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A profundidade da piscina como característica pedagógica de aula

Postado por Paulo Henrique Bonacella
Paulo Henrique Bonacella
Graduado pela Escola de Educação Física e Esporte da USP, especializou-se em Atl
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em Quarta, 18 Abril 2012 em Esportes

Uma situação tida como normal em cursos de Natação é aquela na qual os alunos iniciam suas aulas na parte mais rasa da piscina e, à medida que evoluem tecnicamente, são promovidos para os níveis que ocupam a parte mais funda, via de regra, onde não dá pé para os alunos, mesmo os adolescentes ou adultos. É como se, uma vez vencidos os primeiros estágios do aprendizado, e principalmente dominada a sustentação vertical, todo o restante pudesse ser desenvolvido facilmente na parte mais funda da piscina.

Com o tempo, percebi que essa situação ajuda a criar ou a aumentar algumas dificuldades pedagógicas para os profissionais dos níveis mais adiantados, quando da abordagem de certos conteúdos, como a virada olímpica do crawl e do costas, a pernada do nado peito, em alguns casos o próprio nado borboleta, etc.

É que, desprovidos do apoio no chão, os alunos quando executam estes elementos técnicos para correção, ou têm que se sustentar ativamente no meio do percurso ou precisam deslocar-se desnecessariamente de borda a borda. Ambas as situações cansam os nadadores muito rapidamente, comprometendo sua capacidade de concentração e consequentemente de aprendizado.

Muito melhor seria se os alunos pudessem parar no meio do percurso para, mais confortavelmente, receber os feedbacks específicos e aprimorar suas execuções. Para isso, o apoio no chão é importante.

É preciso então que todos os profissionais que trabalham com Natação enxerguem a variável “profundidade da piscina” sempre como um dos elementos pedagógicos a serem planejados e controlados em aula. Ou seja, da mesma forma como os professores da iniciação necessitam ocasionalmente ir até o fundo com seus pupilos para o trabalho de sustentação e adaptação ao fundo, os professores dos níveis mais adiantados (e até do aperfeiçoamento) também necessitam, de vez em quando, ir para o raso para abordarem com mais eficácia conteúdos típicos de seu trabalho.

No Curso Comunitário de Natação para Crianças da Escola de Educação Física e Esportes da USP procuramos inclusive entrosar estas duas demandas para um mesmo dia, possibilitando, por exemplo, que os níveis I e IV “troquem de lugar” em suas aulas e desenvolvam melhor suas atividades. Esta otimização de programas de aula é coisa relativamente simples e carece apenas de um mínimo de planejamento e organização.

Quanto à adaptação dos novatos à parte mais funda da piscina, outra dica importante é que nem sempre o chamado “fundão” é necessário. Seja pela inexistência de profundidades muito grandes, seja pela impossibilidade de eventuais trocas como a que citei anteriormente, já desenvolvi e acompanhei muitos trabalhos deste tipo em profundidades entre 1,50m e 1,60m. Com esta altura de água, a grande maioria das crianças iniciantes entre 5 e 8 anos não consegue apoiar-se no chão, mas o professor sim, o que torna a aula igualmente estimulante para as crianças e muito mais para o professor.

 

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Graduado pela Escola de Educação Física e Esporte da USP, especializou-se em Atletismo por Santo André e em Natação por São Caetano do Sul. Dentro da Natação atuou como professor, coordenador de modalidade (Natação) e gerente operacional em várias Academias de São Paulo, tendo se capacitado na Metodologia GUSTAVO BORGES para Natação Formativa em 2005. Coordena desde 1982 o Curso de Natação para Crianças da Escola de Educação Física da USP, foi Consultor Técnico do Portal da Educação Física de 2006 a 2012 e hoje é palestrante sobre Pedagogia da Natação e Formação Técnico-profissional em Educação Física.

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