A influência do clima na Copa: mau desempenho físico não é coincidência

01 de julho de 2014 ● POR

Os europeus estão pagando um preço elevado pela influência do clima das cidades brasileiras na Copa do Mundo. O sucesso das seleções do continente americano e a decepção de várias das fortes seleções europeias na competição certamente não é um mero acaso.

Espanha, Inglaterra e Portugal são seleções virtualmente já eliminadas. As poderosas Alemanha e Holanda já no segundo jogo mostraram sensível queda de produção. Por outro lado, seleções do continente americano parecem crescer cada vez mais no torneio, evidenciando melhor adaptação ao ambiente das diferentes cidades, principalmente nas capitais do norte e nordeste.

Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Argentina, Uruguai, além da própria seleção norte-americana, até agora tem prevalecido, principalmente do ponto de vista do desempenho físico.

Certamente o futebol é um esporte no qual existem inúmeras variáveis responsáveis pela performance, entretanto não podemos deixar de considerar a grande influência das condições climáticas particulares do nosso país. O calor e, principalmente, a alta umidade do ar exercem uma grande influência no desempenho físico.

A queda de rendimento devida à desidratação e à elevação da temperatura corporal contribui de forma incontestável no prejuízo da performance, e principalmente na dificuldade de recuperação. Seleções com atletas de média de idade mais elevada, como é o caso da seleção espanhola, sofrem ainda mais.

Um argumento que poderia ser usado para contestar esta hipótese é o de que mesmo nas seleções sul-americanas, a maioria dos atletas joga em clubes europeus. Isto com certeza ocorre, entretanto a adaptação ao calor parece ter um componente genético, uma espécie de “memória” que sempre proporciona uma melhor tolerância.

Os jogos realizados em Manaus, Fortaleza, Cuiabá, Recife, Salvador já eram vistos como grandes desafios a serem enfrentados. O tempo muito curto de permanência no período anterior ao início dos jogos, que foi a estratégia adotada pelas seleções europeias, certamente dificultou muito uma possível melhor adaptação.

Talvez tenha existido uma certa falta de valorização da importância destes fatores na logística programada.

Matéria publicada pelo site Globo.com