Correr duas vezes (ou mais) em um dia faz mal?

24 de janeiro de 2017 ● POR

Para alguns pode parecer loucura, mas realizar mais de um treino de corrida em um único dia pode ser uma opção interessante para diversos tipos de corredores, variando desde aqueles que não possuem tempo para fazer treinos longos (e querem fazer provas longas), até aqueles que querem reduzir seu tempo em provas mais curtas.
Nosso corpo possui uma boa capacidade de adaptação, modelando-se conforme os estímulos que damos a ele. Por esse motivo, uma pessoa que treina força faz o músculo ficar mais forte, da mesma forma que se ela treinar resistência, o mesmo ficará mais resistente.
Logo, quando decidimos realizar treinos com um tempo menor de intervalo entre eles, nosso organismo começa a desenvolver mecanismos mais eficientes de recuperação, buscando mais fontes de energia e ferramentas distintas para que consiga manter um bom rendimento durante as atividades.
O resultado desta adaptação toda é uma melhora na performance com o passar do tempo. Ele é um dos (entre outros) princípios dos estudos que demonstram que realizar atividades físicas paralelas como bike, musculação e natação melhoram o desempenho durante as corridas, justamente porque, além do estímulo muscular diferenciado, reduzimos o tempo de descanso entre um treino físico e outro, obrigando nosso sistema a se recuperar mais rapidamente e gerar energia com mais eficácia.
Agora, por favor, não saia correndo o dobro do que corria. Não mesmo! Geralmente, quando se faz mais de um treino ao dia, o volume neste e nos outros dias é fragmentado.
É preciso planejar os treinos para a semana toda, fazendo as adaptações necessárias e não esquecendo, de jeito nenhum, dos períodos de descanso mais longos, quando necessários.
Para se ter uma ideia, posso citar o que estou fazendo recentemente. Como uma preparação, passei a treinar dois dias seguidos e tendo na sequência um dia de descanso.
Depois de um tempo adaptado, resolvi escolher um ou dois dias na semana para fazer dois treinos, um de manhã e outro à noite, antecedendo o dia de descanso.
Nesses dias, em que antes eu faria algum treino de mais ou menos 15 km, comecei a fazer dois de 9 km; às vezes, um de 10 km pela manhã e outro de 6 km à noite, com ritmo mais forte. No começo, o treino noturno rendia menos, mas com o tempo fui me acostumando e hoje em dia é notável a melhora na resistência das pernas em treinos mais longos.
Enfim, existem diversas possibilidades e variações que podem ser aplicadas ao seu nível de corrida e aos seus objetivos.
Mas antes de sair experimentando novos treinos longos, é fundamental que conheça bem o seu corpo e, sempre que possível, converse com o seu treinador físico para planejarem juntos uma variação compatível com o seu volume de corridas, evitando lesões indesejáveis.
Boas novas experiências!
Matéria publicada pelo Ativo.com