O que é ser um bom Professor?

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O que é ser um bom Professor?
Eis aí uma boa pergunta. Certamente cada um nesse momento já deve estar formulando a sua resposta sendo bem provável pou

Eis aí uma boa pergunta. Certamente cada um nesse momento já deve estar formulando a sua resposta sendo bem provável poucas serem iguais. Como não poderia deixar de ser cada um tem um conceito diferente de acordo com os seus próprios valores e educação recebida. Na escola, o professor de Educação Física, como já comentamos há algumas semanas, exerce uma nobre e importante função não só de educador físico como também social. É o elemento de ligação entre as diretrizes da escola, os fundamentos pedagógicos, a realidade dos alunos, a sociedade como um todo e os pais dos alunos. Uma função tão importante e nem sempre, por diversos motivos, reconhecida ficando esquecida. Já dissemos também que a criança e o adolescente vêem no profissional de Educação Física o espelho sendo dele a responsabilidade da inclusão social dessa geração, sobretudo nas populações mais carentes. São justamente as aulas de Educação Física a melhor oportunidade que os jovens têm de se relacionarem de forma descontraída convivendo com as diferenças. A questão é... Esse espelho vai depender da formação, bom senso e capacidade de adaptação do profissional ao nível social dos alunos. Nem sempre a formação acadêmica se coaduna com a realidade prática. Em vez de ser aplicado o verdadeiro fundamento pedagógico social, na escola não muito raro, nos deparamos com a valorização da prática esportiva onde o papel do profissional de Educação Física se confunde com o de um treinador de alta performance. Ele seleciona, dirige, corrige e se preocupa com o gesto esportivo. Promove competições internas e externas, muitas vezes ficando "amarrado" à filosofia da direção da escola que usa isso como Marketing. "A nossa escola é a melhor". Nesse processo, os menos aptos, ou os que não são talentosos ficam, de fora. Esse não é o verdadeiro fundamento da escola embora a vida seja feita de vencedores e perdedores. A valorização da performance vem, como citado na semana passada, da influência militar onde principalmente nos anos 70 o esporte era usado como meio de propaganda do governo para afastar os jovens de possíveis movimentos estudantis reacionários, pois é na classe unida que surgem naturalmente os líderes. Além disso, o profissional dessa era, o mais das vezes impunha a autoridade própria do sistema com atitudes tais como perfilar, marchar, falar com os alunos com tom de comando e etc. Do profissional de Educação Física atuante na escola exige-se um conhecimento profundo nas áreas inerentes ao movimento humano tais como os aspectos culturais e sociais. Deve ser dotado da capacidade de contornar os problemas das relações humanas, o medo, a desconfiança, a covardia, a descrença e sobretudo a fantasia de seus alunos. Segundo Machado (1995) é do professor a responsabilidade de moldar o caráter dos jovens em formação podendo deixar marcas profundas, tanto do lado negativo como positivo. É dele a responsabilidade de ensinar as regras de boa conduta para viver bem na sociedade. Isso significa dizer que a preocupação do professor não se restringe apenas aos aspectos físicos e motores, mas também à formação integral do aluno. No bom português: Fazê-lo virar gente de bem. Ser um bom profissional de Educação Física que trabalha com crianças nas escolas no Brasil atualmente é uma arte. Conhecer seus alunos adaptando o ensino ás suas necessidades refletir sobre a prática dominar conteúdo aproveitar bem o tempo útil na escola aceitar bem as responsabilidades usar de modo adequado o material didático improvisando a falta dele estabelecer objetivos cognitivos demonstrar interesse estabelecer laços de amizade com as crianças ser justo, ora "paizão", ora durão na hora certa e ainda contornar de modo inteligente as vaidades dos pais de alunos, que endeusam seus filhinhos, por vezes anti-sociais. É muito mais que uma arte e o profissional que, segundo Silva (1992), reunir pelo menos uma parcela dessas qualidades certamente será bem sucedido na sua prática pedagógica. Mas todos nós sabemos que existem hoje muito mais fatores induzindo à desmotivação principalmente ao corpo docente da rede pública tais como salários baixos, feriados prolongados e as intermináveis greves. Urge a necessidade de uma reforma proveniente de uma grande discussão. Todo político usa frases prontinhas quando em campanha. "Vou melhorar a saúde e a educação". Cabe agora todos nós cobrarmos isso... ou não?
por Luiz Carlos de Moraes