Treinar ouvindo sua música preferida melhora a sua performance, diz pesquisa

13 de março de 2018 ● POR Redação

As relações entre o exercício físico, a música e os estados de ânimo são objetos de diversos estudos (ANNESI, 2001; BECKETT, 1990; DEUSTCH, 2004; EDWORHY & WARING, 2006; LANE, JACKSON & TERRY,2005). Alguns estudos observaram que a música ocasiona alterações positivas no desempenho do exercício físico e nos estados de ânimo (ANNESI, 2001; BERGER & OWEN, 1992; LANE, JACKSON & TERRY, 2005; MACONE, BALDARI, ZELLI & CUIDETTI, 2006; MIRANDA, GODELI & OKUMA,1996; PENNEBAKER & LIGHTNER, 1980; SOUZA, CAMACHO & TAVARES, 1985; YEUNG, 1996).

Entretanto, essas alterações parecem depender da intensidade do exercício e do estilo da música ouvida durante os exercícios (BHARANI, SAHU & MATHEW, 2004; BROHMER & BECKER, 2006; EDWORHY & WARING, 2006; PUJOL & LANGENFELD, 1999). A presença da música em exercícios realizados em intensidades moderadas (50 a 75% FC máxima) é capaz de melhorar os estados de ânimo e o desempenho (BECKETT, 1990; BOUTCHER & TRENSKE, 1990; EDWORHY & WARING, 2006). Atribui-se esse efeito positivo ao fato da música ser um estímulo prazeroso, distraindo os indivíduos das dores e desconfortos causados pelo exercício (GFELLER, 1988). Porém, a influência da música em exercícios de intensidade vigorosa (80 a 90% da FC máxima) ainda é controversa (TENEBAUM. LIDOR, LAVYAN, MORROW, TONNEL, GERSHGOREN, MEIS & JOHSON, 2004; YEUNG, 1996). Alguns estudos reportam melhora nos estados de ânimo e no desempenho (BOUTCHER & TRENSKE, 1990), enquanto outros reportam piora nessas variáveis (YEUNG, 1996). Algumas características da música utilizada, tais como o estilo e andamento musical podem estar relacionados com o desempenho no exercício (COPELAND & FRANKS, 1991; EDWORTHY & WARING, 2006).

Está bem estabelecido que a preferência musical seja capaz de influenciar os estados de ânimo positiva e/ou negativamente (EDWORTHY & WARING, 2006). Teoricamente, músicas preferidas são estímulos prazerosos que provocam uma melhora nos estados de ânimo e possivelmente no desempenho do exercício. Por outro lado, a música não preferida por ser um estímulo não prazeroso, causaria uma piora nos estados de ânimo e uma diminuição no desempenho. Em nosso conhecimento não existem estudos que tenham investigado a influência da música preferida e não preferida nos estados de ânimo e no desempenho do exercício vigoroso. A hipótese foi que a música de não preferência piore os estados de ânimo e o desempenho em exercícios realizados em intensidade vigorosa enquanto a música preferida melhora essas variáveis. Desse modo, o objetivo desse estudo foi verificar a influência da música preferida e não preferida nos estados de ânimo e no desempenho em exercícios realizados em intensidades vigorosas.

 

Resumo da pesquisa

O objetivo do presente estudo foi investigar a influência da música preferida e não preferida nos estados de ânimo e no desempenho do exercício realizado em intensidades vigorosas. A amostra foi constituída por quatro mulheres e seis homens universitários fisicamente ativos. Os sujeitos escolheram 10 músicas de preferência e 10 músicas de não preferência para a prática de exercício no cicloergômetro. Em seguida, realizaram três protocolos de testes no cicloergômetro (Música Preferida, Música Não Preferida e Sem Música) constituídos por três testes exaustivos retangulares (alta, média e baixa). Para a avaliação dos estados de ânimo foi utilizado a Lista de Estado de Ânimorreduzida e Ilustrada (LEA-RI) que foi aplicado no início e no final do teste. Essa lista é composta por sete adjetivos positivos (feliz, ativo, calmo, leve, agradável, cheio de energia e espiritual) e sete adjetivos negativos (tímido, triste, pesado, desagradável, agitado, com medo e inútil). Foram registrados o trabalho final e o tempo até a exaustão em todos os protocolos. Foi verificado que o exercício realizado em intensidades vigorosas com a presença da música preferida apresenta maiores valores dos adjetivos positivos (p < 0,05) quando comparado com a música não preferida ou sem a música. Sob exaustão, os adjetivos negativos apresentaram maiores valores quando comparado com o momento inicial. A frequência cardíaca, a concentração de lactato sanguíneo, a percepção subjetiva de esforço e o desempenho não apresentaram diferença entre os protocolos (p > 0,05). Portanto, a audição da música preferida e não preferida não influenciam o desempenho em exercícios vigorosos. Entretanto, a música preferida é capaz de melhorar os estados de ânimo positivos.

Para ler o estudo na íntegra, clique aqui: http://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/16699/18412

Autores: Priscila Missaki NAKAMURA; Silvia DEUSTCH; Eduardo KOKUBUN.

Publicação: Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.4, p.247-55, out./dez. 2008