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Brincadeiras e jogos infantis são importantes para a formação do adulto

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Com as estratégias metacognitivas, a percepção do erro e das dificuldades são fundamentais para que a criança reveja suas decisões, identifique porque errou e retome desse ponto com novas formas de abordagem das atividades.

Raciocínio lógico, criatividade e capacidade de trabalho em equipe são algumas das características fundamentais para que o indivíduo tenha habilidade para lidar bem com problemas cotidianos. Além disso, são qualidades cada vez mais exigidas dos profissionais no mercado de trabalho, pois as empresas buscam funcionários que apontem soluções diante de desafios e sejam dinâmicos e eficientes no planejamento e na execução de projetos em grupo.

Por esses motivos é importante que o indivíduo desenvolva estas e outras habilidades desde cedo, ou mesmo em outras fases da vida, por meio de ferramentas de estímulo como as brincadeiras e os jogos educativos, que auxiliam na formação e no aprendizado em casa, na escola, no ambiente de trabalho, entre outros espaços.

Os benefícios dos jogos educativos

A pedagoga Alexandra Lorandi Macedo, pós-doutoranda em Informática na Educação pela UFRGS, afirma que o jogo deve ter qualidade para ajudar na melhora do raciocínio e cita as características que determinam sua eficiência: "Um bom jogo deve ter objetivos claros a serem alcançados e simples de serem entendidos; deve proporcionar o desenvolvimento de estratégias com resultados incertos, favorecendo a construção de estratégias e hipóteses. Isso fará com que o jogador planeje, teste, avalie o resultado e reestruture sua ação".

Ela também ressalta que a possibilidade de o jogador escolher o nível de dificuldade e de acompanhar a sua evolução no jogo são importantes para estimular habilidades como a motivação: "Isso poderá facilitar o engajamento e a automotivação para que níveis mais complexos sejam almejados, planejados e ultrapassados".

Os benefícios dos jogos educativos estão longe de se restringir à fase infantil do indivíduo. Aliás, há uma crescente em jogos que desenvolvem habilidades interpessoais: "O uso do jogo fora do horário escolar, ou para além desta fase, pode oportunizar momentos de aprendizagem e de lazer. Além desses aspectos, é importante destacar que também são cada vez mais comuns jogos que proporcionam o desenvolvimento de habilidades que priorizam o trabalho coletivo. Esta é uma demanda emergente nas empresas, e as estratégias construídas nos jogos podem ser aliadas para apoiar trabalhos em equipe também em contextos profissionais", destaca Alexandra.

O desenvolvimento do trabalho coletivo também é uma importante função do jogo educativo, de acordo com a pedagoga Leticia Machado, doutoranda em Informática na Educação pela UFRGS. Ela afirma que, se trabalhado desde criança até a adolescência, o jogo educativo poderá, além de ajudar em questões como trabalho cooperativo, influenciar no raciocínio lógico e na percepção. Ela ainda explica que os jogos educativos têm uma importante função na vida infantil: "A criança desde pequena está acostumada a brincar e aprender com experimentos e imitações do cotidiano. Quando entra na escola o ato de brincar é deixado de lado, o que acaba desmotivando o aluno. O uso de jogos educativos possibilita desenvolver o abstrato, o lúdico e a imaginação da criança. É possível trabalhar com reflexão, análise e a criatividade da criança, além de desenvolver regras a partir da mediação do erro e da perda".

A questão do erro e da derrota no jogo, de acordo com a psicóloga Acácia Angeli, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP, é fundamental nas estratégias de aprendizagem metacognitivas, propiciadas pelos jogos educativos: "Com as estratégias metacognitivas, a percepção do erro e das dificuldades são fundamentais para que a criança reveja suas decisões, identifique porque errou e retome desse ponto com novas formas de abordagem das atividades, pensando e refazendo mais devagar, planejando com mais cuidado, etc".

Jogos para todos e para tudo

Mas não são apenas os jogos tipicamente classificados como educativos que trazem benefícios. Muitos daqueles tidos como simples entretenimento podem criar habilidades intrínsecas nos futuros profissionais. E exemplos não faltam: Jogos de tabuleiro como Monopoly e Jogo da Vida auxiliam na questão de aprender a lidar com o dinheiro e com as finanças. O Imagem & Ação desenvolve a criatividade e pode ajudar no combate à timidez e jogos como Perfil e Quest ajudam na capacidade de antecipar situações, além de enriquecer o conhecimentos geral aos participantes.

Existe até vídeo-game que virou disciplina em várias universidades norte-americanas de Administração e Economia. De acordo com Mate Poling da Universidade da Flórida, o jogo de estratégia e ficção científica "Starcraft: Wings of Liberty" gerencia diversas unidades e grupos com diferentes capacidades, sendo semelhante ao cenário cotidiano do mundo dos negócios e do trabalho de um administrador.

Além de utilizar jogos com crianças e adolescentes, também é aconselhável por muitos especialistas o uso com pessoas idosas. "No processo de envelhecimento algumas funções fisiológicas na terceira idade são prejudicadas. O uso de jogos, como xadrez ou palavras-cruzadas online poderão beneficiar a velhice, principalmente no que tange à memória", relata a pedagoga Leticia Machado.

A psicóloga Acácia Angeli também explicou como agem os jogos educativos na construção das habilidades: "Os jogos acionam os processos cognitivos em geral, pois mobilizam várias das habilidades envolvidas - atenção (seletiva, concentrada e sustentada), memória e tomada de decisão. Vale ressaltar que o raciocínio, que é um dos elementos essenciais da cognição, também é acionado para que a resposta ao jogo seja dada de forma bem sucedida. Realmente, o velho ditado de que 'é brincando que se aprende' está mais em voga do que nunca".