Como reequilibrar a vida das crianças e abrir espaço para o brincar livre

03 de maio de 2016 ● POR

Brincar livre é uma etapa fundamental do desenvolvimento das crianças, mas vêm perdendo espaço. O excesso de atividades extracurriculares, a superproteção dos pais e o crescente tempo em frente às telas criam barreiras para outros tipos de brincadeiras. Pesquisa feita por OMO mostrou que 89% dos pais brasileiros dizem que seus filhos preferem esportes “virtuais”, ou seja, no computador ou tablet, a praticá-los na vida real.

Há uma necessidade urgente de reequilibrar a rotina das crianças, pois elas estão deixando de lado o brincar livre, a exploração e a descoberta, essenciais para o desenvolvimento delas. O levantamento feito por OMO apontou também que 48% dos pais no Brasil acham que os filhos poderiam ter melhor equilíbrio entre os diferentes tipos de brincadeira. E 40% pensam que eles poderiam brincar mais ao ar livre.

“Uma criança livre para brincar estabelece as regras, inventa, fantasia, muda no meio do caminho. Esse é o livre brincar, que desenvolve várias competências socioemocionais e físicas”, explica a especialista em educação e presidente do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Mais brincadeiras criativas
Os pais gostariam que seus filhos tivessem brincadeiras mais criativas e físicas, em vez de passarem tanto tempo em frente às telas. Segundo a pesquisa feita por OMO, mesmo os pais que admitiram um desequilíbrio na rotina dos filhos gostariam que eles tivessem mais brincadeiras criativas (35%), brincadeiras físicas (30%) e brincadeiras construtivas (19%).

Para Priscila, as famílias precisam criar um espaço no dia da criança para o livre brincar. “Tem que entrar na agenda da família que é importante brincar. A família pode dizer: agora nada de tela. A criança, mesmo que reclame, vai naturalmente buscar algo para ela brincar, então é dado esse espaço, e ela começa a brincar”, explica.

Compromisso com o reequilíbrio
O estudo mostrou que 84% dos pais acham que as crianças são mais criativas quando brincam sem a tecnologia. Há vários tipos de brincadeiras para reequilibrar a rotina dos filhos: em um momento, as crianças podem se dedicar a brincadeiras criativas, como pintar, desenhar, inventar histórias… Em outro, podem se envolver com atividades físicas, como dançar, andar de bicicleta, brincar de pega-pega.

Brincadeiras na água, por exemplo, são incríveis para as crianças. Despertam curiosidade, experimentação e imaginação. Com o uso de objetos da casa, você pode ajudar o seu filho a criar uma pequena cachoeira ou rio, mesmo em uma pequena área externa ou apartamento. Se for dentro de casa, utilize o banheiro ou a área de serviço. Ao ar livre, use um canto do jardim por onde a água possa escorrer e se infiltrar na terra depois da brincadeira.

Esportes ou brincadeiras físicas também são muito positivos e seus benefícios podem se estender ao longo da vida. Nos esporte infantil as crianças podem, ao mesmo tempo, cuidar da saúde, fazer novas amizades e aprender a integrar um time. Você não tem um espaço seguro perto de casa? Tire um dia para levar seus filhos ao parque, à pracinha ou outro espaço público.

“Claro que os ambientes são diferentes na praia, na floresta, no campo e na cidade. O importante é darmos oportunidades para as crianças, em toda parte do Brasil, brincarem nas diversas áreas e situações em que vivem”, diz o pedagogo e mestre em educação Vital Didonet.

Em parceria com pais, educadores e outros especialistas em desenvolvimento infantil, OMO está investigando as melhores maneiras de ajudar as crianças a brincar, explorar e se sujar todos os dias, para que assim possam aprender e se desenvolver em todo o seu potencial.

Matéria publicada no site do GShow.