O quanto a simetria da força utilizada por nadadores melhora o desempenho nas provas?

14 de maio de 2018 ● POR Redação

O objetivo de um nadador competitivo é nadar a distância completa de sua prova de acordo com as regras no menor tempo possível, levando em consideração tanto a distância percorrida, quanto o tempo no percurso da prova, devendo atingir a maior velocidade média que for capaz. Para atingir esse objetivo, é necessário um aprimoramento de aspectos técnicos e físicos objetivando aumentar a capacidade propulsiva do nadador, e também diminuir a resistência ao deslocamento. Parece evidente, portanto, que a força propulsiva é um importante determinante do desempenho em natação, e a sua medição pode fornecer indicativos sobre a efetividade da técnica.

A estimação da força propulsiva tem sido objeto de análise dos biomecânicos do esporte há alguns anos, através de diferentes métodos como o nado atado, a análise de vídeo tridimensional, a dinâmica computacional dos fluidos e utilização de sensores de pressão nas mãos dos nadadores. Ao analisar a força propulsiva, um dos interesses dos pesquisadores diz respeito à ocorrência de assimetrias na aplicação dessa força entre os membros direito e esquerdo, e a sua relação com o desempenho.

Mesmo sabendo que certo nível de assimetria é aceitável devido às diferenças inerentes ao corpo humano, a diferença bilateral na produção de força durante o nado pode ser um fator limitante do desempenho. Segundo Sanders et al.14, para atingir um desempenho de alto nível, ambos os braços e ambas as pernas devem contribuir de maneira ótima para maximizar a propulsão e para diminuir o arrasto.

Os estudos encontrados analisaram a assimetria propulsiva no nado crawl. Marinho et al., embora tenham investigado a relação entre a força propulsiva e o desempenho nos quatro nados competitivos, não analisaram a assimetria bilateral. Dados relativos às diferenças entre membros no que diz respeito à produção de força em nados simétricos, como é o caso do nado peito, são escassos.

Jaszczak e Zatón apontam que a simetria característica do nado peito o faz ser adequado como ferramenta para o tratamento de problemas posturais em crianças. Entretanto, Jaszczak verificou assimetrias entre os membros superiores durante a Método Sujeitos simulação do nado peito em ergômetro. Anos depois, em estudos realizados na piscina com nadadores infantis e adultos amadores, autores do mesmo grupo de pesquisa também verificaram a ocorrência de assimetrias de força na braçada.

Considera-se necessário investigar se há assimetria em condições reais de nado realizado por atletas especialistas em nado peito, pois segundo Maglischo, os nadadores parecem ter um braço mais efetivo do que o outro, o que poderia influenciar o desempenho. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo analisar a simetria da força aplicada durante a braçada do nado peito e a sua relação com o desempenho de nadadores.

Resumo

Este trabalho teve como objetivo analisar a simetria da força aplicada durante a braçada do nado peito e a sua relação com o desempenho de nadadores. Participaram do estudo 17 nadadores especialistas em nado peito e medley (12 homens e 5 mulheres, 19,5 ± 5,2 anos, melhor tempo pessoal correspondente a 73,4 ± 7,0 % do recorde mundial dos 50 m peito). Cada sujeito realizou três repetições de 25 m peito em máxima velocidade. Sensores de pressão do Sistema Aquanex foram posicionados na mão direita e na mão esquerda dos nadadores, possibilitando a aquisição das variáveis Força Média (Fmed) e Força Máxima (Fmax).

Calculou-se o índice de simetria conforme proposto por Sanders e utilizou-se o tempo de uma execução de 50 m peito em velocidade máxima (T50m) como indicador de desempenho. A comparação das variáveis entre a mão direita e a mão esquerda foi realizada através de testes para amostras dependentes, e a relação entre as variáveis foi investigada através da correlação de Spearman (p < 0,05). A Fmed aplicada foi de 47,9 ± 16,7 N e de 47,9 ± 14,5 N para as mãos direita e esquerda, respectivamente. A Fmax correspondeu a 120,7 ± 43,6 N e 112,8 ± 35,7 N para as mãos direita e esquerda, respectivamente. Não foram encontradas diferenças significativas quando comparadas as mãos direita e esquerda.

Uma análise individual e descritiva das variáveis permitiu observar assimetrias de até 30,6% para a Fmed e de até 35,9% para a Fmax. Entretanto, parece não haver relação entre os índices de simetria com o desempenho no nado peito em 50 m.

Para ler o estudo na íntegra clique aqui: http://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/141764/136785

Autores: Rafaela Grübel WERLANG; Suzana Matheus PEREIRA; Caroline RUSCHEL; Gustavo Soares PEREIRA; Ana Paula Moratelli PRADO; Gustavo Ricardo SCHÜTZ; Helio ROESLER.

Publicação: Rev Bras Educ Fís Esporte, (São Paulo) 2017 Jan-Mar;31(1):41-50