3 opiniões de profissionais de educação física sobre o Crossfit

20 de fevereiro de 2017 ● POR Redação

Moda ou veio para ficar? Quais os principais benefícios e riscos para os alunos?


Para alguns, era o que faltava para estimular aquelas pessoas que não possuem paciência para o treinamento tradicional das academias. Para outros, exagerado e, até certo ponto, perigoso para os praticantes menos experientes. Há mais de 6 anos o Crossfit vem crescendo e ganhando cada vez mais fãs e profissionais da modalidade, que se expande a passos largos por todo o país. Mas o que acham os professores e pesquisadores da educação física dessa modalidade que mistura atividade, treino e entretenimento para os seus praticantes?

O Portal foi atrás e perguntou para 3 renomados especialistas e pesquisadores do tema. Tirem as suas conclusões e levem para o dia a dia de trabalho as melhores reflexões desses papos. Vejam as respostas:

André Lopes – Doutor em Ciências do Movimento Humano pela UFRGS
Vamos falar sobre atividade física ou sobre exercício físico? Sabe que a minha opinião passa por diferenciar essas duas coisas quando falo de Crossfit. Atividade física é todo trabalho do músculo esquelético que promove gasto calórico,  podendo ser isométrico ou isotônico. Já o exercício físico usa a atividade física de maneira organizada, com cargas progressivas, objetivo claro de melhorar os sistemas fisiológicos dos seus praticantes. Pois bem. O Crossfit é uma atividade física e não um exercício físico.

O crossfit pode ser sistematizado, organizado, e até buscar a melhoria de aspectos fisiológicos, mas não tem a preocupação da progressividade de cargas, não trabalha a individualidade e não contempla processos para ser chamado de treinamento. Mas não pense que sou contra o Crossfit, ele é muito motivante, promove muito gasto energético, e pode incentivar os sujeitos a ultrapassarem seus limites.
Bem, esse último pode ser um complicador do ponto de vista de lesões. No final, as modas vem e vão, e acaba tudo voltando para a boa musculação, corrida de rua e natação. Seguimos em frente para esperar a próxima invenção para se tornar moda e começar tudo novamente.

Yuri Spacov – Graduado em Educação Física pela USP e Mestre em Gestão do Esporte
Creio que falar que um tipo de atividade física, esporte ou exercício seja para qualquer tipo de pessoa é um pouco arriscado. Sabemos que dependendo da modalidade, a habilidade de execução do gesto deve ser muito bem feita, caso contrário, problemas futuros poderão ser acarretados. No caso do Crossfit (mas eu poderia falar de outras atividades), deve-se pensar na ação de execução e carga. Os princípios do Crossfit são movimentos multifuncionais, alta intensidade e variação de treinos.

O corpo humano suporta altas sobrecargas sem sofrer algum tipo de lesão, mesmo com um movimento não executado corretamente, contudo quando essa rotina passa a ser constante, a lesão pode virar crônica e o tratamento demorado e custoso, tanto no bolso, quanto para o corpo. Aqui não estou querendo crucificar o Crossfit, pelo contrário, creio que seja uma modalidade interessante de se praticar. Minha ressalva é mais no sentido de: “O Crossfit é para todos os tipos de alunos.” – Tenho convicções e acredito que a modalidade não é para todos..

Bruno Smirmaul – Doutor em Educação Física pela UNESP Rio Claro e fundador do site Educação Física Baseada em Evidências (www.efbe.com.br)


Minha visão sobre as diferentes (e inúmeras) modalidades de ginásticas de academia ou de treinamento é bastante peculiar (meus alunos que o digam). Ao abordar o tema na disciplina de “Programas de Academia”, discuto pontos positivos e negativos de todas as modalidades, como corrida, musculação, pilates, etc. Apesar de suas particularidades e diferentes filosofias, todas as modalidades possuem algo em comum que, em minha opinião, é o ponto-chave que determina suas potencialidades e suas limitações: a atuação do Profissional de Educação Física (PEF)! Em relação ao CrossFit não é diferente.

O CrossFit é muito perigoso, causa muitas lesões, e é para poucos? Tudo vai depender da atuação do PEF. Se, por um lado, há locais em que o PEF prescreve exercícios complexos e avançados para iniciantes, aumentando as chances de lesões, por outro lado há locais em que cadeirantes, crianças e idosos praticam a modalidade de forma segura e eficiente.

Alinhar 3 componentes durante a atuação profissional parece ser um ótimo caminho: evidências científicas, raciocínio profissional e preferências individuais. O CrossFit, assim como todas as outras modalidades, é apenas uma ferramenta. Sua boa ou má utilização dependerá da qualidade da atuação e orientação do PEF!

E a sua opinião, qual é? O Crossfit veio para ficar ou logo todos estarão, novamente, nas tradicionais academias fazendo os seus treinos de musculação? Opine!