Tênis nas escolas: conheça benefícios para os alunos

27 de julho de 2018 ● POR Redação

Muitos irão se perguntar, como introduzir o Tênis nas escolas?

Por que o Tênis dentre tantas modalidades populares?

Mas e o material adequado? Custa caro… Então vamos quebrar paradigmas, mostrando que é possível introduzir o Tênis nas escolas.

Segundo o site Terra (2018) em uma pesquisa realizada pela Sports Marketing Surveys, 2,3 milhões de pessoas praticam Tênis no Brasil, sendo o 4º esporte mais praticado no país. Pode-se dizer que o Tênis está se popularizando e seus praticantes estão se beneficiando de aspectos importantes para o cotidiano. O Tênis estimula e desenvolve no indivíduo a sua capacidade aeróbia e anaeróbia, requerendo força e resistência muscular significativa, coordenação, agilidade e equilíbrio (REID; QUINN; CRESPO 2003).

De acordo com Groppel e DiNubile (2009) os jovens jogadores de Tênis apresentam resultados mais elevados nos índices de vigor, otimismo e autoestima e resultados mais baixos em depressão, ressentimento, confusão, ansiedade e tensão, quando comparados com outros atletas e não atletas.

Da mesma forma, é importante saber das dificuldades que são encontradas no processo de adaptação esportiva, porém não se pode descartar possibilidades por simples fato de “achismo”. Foi assim que se tornou memorável, até em dias atuais, a fala do ex-presidente da República Luiz Inácio da Silva, segundo a Folha de São Paulo (2010), ao ser questionado por um garoto morador da comunidade do Rio de Janeiro, durante a inauguração de um projeto social, do porquê não haver quadras de Tênis no projeto. Lula respondeu que ele deveria optar pela natação, pois Tênis é esporte de burguês.

Apesar de ainda ser considerado elitista, atualmente temos grandes projetos comprometidos com a massificação do Tênis no Brasil. Um deles é o Jogue Tênis nas Escolas, realizado em diversos estados do Brasil, onde a CBT (Confederação Brasileira de Tênis) é responsável pela iniciativa com intuito de fomentar o Tênis de base. Já para os colégios da prefeitura (CEUs) existe o projeto circuito “Tênis para todos”, que possui parcerias com o CADES – Instituto Cidadania Através do Esporte e patrocínio do Banco Itaú, dentre outros inúmeros projetos sociais com menos mídia.

Para a Crespo e Miley (1998), o Tênis praticado nas escolas poderia proporcionar benefícios a nível do desenvolvimento motor, mental, emocional, social, intelectual, moral e físico dos alunos. Segundo a Confederação Brasileira de Tênis, a melhor forma para disseminar a prática do esporte, é capacitar professores e profissionais de Educação Física. Algumas Universidades de Educação Física já possuem o Tênis em sua grade curricular, assim sendo um ponto positivo para os graduando em sua formação acadêmica. Nesse sentido, os professores de Educação Física são capazes de trazer ao Tênis conhecimentos gerais sobre Educação Física de base, pois a sua formação acadêmica inclui conhecimentos de biomecânica, didática, pedagogia, organização do ensino, fisiologia, entre outros, o que o transforma no candidato ideal para a difusão e desenvolvimento do Tênis na escola (CRESPO; MILEY, 1998).

A implantação do mini-Tênis nas escolas é o melhor caminho para que milhares de crianças tenham a oportunidade de poder desenvolver os golpes básicos do Tênis e aprender um novo esporte. Desta forma, De Paula, Carlos Balbinotti (2009) apontam que a iniciação ao Tênis na infância frequentemente é entendida e orientada pelo ensino convencional dos fundamentos técnicos do esporte, porém, se levarmos em conta as necessidades das crianças e suas reais capacidades nessa etapa do desenvolvimento, é preciso romper com essa metodologia de ensino, que representa uma proposta de metodologia unicamente mecanicista, caracterizada pela monotonia de exercícios repetitivos. Desta forma, o mais adequado é uma iniciação em que se enfatize a formação de uma base motora rica e variada que contribuirá também para a aprendizagem de outras modalidades esportivas e habilidades da vida diárias.

Após muitos anos sem um modelo especificamente delineado para o ensino do Tênis para crianças no Brasil, a Confederação Brasileira de Tênis, adotou a partir de 2007, o programa Play and Stay, desenvolvido pela Federação Internacional de Tênis (ITF), reconhecida internacionalmente, já implementada com sucesso em alguns países, como Bélgica, França, Holanda, Inglaterra, Suíça e Estados Unidos. Este modelo de ensino proporciona maior prazer em praticar, pois se recomenda aulas em grupos de crianças, respeitando suas necessidades num pensamento humanista. Havendo grande semelhança com atual mini-Tênis aplicado nos colégios. Vianna e Lovisolo (2011) dizem que o esporte é um meio importante de socialização por conseguir atingir valores como coletivismo, amizade e solidariedade, que são relevantes para vencer a pobreza. O esporte quando bem direcionado poderá trazer benefícios para toda a vida, pois o que a criança vivenciar no esporte, em alguns casos servirá de referência para a tomada de algumas decisões que influenciará no seu cotidiano.

O site Tênis (2016) destaca que precisamos fazer com que as crianças brinquem mais nas aulas de Tênis. Mas, oferecer brincadeiras legais na quadra e tornar a aula divertida não é suficiente. A criança precisa aprender e melhorar, evoluir técnica e taticamente. O desafio do professor é acertar na medida, ou seja, transformar o comportamento motor da criança na direção de golpes biomecanicamente eficientes, num ambiente lúdico, cativante e seguro, tanto emocional como fisicamente. Seguindo esta linha de pensamento podemos dizer que brincar é sinônimo de aprender, pois o brincar e o jogar geram um espaço para pensar, sendo que a criança avança no raciocínio, desenvolve o pensamento, estabelece contatos sociais, compreende o meio, satisfaz desejos, desenvolve habilidades, conhecimentos e criatividade. Interações que o brincar e o jogo oportunizam favorecem a superação do egocentrismo, desenvolvendo a solidariedade e a empatia, e introduzem, especialmente no compartilhamento de jogos e brinquedos, novos sentidos para a posse e o consumo. Tanto Vygotsky (1984) quanto Piaget (1975) sustentam que o desenvolvimento não é linear, mas evolutivo e, nesse trajeto, a imaginação se desenvolve. Uma vez que a criança brinca e desenvolve a capacidade para determinado tipo de conhecimento, ela dificilmente perde esta capacidade. É com a formação de conceitos que se dá a verdadeira aprendizagem e é no brincar que está um dos maiores espaços para a formação de conceitos.

O jogar Tênis exige uma concentração e atenção que se bem orientadas, poderão se tornar um bom pressuposto para as atividades teóricas relacionadas com as disciplinas escolares. No Tênis, o aspecto da concentração é fundamental para a prática do mesmo, sendo assim, o componente atenção é primordial para que se desenvolvam os aspectos inerentes ao mesmo (TOROK; BUENO, 1983), mas o aspecto desenvolvimentista do Tênis pode ir além. Para SIQUEIRA (1991), “O Tênis é um jogo que envolve movimentos físicos de outros esportes tais como: correr, saltar e arremessar, e usa atributos básicos de rapidez, destreza e resistência, desenvolvendo e exigindo uma boa coordenação motora. Este mesmo autor constata ainda que o Tênis tem o aporte de desenvolver três pontos de coordenação:

1-desenvolvimento da coordenação grossa;

2- desenvolvimento da coordenação fina;

3- estabilização da coordenação fina;

Para desfazer qualquer tipo de dúvida ou barreira para a prática do Tênis escolar, serão propostos materiais alternativos diversos como segue:

  • RAQUETE pode ser fabricada em madeira (cedro, por ser resistente e leve) devendo ter o diâmetro de 12 a 15 cm e comprimento da cabeça entre 15 e 20 cm (forma elíptica). O comprimento total da raquete (cabeça mais cabo) não deve ultrapassar 35 cm;
  • BOLA não precisa ser necessariamente a oficial, que tem um custo mais elevado, pode ser qualquer tipo de bola que pique e que seja de circunferência semelhante a uma bola oficial.
  • REDE (divisória da quadra). Pode ser facilmente substituída por cordas de nylon, elásticos, barbantes etc., amarrados em cadeiras ou mesas. A altura da rede não deve ultrapassar 80 cm do solo. Outra sugestão é aproveitar toda extensão da área e com auxílio de 2 mini postes de madeira ou bambu fixos no chão ou piso, amarrar uma grande cordinha de nylon e criar tantas mini quadras quantas forem possíveis.

Por fim, encerra-se com uma reflexão: o que é realmente praticar Tênis para as crianças? Pode ser bater bola na parede, utilizar a garagem ou até mesmo para os mais apaixonados que exibem sua destreza na sala de casa.

Pensem nisto!

Referencias bibliográficas:

CASTANHO, M. E. (Org.). Temas e textos em metodologia do ensino superior. Campinas: Papirus, 2001.

CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE TÊNIS. Acessado 19 julho 2018.Disponível em:   http://www.cbt-tenis.com.br

Confederação Brasileira firma parceria e lança circuito amador de tenis, 2018 .acessado em 19 julho 2018. Disponível em: https://www.terra.com.br/esportes/tenis/confederacao-brasileira-firma-parceria-e-lanca-circuito-amador-de-tenis,af25fb4ffe9eb12f7cc6a56ba51fdb05a7sck817.html

CRESPO, M.; MILEY, D. ITF School Tennis Iniciative: Teacher’s Manual. International Tennis Federation, ITF Ltd., London, 1998

GONÇALVES, G. H. T, et. al. Contribuições da competição de tênis na educação e formação de crianças. Journal of Physical Education, v. 27, n. 1, p. 2738, 2016.

GOPPEL, J.; DiNUBILE, N. Tennis: For the health of it! The Physician and Sportsmedicine, 2(37), 40-50, 2009.

PAULA. R. P.; BALBINOTTI, C . A iniciação do Tênis na infância: os primeiros contato com a bola e raquete . 2009. Acessado em 19 julho 2018. Disponível em : http://srvd.grupoa.com.br/uploads/imagensExtra/legado/B/BALBINOTTI_Carlos/Ensino_Tenis/Lib/Amostra.pdf

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

REID, M.; QUINN, A.; CRESPO, M. Strength and Conditioning for Tennis. International Tennis Federation, ITF Ltd, London, 2003.

SIQUEIRA, M. Tênis : jogando melhor. Rio de Janeiro: Objetiva Ltda. e. 1, 1991.

TENIS; como equilibrar técnica e brincadeira nas aulas para crianças. 2016.acessado em 19 julho 2018.Disponível em: https://revistatenis.uol.com.br/artigo/como-equilibrar-tecnica-e-brincaideira-nas-aulas-para-criancas_13830.html

TOROK, J.R.; BUENO, M.E. Tênis : o jogo do equilíbrio. Rio de Janeiro: Salamandra, e. 1, 1983.

VIANNA, J. A.; LOVISOLO, H. R. A inclusão social através do esporte: a percepção dos educadores. Revista brasileira de educação física e esporte, v. 25, nº 2, p.285-96, 2011.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

WECHSLER, S. M.. A educação criativa: possibilidade para descobertas. Temas e textos em metodologia do ensino superior, v. 3, p. 231-59, 2001.

Prof. Esp. Marcos Oliveira é Professor de Tênis no Clube Monte Líbano e especialista em Psicologia do Esporte pela Universidade Estácio
Dr. Flávio Rebustini – Coordenador da Pós-Graduação da Universidade Estácio e membro do LEPESPE