Pesquisa acadêmica brasileira: as áreas em que o Brasil se destaca no mundo

02 de julho de 2018 ● POR Redação

Por Alessandro Lucchetti

A produção acadêmica brasileira na Educação Física está tomando corpo e já é vista com bons olhos pela comunidade internacional. Essa é a avaliação da professora Carla Nascimento Luguetti, graduada em Educação Física e Esporte pela Universidade Santa Cecília com especialização em Psicopedagogia Institucional e mestrado na Escola de Educação Física e Esporte pela Universidade de São Paulo, doutorado em Educação Física pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado pela New Mexico State University, nos Estados Unidos.

“Os estudos brasileiros estão alcançando dimensão internacional. É um movimento geral. Estamos deixando de nos ater a uma linha positivista descritiva. Do ponto de vista da pesquisa, vamos deixando para trás trabalhos baseados exclusivamente em questionários, que vão nos apontar dados superficiais. Existe uma busca por pesquisas qualitativas, com mais fundamentação teórica. Não digo que os estudos quantitativos sejam ruins, mas é preciso ter uma fundamentação crítica, fenomenológica, pós-crítica. Felizmente, o quadro está começando a mudar”.

O reconhecimento internacional ocorre por meio de premiações. Um artigo da própria professora doutora Carla, titular da Faculdade de Educação Física e Esporte da Unisanta, publicado pela revista “Physical Education and Sport Pedagogy”, recebeu o prêmio “AERA Exemplary Paper Award”, da American Education Research Association, de melhor publicação do ano de 2016.

O artigo, intitulado “’The life of crime does not pay; stop and think!’: the process of co-constructing a prototype pedagogical model of sport for working with youth from socially vulnerable backgrounds” foi escrito pela brasileira, com a colaboração dos doutores Kim Oliver, Luiz Dantas e David Kirk. Trata-se de um estudo de doutorado de Carla, realizado na Universidade de São Paulo (USP), que tem por objetivo desenvolver um modelo ativista de ensino do esporte para jovens residentes em áreas de vulnerabilidade social.

Segundo Carla, essa linha brasileira de estudos no campo da vulnerabilidade social é especialmente apreciada no exterior. “O problema da desigualdade, infelizmente, é praticamente universal. Talvez não exista em lugares como o Japão, mas está presente nos Estados Unidos, na Inglaterra, em vários lugares. As experiências brasileiras nesse campo de estudos é acompanhada com atenção”.

Para o Brasil assumir um papel ainda mais relevante no universo da produção acadêmica na área de Educação Física, a pesquisadora entende ser necessária uma mudança de mentalidade. O educador físico deve ter presente a noção de que não é necessário ser um erudito ou um rato de bibliotecas para obter visibilidade acadêmica. “Às vezes o professor embala no cotidiano de educador e passa a acreditar que a pesquisa vai afastá-lo da prática, pode acreditar que pesquisa é coisa do outro mundo. A linha da pesquisa-ação desmistifica tudo isso. Eu sou participante da minha própria pesquisa e tento controlar todas as variáveis. O que investigo é a minha própria linha pedagógica”, diz Carla.

Outros cuidados são também necessários. Na hora de divulgar estudos internacionalmente, é preciso redigi-los de forma interessante. “É necessário escrever de forma diferente, destacar o que possa ser de interesse internacional. Não basta apenas fazer uma tradução, é preciso mostrar a relevância”.