Blog da Educação Física
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Recreação em instituição sócio-educativa
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Desde março de 2011 tenho atuado em uma instituição sócio-educativa com crianças de 05 a 14 anos nas mais diversas modalidades de atividades recreativas e esportivas, dentro e fora de sala de aula.
No começo foi um pouco complicado, dentro de uma única sala havia crianças com realidades semelhantes, com realidades totalmente diferentes e com realidades, digamos, “preocupantes socialmente”. Ou seja, tinha que estruturar um trabalhão que atendesse a todos de uma forma homogênea.
Após esta análise social, resolvi utilizar atividades recreativas variadas e não só o futsal. O feeback que eu recebi era que nem o famoso “quarteto fantástico” (futsal, basquete, vôlei e handebol) não despertava interesse nos alunos. Então estruturei uma única proposta visando atingir todas as faixas etárias, e o desafio já estava ali; realizar uma atividade para todas as turmas. E qual foi a solução mais bem aceita durante a aplicação: Gincana Mista.
Esta atividade, tanto dentro como fora da sala foi bem aceita, pois dentro da sala a turma era de idade aproximada, realizavam tarefas juntos quase todos os dias e isso contribuiu bastante para analisar a atuação dos grupos EM grupos. Quem era o mais desinibido, mais tímido, mais rápido para realizar caçulos matemáticos, como eles se ajudavam para realizarem juntos estes cálculos, quem desenhava melhor, entre outras análises.
Fora da sala, procurei realizar uma grande gincana mista com todas as turmas de uma vez, misturando suas faixas etárias e dessa maneira todos os grupos ficariam pareados com relação a disputa, pois haviam crianças de 06 a 14 anos em todos os grupos, nenhum deles seria prejudicado. Com isso pude analisar a capacidade de estratégia de todos para a realização das provas. Algumas delas eram para determinadas faixas etárias, outras para atuarem juntos e do início ao fim a proposta foi muito bem aceita por todos. Mesmo aqueles que se diziam que já haviam “passado da idade” brincaram e se divertiram com os menores.
Mas a que mais me chamou a atenção é que em todas as turmas haviam os chamados “excluídos”, que eram aqueles que por um motivo ou outro eram deixados de lado pelos demais. Afirmo que este quadro mudou durante a realização destas atividades recreativas. Os grupos aceitavam essas crianças e descobriram que eles também tinham talento e que podiam cumprir com êxito para a equipe a tarefa proposta.
Qual foi a minha intenção relatar sucintamente para vocês estas minhas experiências? Que quando um profissional possui conhecimentos sobre a recreação ele pode torná-la uma ferramenta mais que fundamental na para unir pessoas, acabar com preconceitos, educar e principalmente, apresentar situações de muita alegria para aqueles que supõem que não há muitas opções para sua vida.
Pensem: será que só por que uma criança tem 6, 7, 8 anos ela não pode ter enfraquecido seus sonhos, ou até mesmo não tê-los desenvolvidos? Digo a todos que muitos já se preparam para a conformidade e não vivem como crianças. E a recreação pode trazê-los de volta para a vida.

