Escolinhas de surfe se multiplicam e aumentam mercado de trabalho de profissionais da Educação Física

28 de maio de 2018 ● POR Redação

Por Alessandro Lucchetti

Não é de hoje que o surfe desperta admiração em professores de Educação Física e fisiologistas pela capacidade de desenvolver o poder de psicomotricidade de crianças e adolescentes, além de intensificar o preparo físico e de promover contato com a natureza. O sucesso da chamada “Brazilian Storm”, a vitoriosa geração de surfistas brasileiros, capitaneada por Gabriel Medina e Adriano de Souza, o Mineirinho, certamente contribui para alargar o espaço do esporte na mídia e cativar novos praticantes.

Empreendedores na área de Educação Física perceberam esse potencial e colhem os frutos dessa aposta. É o caso de André Rímoli Costi, dono da ARC Sports, empresa que oferece prática esportiva a escolas e condomínios. “Em janeiro e fevereiro, os meus professores de Educação Física que dão aulas em escolas ficavam ociosos. Eu estava caçando oportunidades para eles terem um complemento de renda nessa época. Nasceu daí o projeto Sport’s na Praia”, diz Costi.

O empresário abriu um espaço em Barra do Una, em São Sebastião, onde é possível ter aulas na escola de surfe, stand-up paddle e caiaque. O negócio, que já tem sete anos e emprega 16 profissionais, é bastante rentável. “Além disso, é muito gratificante a atividade. Atendemos um público que consome o surfe não apenas por atividade física, mas também como higiente mental”, afirma o dono do empreendimento.

A ARC Sports tem outro projeto que envolve a modalidade, o “Surf na Escola”. Ao longo do ano letivo, a empresa leva para escolas do litoral atividades de surfe monitoradas por professores de Educação Física.

O sucesso de Medina e Mineirinho também atraiu alunos para a Escola Radical de Surf de Santos, a primeira pública do Brasil. O ex-surfista profissional Cisco Araña viu crescer o número de matrículas. Ele conta hoje 294 alunos de surfe e bodyboarding. Pela escola, aberta em 1991, já passaram 30 mil alunos, segundo os cálculos de Cisco.

O professor de Educação Física Marcelo Arias, que abriu a Escola Radical de Surf com Araña, lembra que, na década de 90, o surfista era comumente rotulado como um alienado. Aos poucos, o trabalho deles foi moldando uma nova imagem. “A modalidade reúne pessoas sérias e aplicadas em seu todo. O aluno, além da técnica do esporte, ainda tem a oportunidade de aprender noções de biologia marinha, ecologia, nutrição e primeiros socorros”.   

Também em Santos, um grande nome do surfe, Picuruta Salazar, comanda a escola que leva o seu nome. As aulas são ministradas no Quebra-Mar, e há uma parceria com a prefeitura de Santos. Picuruta tem dez títulos brasileiros no currículo.

No litoral paulista, outro polo importante para a modalidade é Ubatuba, que tem 70 quilômetros de praias. Em Itamambuca, foi criada, em 1995, a Escola do Zecão, que introduz no esporte crianças carentes, turistas e idosos, além de proporcionar aperfeiçoamento e treinamento a profissionais. Zecão garante que, em duas horas, um aluno seu já é capaz de surfar a primeira onda sozinho.