Exames ajudam a identificar limites de atividade física para cada pessoa

16 de dezembro de 2015 ● POR

Não são raros os casos de pessoas que se exercitam sem o acompanhamento de um profissional ou mesmo que não tenham feito qualquer avaliação prévia. Situações como estas, apontam especialistas, podem ser bastante prejudiciais, como o acarretamento de lesões ou o agravamento de algumas já existentes. Por isso, todo cuidado é pouco.

Quando se começa a praticar uma atividade física, é normal que haja algum desconforto. Principalmente se é a primeira vez ou se a pessoa estava há muito tempo sedentária. “Se a dor, por exemplo, perdurar por 24, 48 horas ou mais, é sinal de alerta”, aponta o professor de educação física, Juliano Mora.

Por isso, aponta, sempre existe um limite, seja ele resultado de uma doença, da própria idade ou mesmo do condicionamento físico. Quem não presta atenção nisso acaba machucado. O advogado Bruno Nogueira Franco, que mora em Cascavel, no oeste do Paraná, descobriu isso tarde demais. Hoje sofre com dores na coluna.

“Os excessos na minha infância causaram essas dores, provocadas por um desgaste na minha coluna vertebral. Aos sete anos eu comecei a praticar luta, aos 11 anos eu comecei a fazer musculação. Iniciei sem acompanhamento. Colocava o peso, fazia como eu queria. Isso acabou gerando as limitações que eu tenho hoje”, conta.

As dores surgiram na faculdade e continuaram a atrapalhar na profissão. Como advogado, a rotina de Bruno é sempre a mesma: boa parte do dia sentado, trabalhando no escritório. “Eu sentia dores e nas pernas sentia uma certa dormência.”

Ele procurou um neurologista, que recomendou exercícios físicos, mas com acompanhamento. De segunda a sábado, três vezes por semana depois do expediente, ele vai para a academia. Em outros dois dias, Bruno faz pilates. “Há mais ou menos quatro anos eu comecei o acompanhamento com um personal trainer. As dores são menos frequentes. E, hoje tenho uma vida praticamente normal, mas sem deixar de lado o que eu gosto de fazer, que é me exercitar.”

O ortopedista Marcelo da Silva pratica cross training. Ele explica que as lesões com este tipo de atividade são mais frequentes nas articulações, como joelhos, tornozelos, ombros e coluna. “Isso é muito comum quando não se tem alguém habilitado orientando. No caso de pequenas lesões, se você não dá um intervalo para se recuperar, elas acabam não cicatrizando, o que leva a lesões maiores”, explica.

Preparação e cuidados

Até a escolha do tênis pode interferir no rendimento do treino e na saúde. Atividades de impacto pedem modelos com bom amortecimento. O primeiro passo é descobrir o estilo da pisada.

Mas, antes mesmo de se iniciar a atividade escolhida, é importante conversar com um médico, para quem se deve falar, inclusive, o histórico familiar de doenças. Outro importante teste é o cardiológico, feito na esteira, que vai mostrar o condicionamento físico e diversas informações sobre a saúde de quem está sendo examinado.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 16,6 milhões de pessoas morrem todos os anos de doenças cardiovasculares, o que equivale a um terço do total de óbitos no mundo registrados em 2001. O órgão aponta ainda que mais da metade desses casos poderia ser evitada com cuidados com a alimentação e a prática de exercícios.

Para quem busca um exame mais completo, a dica é o painel genômico. O equipeamento mapeia o DNA. Pela saliva, são analisados 140 marcadores genéticos. O exame, que custa cerca de R$ 2,4 mil, mostra, por exemplo, como o corpo processa os alimentos, como o metabolismo funciona ou se existe pré-disposição para alguma doença. A partir do levantamento, é possível formular dietas e atividade físicas que trarão um melhor resultado.

O importante, é deixar o sedentarismo e praticar uma atividade física, mas com consciência, conhecendo melhor o próprio corpo e respeitando os limites, lição que pode ser dura de aprender caso se deixe para mais tarde. “A coluna não regenera. O erro do passado não tem como corrigir mais. Mas dá pra estabilizar e tentar prosseguir daqui para frente sem as dores”, projeta Bruno.

Matéria publicada no site Globo.com