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04 de novembro de 2008 ● POR Redação

O diretor de negócios de futebol da Traffic Sports contou como empresas investidoras atuam na modalidade e sobre

O diretor de negócios de futebol da Traffic Sports contou como empresas investidoras atuam na modalidade e sobre a Academia Traffic de Futebol
Marcelo Iglesias

A atuação de empresas dentro do futebol mundial é um negócio cada vez mais comum em todo o planeta. No Brasil, “o país do futebol”, essa realidade não poderia ser diferente. Além dos patrocínios nos uniformes e como fornecedoras de materiais esportivos, as empresas passaram a comprar porcentagens de passes de atletas ou a sua totalidade e até a construírem centros de treinamento para a formação de jogadores e de treinadores.
Um exemplo de empresa que decidiu investir pesado na formação de jogadores foi a Traffic Sports, empresa de marketing especializada na área esportiva. Ela montou a Academia Traffic de Futebol, com tudo o que há de mais moderno para a construção de um atleta de maneira consciente e sem exageros que possam gerar problemas físicos ou psicológicos futuros ao espaço, localizado em Porto Feliz, no interior de São Paulo.
“Como investidor a gente quer ter um jogador que possua um determinado perfil: seja novo, tenha um potencial de crescimento muito grande, que esportivamente seja um jogador com características para jogar fora do Brasil, e com uma personalidade boa para se adaptar no exterior”, afirmou Felipe Lobo Faro, diretor de negócios de futebol da Traffic Sports, em entrevista exclusiva à Cidade do Futebol.
Além de definir o perfil dos jogadores procurados pela empresa para a compra de parcelas dos seus passes, Felipe Faro também falou sobre a Academia Traffic de Futebol, a forma como ela pretende atuar na modalidade dentro do Brasil, sobre as novas formas de ação das empresas dentro do futebol e até sobre as perspectivas da modalidade frente à crise financeira pela qual passa o mundo.
O profissional também evidenciou e explicou o papel das empresas investidoras no futebol, e mostrou como a compra da porcentagem do passe de atletas pode ou não influenciar na carreira do jogador.
Cidade do Futebol – A Traffic está montando um projeto que terá como foco a formação de atletas e treinadores de futebol, que recebeu o nome de Academia Traffic de Futebol. Conte um pouco sobre essa iniciativa.
Felipe Faro – Quando nós formamos um time, precisávamos de um centro de treinamento. Em um primeiro momento, alugamos um espaço no Sport Ville para preparar meninos sub-15, sub-17 e sub-20. Esse é um trabalho que nós já fazemos há três anos. Estamos na terceira temporada agora e vamos para a quarta, no ano que vem. Nós participamos do Campeonato Paulista, da Taça BH, Copa São Paulo, enfim, de todos os torneios mais importantes do Brasil.
Desde quando a gente começou o planejamento do projeto, já tínhamos a idéia de montarmos um centro de treinamento próprio. Com o passar dos anos, a gente foi amadurecendo essa idéia, procurando terrenos, buscando prefeituras e entidades com as quais pudéssemos realizar uma parceria.
Por fim, nós compramos um terreno em Porto Feliz e começamos a construir um centro de treinamento que, mais tarde, batizamos de academia. E nesse centro de treinamento, que será inaugurado no final deste ano, existirá tudo que há de melhor no que se refere à preparação para atletas.
Nós continuamos com os nossos times sub-15, sub-17 e sub-20 e, nesse centro de treinamento, nós teremos uma academia com os aparelhos de ginástica top de linha, fisioterapia da melhor qualidade… Enfim, tudo aquilo que for necessário para a formação do atleta, nós vamos ter do melhor nesse local.
Além da idéia de montar essa academia que será inaugurada ainda em 2008, nós estamos estudando a possibilidade de montarmos mais quatro ou cinco unidades espalhadas pelo Brasil, em regiões diferentes, as quais seriam franquiadas à academia máster, que será essa realizada em Porto Feliz.
Na verdade, não seria um esquema de franquia, mas seria mais ou menos isso, só para ter-se uma idéia. Seriam academias conveniadas, em que seriam passadas para todas elas uma mesma metodologia e todo treinamento dos atletas ficaria sob nossa supervisão.
Cidade do Futebol – Por que foi escolhido o nome de Carlos Alberto Parreira para comandar esse empreendimento?
Felipe Faro – O nome do Parreira surgiu porque, qualquer pessoa que fosse pensar em um projeto desse nível e desse porte, ou em qualquer coisa relacionada com o futebol e quisesse ter uma pessoa com uma vasta experiência, necessariamente todos pensariam nele.
Aliado a isso também estava o fato de que nós temos um bom relacionamento com ele e decidimos realizar esse convite. No entanto, eu acredito que todos no Brasil e até mesmo no mundo, se fossem criar um empreendimento desse nível, iam ver no Parreira uma pessoa para contribuir.
Cidade do Futebol – A revelação e a venda de jogadores de futebol é, atualmente, uma das maiores fontes de renda dos clubes brasileiros, os quais têm muitas dívidas. Um projeto como Academia Traffic de Futebol não pode piorar ainda mais a situação financeira dessas agremiações?
Felipe Faro – Eu acredito que essa nossa iniciativa é algo que já é feito por vários outros clubes. O nosso diferencial é simplesmente que nós faremos com a mesma qualidade que alguns poucos fazem.
Contudo, eu não penso que as coisas vão caminhar da forma como foi colocada. Pelo contrário, acredito que teremos jogadores em melhores condições tanto tecnicamente quanto naquilo que se refere à filosofia de vida, muito mais bem preparados para enfrentarem desafios.
Na verdade, do meu ponto de vista, será mais uma empresa ou mais um clube formando atletas com uma qualidade que, hoje, poucos conseguem ter. Nós seremos apenas mais um nesse ramo de formação de jogadores e não penso que será algo que vá atrapalhar os clubes nos seus projetos relacionados a isso.
Cidade do Futebol – A compra de jogadores e/ou de porcentagens do passe de atletas por parte de empresas é algo que tem se tornado bastante freqüente no Brasil. Como isso pode interferir na modalidade?
Felipe Faro – Primeiramente, temos que salientar que esse é outro business da empresa. Nós estávamos falando da formação de atletas e agora vamos conversar sobre a compra da porcentagem de passe de jogadores. São coisas que lidam com atletas de perfis diferentes. É outra área de negócio também esses atletas que já estão colocados no mercado do futebol e têm uma certa visibilidade, pois já estão encaixados em um time.
Eu penso que essa compra de porcentagens de passes ou de passes completos de jogadores é outra ação que ajuda bastante o futebol brasileiro, pois na medida em que se têm empresas ou investidores com disponibilidade financeira que acreditam em atletas e os deixam mais próximos dos clubes, a tendência é que os clubes fiquem cada vez mais fortes. Isso porque, a despesa da agremiação vai ser com o pagamento de salários somente, deixando de ter gastos com a formação de jogadores.
Além disso, se o clube adquirir o jogador, ao final, quando o atleta for negociado, a agremiação também terá direito de receber uma parcela do montante do dinheiro. Portanto, é um negócio que vai deixar os clubes mais fortes no Brasil, tanto esportivamente como financeiramente.
Cidade do Futebol – Desde 1994, pelo menos, a quantidade de jogadores que são vendidos para clubes do exterior é a cada ano maior (exceto no período entre 2001 e 2002, por conta do ataque terrorista ao World Trade Center). No entanto, os valores da maioria dessas transferências são muito baixos. Como a atuação de empresas como a Traffic pode mudar esse quadro?
Felipe Faro – Na verdade, eu não vejo o investidor tomando qualquer tipo de atitude que faça o preço do atleta subir ou descer. Isso depende muito da situação em que se encontra o mercado. O jogador vale o que o mercado oferece por ele. Se determinado jogador é vendido por esse ou por aquele valor é o quanto os componentes do mercado acham que faz sentido pagar-se por aquele atleta.
Eu não vejo o investidor tendo qualquer tipo de relação decisiva para aumentar o diminuir o valor de um jogador. Isso depende basicamente do desempenho do jogador e de quanto o mercado está pagando por aquele tipo de atleta.

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