturalmente necessário. E no super-envolvimento quando há uma participação em excesso na pratica esportiva, muitas vezes projetando seus desejos invés da necessidade dos filhos.

Segundo Nunomura e Oliveira (2013) caso haja uma clareza do papel dos pais na vida esportiva dos seus filhos e que estejam preparados para lidar com as situações que o esporte pode vir a proporcionar, a significação de sucesso pode ser interpretado não somente pelos resultados de vencer ou perder, mas pelas experiencias, o desenvolvimento e o prazer em realizar práticas esportivas sejam os grandes ganhos possíveis.

Há certamente uma necessidade de entender melhor a natureza do paradigma de práticas esportivas, uma vez que o envolvimento encorajador e solidário dos pais é um fator crítico na promoção do prazer e da motivação intrínseca entre os participantes. Isto é particularmente importante, dado que os comportamentos parentais preferidos das crianças são temporalmente dependentes. Ou seja, diferentes tipos de envolvimento dos pais são influenciam antes, durante e depois do esporte competitivo (ELLIOTT e DRUMMOND, 2017).

Poder compreender melhor essa dinâmica entre a participação de crianças, jovens e seus pais em sua vida esportiva é extremamente importante para que se desenvolva estratégias de abordagens entre professore, técnicos, participante do esporte e família, buscando uma pratica prazerosa e saudável do esporte. 

Referências

DA SILVA PEREIRA, G. A. A.; DE ANDRADE, Vitor Luiz. O perfil do desenvolvimento motor de crianças praticantes e não praticantes do futsal. Arquivos de Ciências do Esporte, v. 6, n. 1, 2018.

COTÉ, Jean et al. Os benefícios de amostragem esportes durante a infância. Física & Saúde educação Journal, v. 74, n. 4, p. 6, 2009.

ELLIOTT, Samuel Kim; DRUMMOND, Murray Jo Os pais no desporto juvenil: o que acontece depois do jogo?. Esporte, educação e sociedade, v. 22, n. 3, p. 391-406, 2017.

FREDRICKS, Jennifer A.; ECCLES, Jacquelynne S. Parental influences on youth involvement in sports. 2004.

HELLSTEDT, Jon C. Percepções de adolescentes precoce de pressão parental no ambiente do esporte. Jornal do comportamento do esporte, v. 13, n. 3, p. 135, 1990.

NUNOMURA, Myrian; OLIVEIRA, Mauricio Santos. A participação dos pais na carreira das atletas femininas de ginástica artística: a perspectiva dos técnicos. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 28, n. 1, p. 125-134, 2014.

Autores

Rodolfo Rasmusen – Psicólogo e especializando em Psicologia do Esporte pela Universidade Estácio.

Ms. Cássio J. S. Almeida – Formado em Educação Física. Especialista em Psicologia do Esporte e Mestre em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida.

Dr. Flávio Rebustini – Coordenador da Pós-Graduação da Universidade Estácio e membro do LEPESPE