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O aquecimento em aulas de Natação

Postado por Paulo Henrique Bonacella
Paulo Henrique Bonacella
Graduado pela Escola de Educação Física e Esporte da USP, especializou-se em Atl
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em Terça, 06 Agosto 2013 em Natação

O aquecimento nas aulas de Natação é uma atividade que necessita de certa atenção. Digo isso porque, apesar de ser uma atividade relativamente consagrada em todo planejamento de aulas em Natação, muitas vezes já presenciei alguns absurdos que certamente derivam de má compreensão ou má interpretação de conceitos relativamente básicos em Educação Física.

A idéia fundamental do aquecimento é preparar o corpo como um todo e algumas de suas estruturas em particular para o esforço a que serão submetidos, de modo a evitar possíveis lesões e obter um melhor rendimento. Neste primeiro conceito já há o que pensar. Levando em conta que as crianças já possuem por si mesmas um metabolismo relativamente acelerado, que as suas estruturas articulares e ósseas são bem mais maleáveis do que as de um adulto, e que a intensidade das atividades de aula são bem sub-máximas (diferentemente das atividades esportivas), há autores que são da opinião que aquecimentos muito elaborados para crianças são simplesmente pura perda de tempo.

Essa opinião (nem precisaria dizer) é sem dúvida radical: certa vez presenciei um aluno de seus 10 anos ser acometido de um forte torcicolo logo nas primeiras braçadas e isso mesmo tendo feito aquecimento articular (inclusive de pescoço). A criança precisou ser atendida em pronto-socorro naquela mesma tarde. Fiquei pensando no que aconteceria com a professora deste aluno se não tivesse havido aquecimento.

Particularmente não consegui em todos esses anos simplesmente abandonar os aquecimentos, pois compreendi aos poucos que esta atividade tem, digamos, funções pedagógicas importantes, independentemente das fisiológicas:

A. A atividade do aquecimento traz em si uma mensagem subliminar: a aula começou (acabou a brincadeira e o falatório desnecessário). Colocar as crianças na água sem essa mensagem obriga o profissional a gastar tempo precioso de água com avisos e admoestações;

B. No aquecimento podemos lançar mão de atividades conduzidas de braçadas e pernadas que as crianças terão que reproduzir dentro d´água. Na abordagem de movimentos novos relativamente desconhecidos (como a pernada do nado peito), isso pode ser fundamental para a aula;

C. Durante o aquecimento podemos utilizar circunduções, flexões e extensões articulares que ajudarão à criança a desenvolver seu esquema corporal e sua propriocepção, o que certamente ajudará nas atividades próprias de aula;

D. Mesmo não necessitando no curtíssimo prazo do aquecimento, é bom que a criança se acostume a fazê-lo, e até mesmo já memorize os principais movimentos e exercícios, já que mais tarde, em atividades competitivas ou de grande solicitação, adolescente ou adulto, ele precisará aquecer-se por razões essencialmente fisiológicas;

Mas para que um aquecimento seja bem planejado, ele precisa respeitar algumas características essenciais. As principais são:

1- Intensidade moderada: o aquecimento não precisa e não deve ser exageradamente intenso: não precisa pois basta uma leve ativação metabólica e não deve para não excluir os mais gordinhos e menos condicionados. Vários piques curtos e velozes, ou dez voltas em torno de uma piscina olímpica não são admissíveis como aquecimentos;

2- Simultaneidade: todos (TODOS) devem se movimentar ao mesmo tempo, ou praticamente assim, principalmente numa atividade que deve durar até dez minutos. A famosa brincadeira do estafeta, portanto, NÃO SERVE PARA AQUECIMENTO;

3- Simplicidade: as atividades devem possuir baixo grau de complexidade para que todos possam executá-las. Atividades muito elaboradas (cambalhotas, paradas de mão, giros em equilíbrio) excluirão os menos habilidosos, ou poderão machucar aqueles que se dispuserem a executá-las mesmo sem o necessário domínio;

4- Ativação em bloco dos principais grupos musculares: as atividades devem propiciar a movimentação dos grandes grupos musculares em conjunto, como nas quadrupedias, apoios, saltitamentos, etc.

5- Terminar dentro d´água: todo aquecimento em Natação deve iniciar fora da piscina e terminar dentro dela, ou seja, a primeira atividade em água é a última do aquecimento (a parte mais específica dele). Deve, portanto, ser ainda simples, de amplo domínio dos alunos e de baixa intensidade.

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Graduado pela Escola de Educação Física e Esporte da USP, especializou-se em Atletismo por Santo André e em Natação por São Caetano do Sul. Dentro da Natação atuou como professor, coordenador de modalidade (Natação) e gerente operacional em várias Academias de São Paulo, tendo se capacitado na Metodologia GUSTAVO BORGES para Natação Formativa em 2005. Coordena desde 1982 o Curso de Natação para Crianças da Escola de Educação Física da USP, foi Consultor Técnico do Portal da Educação Física de 2006 a 2012 e hoje é palestrante sobre Pedagogia da Natação e Formação Técnico-profissional em Educação Física.

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