Atividades circenses vão à escola

01 de abril de 2012 ● POR Redação

Além da diversão, as atividades realizadas no ambiente circense podem ensinar muito mais que acrobacias.

Palhaços, malabaristas, trapezistas e outros artistas não são mais privilégio das lonas multicoloridas em cartaz com seus espetáculos em vários bairros de Fortaleza. O circo agora também faz parte do cotidiano de crianças e adolescentes de várias escolas particulares.

De acordo com a coordenadora pedagógica do Colégio Oliveira Lima, Sara Soeiro, nas aulas, os pequenos enriquecem as vivências e aprendem valores para toda a vida, como a autonomia e a capacidade de trabalhar em grupo. “A proposta vai além de aprender a arte circense, mas também trabalhar as áreas motoras e muscular, assim como diminuir a timidez”, explica.

Na escola, o circo e o teatro são atividades extracurriculares que funcionam no contraperíodo das aulas convencionais, desde o ano passado, duas vezes por semana. “É uma escolinha para os que se matricularam em período integral, assim como o vôlei, o inglês e o futebol”, disse a coordenadora pedagógica.

Para Sara Soeiro, os efeitos são mais que positivos nos alunos. “Aqui, temos crianças de quatro anos que já sabem andar de perna-de-pau. Outra aluna, sempre calada e quieta, se transforma ao apresentar os números de circo para os colegas e fazê-los rir”, exemplifica.

Nessa escola, quem dá as aulas de circo é a Companhia de Teatro Plural, dirigida pelo dramaturgo e jornalista Tonico Lacerda Cruz. Além do Colégio Oliveira Lima, a companhia ainda ministra aulas em mais seis escolas e também disponibiliza um curso de circo aos sábados, direcionado a todas as idades.

Para o dramaturgo, o circo tem efeitos diferentes nas crianças e adolescentes. “Como na infância a consciência corporal ainda está em formação, ao exercitarmos o senso de equilíbrio, melhoramos a independência e a autoestima. Já no adolescente, ligado às redes sociais e acostumado a longos períodos na frente do computador, desconstruímos a ideia de que o exercício físico não é prazeroso”.

Outro aspecto importante apontado por Tonico Lacerda, no exercício da arte circense com as crianças, é a consciência emocional. “O começar de novo ensina que tudo na vida vem através de um esforço continuado e que não devemos desistir facilmente de nossos objetivos”.

A jornalista Beatriz Diniz, mãe de Kauan, de 4 anos, é só elogios para os efeitos gerados pela atividade. “Quando tem aula meu filho volta pra casa contando que andou de perna-de-pau. Para ele, é só uma brincadeira. Para mim, é uma forma lúdica de aprender valores para a vida toda. Além de outros benefícios, inclusive físicos, o bom-humor é essencial na vida”, diz.

Para os que se interessaram pelas aulas, no Bom Jardim e no Conjunto Palmeiras, existe o projeto Circo Escola, gratuito, voltado para a faixa de 8 a 17 anos, disponível para os moradores daqueles bairros. Outra opção é o Encontro Cearense de Malabares, com entrada franca e aulas gratuitas, neste sábado, dia 24, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, às 17 horas.