Fases da carreira profissional:
A grande maioria das carreiras profissionais passa por quatro diferentes fases, com características próprias. Essas fases guardam certa relação com a idade do profissional. Então, lendo a descrição delas abaixo, você poderá saber se está mais adiantado, mais atrasado ou na fase em que deveria. Veja lá:
1) Dos 18 aos 25 anos - Fase do Aprendizado. Este aprendizado pode ocorrer pelo acúmulo de informações de Cursos de Nível Superior ou de Cursos Profissionalizantes de nível Técnico, pelo acúmulo de experiências em estágios, ou ainda (o que é cada vez mais raro) pelo acúmulo de experiências práticas, em empregos que, apesar de simples, oferecem possibilidades de se fazer carreira. É a fase em que o jovem tem a impressão de que ganha menos do que deveria ganhar e de que tem menos oportunidades do que deveria ter. E é verdade. Esta diferença entre o que ele ganha e o que deveria ganhar, pode-se dizer que é o custo do seu aprendizado.
Para os que optaram (ou pelo menos estão optando) pela carreira acadêmica, é a fase de total dedicação aos estudos e de começar a montar a sua network acadêmica dentro do país.
Do ponto de vista pessoal, é interessante que a pessoa ainda esteja solteira, pois normalmente mal pode sustentar-se ainda. Uma família a esta altura, trará demandas (de dinheiro, de tempo) às quais o jovem terá de fazer frente e, para isso, poderá ter de desistir prematuramente do seu aprendizado em favor de uma colocação mais bem remunerada.
2) Dos 26 aos 34 anos - Fase da Coragem (ou do Investimento). Nesta fase o profissional já deve ter aprendido todas as coisas básicas essenciais de sua atividade e, por isso, deve procurar todas as opções possíveis de colocação para iniciar seu processo de focagem nesta ou naquela ocupação específica, seja dentro da empresa em que já está estagiando, ou fora dela. Essa é a fase das grandes mudanças: de empresa, de cidade e até mesmo de país.
Nesta fase, muitos jovens Mestres ou Doutores já passaram a integrar o corpo docente de inúmeras Faculdades e estão em fase de consolidar a sua carreira acadêmica naquela instituição. É comum que, em função de suas atividades, sua network ganhe um caráter internacional.   Do ponto de vista pessoal, nesta fase a pessoa, se já formou família (somente cônjuge ou cônjuge e filhos pequenos), deve saber que as mudanças citadas anteriormente poderão obrigá-lo a deslocar também a sua família (entenda trabalho para a esposa e creche/pré-escola para os filhos), ou então que o seu trabalho lhe imporá ausências que podem significar grandes sacrifícios de ordem afetiva.
3) Dos 35 aos 45 - Fase da Colheita. Nesta fase o profissional deve receber de volta os frutos dos investimentos que fez em sua carreira. Nesta altura a sua focagem já deve estar bem estabelecida em termos de ocupação profissional. Aqui normalmente ocorrem as principais promoções para cargos melhores e o seu salário deve dar um belo salto. Como medida, em média o salário de um profissional de 40 anos deveria ser, no mínimo, dez vezes maior do que o de um jovem de 20.
Nesta fase, o professor universitário deve estar na fase mais produtiva de sua vida, assumindo laboratórios, coordenando grupos de estudo, participando ou presidindo bancas, orientando pós-graduandos ou ainda pleiteando uma Livre Docência ou cargos ainda mais elevados. Muitos partem para um Pós-doutorado fora do país.
Do ponto de vista pessoal, a menos que você tenha vocação para cigano, é interessante que o profissional já tenha criado raízes geográficas: seus filhos, entre a idade escolar e a adolescência, precisarão muito da sua presença e do estabelecimento de um círculo mais estável de amizades.
4) Dos 46 anos em diante - Fase da Inércia. Aqui, o funil das boas oportunidades fica mais estreito e, por isso, poucos passarão por ele. Nesta fase o profissional acredita que tem a mesma energia dos jovens de 25 com a vantagem de ter mais experiência. Isso normalmente é até verdade, mas como o mercado de trabalho é meio cruel e não costuma ver as coisas assim, começa aqui a busca por estabilidade.
Para o professor Universitário, esta fase tende a continuar sendo bastante produtiva, com o acréscimo de atividades de consultorias externas, que procuram aproveitar a preciosa combinação de conhecimento acadêmico e experiência acumulada. Muitos docentes, após a sua aposentadoria na carreira formal, acabam abrindo serviços autônomos de consultoria em suas áreas de atuação.
Do ponto de vista pessoal, por já estarem na reta final de suas carreiras profissionais e com os filhos criados (praticamente adultos e frequentemente já trabalhando e/ou na Faculdade), muitos começam a planejar a sua fase pós-aposentadoria: uns para descansar de fato e outros para dar uma guinada em suas vidas profissionais, assumindo atividades autônomas que lhes tragam, além de complementação financeira, ao prazer de sentirem-se produtivos por mais uma ou duas décadas.
É importante que se diga que estas fases não são necessariamente obrigatórias, ou seja, algumas vezes um profissional pode conseguir ou até precisar pular uma ou outra delas, dependendo de algumas condições (o poder de sua network, da ajuda que pode ter de pais ou familiares já engajados na profissão que abraçou, na sua aprovação em concursos, etc.). Não é impossível, mas é difícil. E vai ficando mais difícil com o passar dos anos.
Equipe do PORTAL DA EDUCAÇÃO FÍSICA Baseado em coluna do Consultor Max Gehringer para a Rádio CBN em 04/07/0 |