Vítimas de bullying são seis vezes mais propensas a doenças grave na vida adulta

21 de agosto de 2013 ● POR

Doenças, esforço para manter emprego e relações sociais ruins são efeitos enfrentados por crianças mais tarde na vida.

Pesquisadores da Warwick University, no Reino Unido e da Duke University, nos EUA, demostraram que os efeitos do bullying praticado na infância duram por muito tempo na vida adulta.

Os resultados mostram que doença grave, esforço para manter um emprego regular e relações sociais pobres são apenas alguns dos efeitos adversos enfrentados, na idade adulta, por aqueles expostos ao bullying na infância.

Há muito tempo se reconheceu que o bullying em uma idade jovem representa um problema para as escolas, pais e formuladores de políticas públicas. Embora as crianças passem mais tempo com seus colegas do que com seus pais, há relativamente poucos estudos publicados sobre a compreensão do impacto dessas interações em suas vidas além da escola.

A pesquisa atual, publicada na revista Psychological Science, destaca que problemas relacionados com a saúde, a pobreza e as relações sociais são agravados pela exposição ao bullying. Segundo os pesquisadores, o estudo é notável porque revela muitos fatores que vão além de resultados relacionados à saúde.

A equipe de pesquisadores foi além do estudo das vítimas e investigou o impacto sobre todos os afetados: as vítimas, os próprios agressores e aqueles que se enquadram em ambas as categorias, os chamados “Bully-vítimas”.

“Nós não podemos continuar a ignorar o bullying como se ele fosse inofensivo, quase inevitável ou parte do crescimento. Precisamos mudar essa mentalidade e reconhecer isso como um problema sério tanto para o indivíduo quanto para o país como um todo, os efeitos são duradouros e significativos”, afirmam os autores.

A análise mostrou que as vítimas da intimidação tinham maior risco de problemas de saúde na idade adulta, mais de seis vezes mais probabilidade de serem diagnosticados com uma doença grave, eram fumantes regulares ou desenvolver um transtorno psiquiátrico em comparação com aqueles que não estavam envolvidos no bullying.

Os resultados mostram que Bully-vítimas é talvez o grupo mais vulnerável de todos. Este grupo pode praticar o bullying depois de ser intimidado e não ter a regulação emocional ou o apoio necessário para lidar com ela.

“No caso de Bully-vítimas, o estudo mostra como o bullying pode se espalhar quando não tratado.Algumas intervenções já estão disponíveis nas escolas, mas novas ferramentas são necessárias para ajudar os profissionais de saúde a identificar, monitorar e lidar com os maus efeitos do bullying”, destacam os autores.

Todos os grupos eram mais do que duas vezes mais propensos a ter dificuldade em manter um emprego em comparação com aqueles que não estavam envolvidos em bullying. Como tal, eles apresentaram uma maior propensão para serem pobres na idade adulta jovem.

No entanto, o estudo revelou muito poucos efeitos nocivos de ser o “valentão”. O ato de praticar o bullying em si não parecem ter um impacto negativo na vida adulta.

A equipe acredita que é importante encontrar maneiras de eliminar a necessidade dessas crianças para intimidar os outros e, com isso, proteger as muitas crianças que sofrem nas mãos dos “valentões”.

Embora não tenham mostraram nenhuma diferença real na probabilidade de ser casado ou ter filhos, todos os grupos apresentaram dificuldade em formar relacionamentos sociais, especialmente quando se tratava de manter amizades de longo prazo ou de boas relações com os pais na idade adulta.

Matéria publicada em portal iSaúde