Paratleta e mãe enfrentam juntas corridas com força de vontade

09 de maio de 2013 ● POR

Amor de mãe é um só, mas cada uma tem a sua forma especial de demonstrar.

Beatriz Schaefer Pineda é uma adolescente companheira, amiga e “totalmente parceira”, como define sua mãe, a professora Claudia Schaefer. Fanática por corrida de rua, Bia conta os dias da semana para os domingos.

“Tenho um calendário bem grande na cozinha para ela ter noção de tempo e se organizar e ela marca os domingos, que são os de treino ou corrida”, explica Claudia, que nesse sábado (11/05) comemorará os 18 anos de Bia com uma corrida entre amigos.

A única diferença entre Bia e os demais corredores é que ela participa das provas e faz seus treinos sentada em uma cadeira de rodas. A jovem paratleta nasceu com deficiência auditiva, física e mental, mas desde que experimentou a corrida, não quis mais deixar o esporte de lado.

“Um dia eu a levei para treinar marcha, porque agora ela começou a aprender a andar, e nesse dia eu resolvi trotar enquanto ela estava na cadeira. A resposta que ela me deu, não sei se foi por causa da sensação do vento batendo no rosto, foi de muita felicidade!”, conta Claudia.

A partir desse dia, mãe e filha se tornaram uma só corredora. A paixão que a professora tinha pelas corridas se transferiu para a filha e agora a rotina de Bia, que já era agitada, passou a ter dois treinos semanais. “A sensação que ela tem é tão gratificante que agora nós estamos treinando para uma maratona”, enaltece a mãe.

Meia maratona e corrida de montanha- A estreia de Bia e Claudia em provas aconteceu de uma forma inesperada, pois nenhuma das duas estava preparada para o primeiro desafio, uma corrida de dez quilômetros promovida pelo Sesi no Parque Ecológico, em São Paulo.

“O piso do parque não é nada bom para cadeira de rodas, por causa dos galhos e terra, mas mesmo assim resolvi arriscar. Surpreendentemente eu consegui correr e foram dez quilômetros que corri com o coração. Não eram minhas pernas, não era eu que estava correndo, era o meu coração, que batia forte de alegria e de poder estar fazendo isso por ela”, relembra Claudia.

Segundo a mãe, durante as sessões de fisioterapia em que Bia treina seus primeiros passos, ela não quer andar e sim correr e isso acaba resultando em alguns tombos, mas isso não impede a adolescente de continuar tentando ou diminui sua vontade de correr.

“Todo sábado véspera de prova eu faço com que ela vá cedo para cama e explico que no dia seguinte tem corrida. No domingo, logo às 4h, eu nem preciso falar com ela duas vezes, porque ela já fica em pé esperando a gente sair”.

De todas as corridas concluídas por Bia e Claudia a mais longa foi a Meia Maratona de São Paulo, mas a que proporcionou maior aventura foi uma prova de montanha, que por alguns trechos corredores ajudaram Bia a descer trilhas ou subir alguns trechos.

Nova cadeira de rodas- Claudia explica que por muito tempo Bia correu em uma cadeira de rodas simples até que a exposição da força de vontade da adolescente despertou em um doador a vontade de ajudar a menina. “Hoje nós temos uma cadeira para corrida, que na verdade é um triciclo. O maior desafio é aumentar a resistência dela para conseguirmos fazer uma maratona”, explica a mãe.

Claudia ressalta que a corrida tem ajudado muito na melhora da condição de vida de Bia. A maior importância disso acontece na inclusão social que o esporte tem promovido à adolescente. “Crianças que são especiais aprendem muito mais estando ao redor de pessoas que não têm nenhuma dificuldade e nas corridas eu sempre corro no meio da multidão e isso é muito emocionante”, encerra.

Matéria publicada em portal Webrun