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A Educação Física Escolar: uma aliada contra o Sedentarismo Infantil

A Educação Física Escolar: uma aliada contra o Sedentarismo Infantil
O sedentarismo, principal causa do aumento de doenças como: obesidade, diabetes, hipertensão arterial, e outras doenças

O sedentarismo, principal causa do aumento de doenças como: obesidade, diabetes, hipertensão arterial, e outras doenças crônico-degenerativas, são caracterizadas pela ausência de atividade física. [1]
Atualmente não só adultos sofrem com esta "epidemia" do século XXI, o número de crianças sedentárias e consequentemente obesas, em idade escolar, vem crescendo consideravelmente a cada ano.
Estimativas revelam que a obesidade[2] infantil dobrou nos últimos dez anos e atinge hoje cerca de cinco milhões de crianças e adolescentes[3] no Brasil, como conseqüência do desenvolvimento tecnológico e as facilidades criadas por estes avanços.Tentando encontrar um caminho contra o "mal do século" [4], podemos destacar a escola como principal meio para frear os avanços desta epidemia, e não é exagero dizer que ela exerce um papel fundamental na luta contra o sedentarismo[5], e que principalmente o professor de educação física tem grande responsabilidade em criar o hábito (na criança) pelo gosto a prática de atividades físicas.Esta não é uma tarefa fácil, principalmente porque a tendência tecnicista é a que predomina nas aulas de Educação Física Escolar, ou seja, selecionam-se os mais aptos e excluem os menos habilidosos.
E para conseguirmos agir contra o sedentarismo infantil, é preciso acabar com essa valorização excessiva do desempenho como objetivo único na escola.
Vários são os caminhos apontados com intuito de superar o problema do "Esporte na Escola" [6], como por exemplo, as abordagens desenvolvimentista, construtivista-interacionista, critico-superadora e sistêmica, existindo também complementações a estas abordagens[7].
A introdução destas abordagens no campo do debate da Educação Física proporcionou uma ampliação na área de atuação desta profissão. E é sobre estes novos ângulos visionários, que enfatiza as dimensões psicológicas, cognitivas, sociais, que nós profissionais, devemos nos apoiar para a construção de um ser humano integral.
Quando digo integral me refiro a uma educação não apenas preocupada com a formação do físico, mas uma educação que possa sustentar a atividade cognitiva.
Em suma, nosso papel é conscientizar a criança da importância de se praticar atividades físicas, e seus benefícios contra as doenças crônico-degenerativas, e primordialmente induzir o aluno a sentir prazer ao realizar tais atividades.
Não pensamos ser este um caminho simples, é preciso estar atento a estes alunos aversos a atividades físicas, pois uma característica importante em obesos é, geralmente, a depreciação da própria imagem física, demarcada pela insegurança em relação aos outros (CONTI et al, 2005).
É visível que a criança obesa quando participa de um jogo ou exercício, sua atividade é acentuadamente mais baixa do que a de uma criança com peso normal sob as mesmas condições. Toda a atividade física representa um esforço muito maior para a criança obesa, o que acaba contribuindo para reduzir o prazer da atividade (MAYER, 1970 apud PARÍSKOVÄ, 1982). Existem também recentes pesquisas que afirmam que crianças obesas têm atraso no desenvolvimento motor, apresentando-o inferior a sua idade cronológica[8].
Estando atentos a estes detalhes, característicos das crianças obesas, e consciente dos objetivos e caminhos de nossas práticas pedagógicas, realizando todas e quaisquer adaptações necessárias, estaremos prontos para agir contra o sedentarismo infantil dentro das escolas.
Permitiremos assim, que estas crianças, sintam prazer na prática de atividades físicas, e consequentemente, torná-las-emos em adultos ativos.   
E com isto quem sabe, poderemos até estar construindo uma nova tendência para a Educação Física, ou seja: a Educação Física em busca de Qualidade de Vida[9].             [1] Posição oficial da sociedade brasileira de Medicina do Esporte: atividade física e saúde, Revista Brasileira de Medicina do Esporte, vol. 2, nº 4, 1996.[2] Obesidade é o excesso de gordura corporal no peso corporal total do indivíduo. Ela é determinada pela porcentagem de tecido adiposo que o indivíduo possui (BOUCHARD, 2003).[3] Dados da Sociedade Brasileira de Obesidade (2004).[4] Grifo meu (sedentarismo).[5] O início da escolarização formal constitui uma mudança importante no desenvolvimento físico da criança. A escola significa o começo do período em que esta deverá aprender todas as competências e papéis específicos que são parte de sua cultura (BEE, 1997).[6] "Esporte na Escola" é o esporte desenvolvido com um fim em si mesmo, sem a preocupação deste (esporte) ser um caminho para a Educação, diferentemente de "Esporte da Escola".[7] Darido, S.C. A Educação Física na escola: questões e reflexões. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.[8] Revista Digital - Buenos Aires - Ano 11 - N° 101 - Outubro de 2006[9] Uma definição bem clássica é de 1974, onde Seidl e Zannon (2004: 582) mencionam Andrews (apud Bowling, p. 1448): "qualidade de vida é a extensão em que prazer e satisfação têm sido alcançados". Mas a definição de qualidade de vida não é aceita universalmente, gerando discussões acerca desta temática.
por Mariana Rocha Justo Estudante do 2º Ano de Educação Física - Faculdade Fênix Anhanguera Educacional - Bauru/SP