Treinamento funcional é muito mais que puxar e empurrar: é o resgate dos exercícios psicomotores

06 de abril de 2018 ● POR Redação

Como educadora física e psicomotricista eu me pergunto se as crianças em atendimento de psicomotricidade podem estar fazendo treinamento funcional e se os adultos em treinamento funcional podem estar fazendo psicomotricidade?
Hoje em dia fala-se muito em treinamento funcional, que para o público em geral é uma novidade que invadiu as academias e salas de personal, além disso, surgiram algumas franquias em torno disso, visando organizar, adaptar e/ou monopolizar algo que faz parte da natureza humana.

Por outro lado, a Psicomotricidade, para o público leigo ou que já ouviu falar sobre, ainda, está associada às possíveis deficiências físicas ou cognitivas, que uma criança possa ter.

São duas visões estereotipadas que a sociedade contemporânea tem a respeito de ambas as modalidades, oferecendo um conceito novo para um elemento antigo no que diz respeito ao treinamento e um conceito antigo a um elemento novo, no que diz respeito à Psicomotricidade.

A Psicomotricidade como ciência abrange algumas áreas que diferem em seu campo de atuação por isso vamos nos atentar a área de Educação Psicomotora que, geralmente, é onde encontramos um grande número de profissionais de educação física psicomotricistas, além disso, esta área da Psicomotricidade apresenta objetivos comuns aos do treinamento funcional tais como, utilização dos padrões fundamentais do movimento humano: saltar, lançar, pegar, empurrar, puxar, agachar, girar, rolar, escalar, rastejar, entre outros.

Tanto a educação psicomotora quanto o que conhecemos como treinamentos funcionais propõem a ação de todo o corpo para a realização de um ato motor específico oferecendo estimulação sensório-motora, controle musculoesquelético, consciência corporal, orientação espaço-temporal, regulação do?tônus?e do?equilíbrio.
A grande diferença entre estas duas modalidades é o fato de que a Psicomotricidade estuda, avalia e entende o comportamento do indivíduo pela forma que ele se movimenta com base em três pilares fundamentais: a cognição, a afetividade e o movimento.
E se buscarmos os primeiros métodos de ginástica na história da Educação Física, encontraremos o que hoje chamamos de treinamento funcional nos Métodos: Alemão, Francês, Sueco e no Método Natural de George Hébert.

Mas se nos atentarmos aos tipos de movimentos que estas duas abordagens propõem, nas habilidades que seus praticantes desenvolvem e nos benefícios que elas oferecem, já que, o treinamento funcional e a Psicomotricidade parecem estar alinhados nestes aspectos e perceberemos que com franquia ou sem franquia, com um “coach” ou com um “psicoprofessor”, sendo criança querendo aprender ou sendo adulto querendo emagrecer eles se divertem saltando em caixas, subindo em cordas, apostando corrida, fazendo paradas de mão e ficam felizes sendo indivíduos mais habilidosos em seu dia a dia. Por isso, a Psicomotricidade é funcional e o treinamento físico se torna psicomotor quando é funcional.