Nutrição Funcional: A modulação para um tratamento eficaz na obesidade

03 de fevereiro de 2017 ● POR

Já está bem estabelecida a relação dos alimentos com a qualidade de vida. A ingestão de alimentos da forma correta e em quantidades adequadas está intimamente relacionado com a diminuição do risco de desenvolvimento de inúmeras patologias como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares, entre outras.
A evolução do mundo moderno promoveu profundas mudanças em nossos hábitos. Hoje, nos alimentamos de forma diferente, respiramos um ar diferente e estamos em contato com novas substâncias sintéticas (tóxicas ou não) que não existiam há alguns anos. Ainda, nos movimentamos cada vez menos e somos impelidos a absorver e aprender cada vez mais informações, aumentando o estresse e desafios diários.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, desde 1980, a prevalência de obesidade aumentou mais do que o triplo em todo o mundo, sendo que esse dado não está limitado a nações desenvolvidas. A incidência da obesidade está crescendo mais agudamente naqueles países que se industrializaram rapidamente, aumentando a epidemia das doenças associadas com a obesidade, incluindo diabetes, dislipidemias, doenças hepáticas e aterosclerose.
Atualmente a obesidade é reconhecida como uma condição de baixo grau de inflamação crônica, sendo o tecido adiposo considerado um tecido ativo com função endócrina. A inflamação induzida pela obesidade é considerada um mecanismo potencial envolvido em patologias metabólicas como resistência à insulina, diabetes tipo 2, esteatose hepática, aterosclerose, doenças imunológicas e diversos tipos de câncer (HOTAMISLIGIL, 2006).
Estudos com humanos indicam que a obesidade pode independentemente aumentar o risco de doenças associadas com inflamação caracterizadas pelos níveis elevados de moléculas pró-inflamatórias e proteínas no sangue de indivíduos obesos quando comparados aos níveis de indivíduos não obesos (OBANDA et al., 2014).
Considerando esses aspectos inflamatórios envolvidos na obesidade, a Nutrição tem papel essencial já que por meio de diferentes alimentos anti-inflamatórios poderá modular o estado inflamatório crônico, conforme descrito a seguir:

  • Ácidos graxos ômega-3: têm diversos efeitos à saúde, incluindo modulação da cascata inflamatória, reduzindo níveis de marcadores inflamatórios como Proteína C-reativa, interleucina-6 e TNF-alfa (ELLULU et al., 2015).
  • Capsaicina: composto bioativo presente na pimenta vermelha, tem importante efeito anti-inflamatório na obesidade e diversos estudos indicam redução dos níveis de marcadores inflamatórios (KANG et al., 2010).
  • Gengibre: com mais de 115 compostos já identificados e potente ação anti-inflamatória, também pode contribuir na modulação da obesidade, principalmente quando associado à prática de atividade física (ATASHAK et al., 2011).
  • Curcumina: presente na cúrcuma (GANJALI et al., 2014).

Nesse sentido, observamos que o manejo da obesidade pela nutrição vai muito além do equilíbrio entre calorias ingeridas e calorias gastas – há fatores metabólicos complexos envolvidos que podem ser influenciados diretamente pelos alimentos, nutrientes e compostos bioativos. Além do aspecto inflamatório, outros fatores estão envolvidos na etiologia da obesidade incluindo alteração da saúde intestinal, desequilíbrios imunológicos, problemas de destoxificação hepática, desequilíbrio de micronutrientes e desordens hormonais – e todos esses fatores têm relação direta com a qualidade da alimentação consumida.
ANA BEATRIZ BAPTISTELLA
Nutricionista pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Coordenadora do departamento científico da VP Consultoria Nutricional. Coordenadora científica da Revista Brasileira de Nutrição Funcional. Autora, colaboradora e revisora dos livros da Coleção Nutrição Clínica Funcional publicados pela VP Consultoria Nutricional. Membro do The Institute for Functional Medicine. Membro do Conselho Fiscal do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional – biênio 2014/2016; Atendimento clínico funcional em consultório particular.