O coração e a Copa do Mundo: atenção dos jogadores aos torcedores

18 de junho de 2014 ● POR

Já em 2012 os responsáveis pela área médica do Comitê Organizador Local (COL) e os coordenadores médicos e do antidoping de todas as sedes da Copa se reuniram várias vezes para uniformizar as ações médicas.

A Câmara Técnica de Medicina do Esporte do Conselho Federal de Medicina, da qual participamos, recomendou diversas medidas preventivas e técnicas, já em plena aplicação, quanto ao numero de ambulâncias e postos e equipamentos médicos etc.

A preparação médica uniforme foi obrigatória para todas as delegações, onde no mínimo todos os jogadores convocados para a Copa tiveram que fazer uma consulta clinica cardiológica e ortopédica, além de um mínimo de exames complementares: eletrocardiograma clássico, teste ergoespirométrico ou ergométrico simples, ecocardiograma, análise bioquímica e hematológica. Em alguns países, como o nosso, foi incluída a pesquisa de hepatites e de uma doença do sangue chamada anemia falciforme.

Outra novidade foi dosar os níveis dos eletrólitos Sódio, Cloro e Potássio que se perdem pelo suor nos exercícios em geral, e cuja reposição individualizada foi a novidade para os jogadores brasileiros. Agora cada um tem seu “isotônico pessoal”. Além disso, também tem sido medido o desgaste muscular decorrente de um esporte através da dosagem pós-jogo da CPK, enzima que se eleva fisiologicamente num exercício e quanto mais intenso e extenso for a atividade física mais elevados estarão seus níveis. Na maioria das pessoas, esse número diminui fisiologicamente em dois ou três dias. Caso ele demore a diminuir significa que o atleta está muito desgastado e deve ser poupado por mais dias. 

Desde a terrível visão da morte do jogador dos Camarões, Vivien Foé, na Copa das Confederações na França e a morte súbita o jogador do São Caetano, Serginho, no Brasil, tudo ficou mais cuidadoso. A preparação prévia com avaliações cardiológicas especializadas, e mais cuidados detalhados no campo, mudaram o atendimento de emergência para os atletas, hoje totalmente padronizado e eficiente.

Para a Copa do Mundo, a Sociedade Brasileira de Cardiologia realizou vários cursos de treinamento dos voluntários para o atendimento de emergências dos torcedores. Além disso, recomendou aos seus cardiologistas que orientassem seus clientes para evitarem o consumo exagerado de bebidas destiladas, altamente alcoólicas, dos churrascos gordurosos, do terrível cigarro, dos abusos de energéticos e estimulantes (muitos não permitidos no Brasil), e, finalmente, continuassem a estimular as atividades físicas regulares, para que seus clientes não caiam na preguiça e no sedentarismo, um fator de risco tão grave como os velhos conhecidos: diabete, hipertensão arterial e colesterol elevado. 

Matéria publicada pelo site Globo.com