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Vem dançar você também

Vem dançar você também
O objetivo deles é ir muito além do tradicional ´´dois pra lá, dois pra cá´´. E para isso, cada vez mais casais, investe

O objetivo deles é ir muito além do tradicional ´´dois pra lá, dois pra cá´´. E para isso, cada vez mais casais, investem algumas horas de seus dias nos cursos de dança de salão espalhados pela cidade. O objetivo é fazer arte com o corpo e por consequência, se divertir, exercitar, conhecer pessoas interessantes e quem sabe, o amor de sua vida. O funcionário público Georgildo Nobre Viana teve essa sorte.
Ele recorda que certa vez, durante uma festa, convidou uma mulher para dançar. Poucos minutos de dança depois ela subitamente solicitou para que ele pisasse em seus pés para poder guiá-lo. ´´Aquilo ficou na minha cabeça. E logo que eu saí de lá, me matriculei em um curso de dança de salão para não passar por aquilo nunca mais´´, recorda. Depois de um ano e seis meses de dedicação à dança, Georgildo Viana não se intimida na hora de enfrentar nenhuma pista. Foi em uma, inclusive, que se apaixonou e namorou. ´´Conheci uma pessoa muito maravilhosa nas aulas de dança de salão, pena que já acabou, mas com certeza valeu a pena´´, disse.
As origens históricas da dança de salão remetem aos bailes da Europa medieval, como a valsa, com coreografias sociais e para casais, o que era considerado, principalmente pela igreja, um escândalo e uma heresia. Com a ascensão das danças nos salões da nobreza, a dança de salão (social) passou a ser considerada um luxo para nobres, com passos mais refinados e sincronizados.
No Brasil e no mundo, a dança de salão virou febre depois que diversos programas de televisão - Domingão do Faustão (Globo), Programa Silvio Santos (SBT), Hoje em Dia (Record), Programa Raul Gil (Bandeirantes), além da versão internacional Dancing with the stars - passaram a promover concursos de dança com artistas conhecidos nacionalmente. O professor Anderson Farias Cruz aproveitou a moda e hoje está dançando conforme a música. ´´A dança de salão sempre existiu e teve seus adeptos. Depois que começou a ser divulgada na televisão, teve um boom. O número de alunos, meus e de alguns colegas que trabalham na cidade, aumentou em até 70%. O que é muito bom´´, contabilizou. Anderson, que é professor de dança de salão há seis anos e possui mais de 500 alunos em sua lista. ´´A dança de salão é o meu ganha-pão´´, conta.
O estigma criado em torno da prática, de que se restringia a um público mais velho, está sendo quebrado. Entre as mais de 500 comunidades criada para a prática no orkut, grande maioria é administrada por jovens com menos de 30 anos. Por exemplo, a comunidade Dança de Salão - Natal com quase 300 membros e administrada pelo professor de dança Allan Dantas, 26. A comunidade, dedicada aos praticantes de dança de salão no estado, dá uma lista de locais para se dançar (ver quadro).
A estudante de jornalismo Ana Maria Josiella, 21, é uma que rompe a barreira de idade. ´´Sempre gostei muito de dançar. Já cansei de ouvir amigos me dizendo que dança de salão é coisa de velho mas não acho isso. Para mim a dança é lazer, diversão e uma ótima atividade física´´, diz. A dança é uma atividade física cujos benefícios vão além do corpo. A educadora Rosa Maria, cujos 62 anos só podem ser atestados na carteira de identidade, dança desde os oito anos de idade e não pretende se aposentar. ´´Para mim, dançar é um êxtase. Quando danço, esqueço do mundo, da vida. Me envolvo completamente´´, frisou.
No geral, a dança é uma atividade física e pode ser considerada vigorosa dependendo do ritmo ou duração. Para analisar as vantagens da dança como exercício físico, devemos considerar alguns fatores. Por exemplo, o ritmo quanto mais intenso, mais vai exigir gasto calórico. Sambar exige mais esforço do que dançar um bolero e dançar um frevo mais do que sambar. O tempo também vai influenciar bastante. Fazer aula de dança durante uma hora gasta menos calorias do que dançar uma hora sem interrupção.
De acordo com a professora de educação física Simone Sarti definir o gasto calórico de cada pessoa durante a dança é difícil, mas se considerarmos um indivíduo de 60 kg, ele gastaria de 200 a 400 calorias em uma hora, num ritmo lento ou mais vigoroso respectivamente. A escolha da modalidade vai definir os grupos musculares mais trabalhados.
PERSONAL DANCER
A preocupação com os gastos calóricos acaba ficando para segundo plano já que a verdadeira preocupação dessa turma é fazer bonito na pista de dança. E para evitar que isso aconteça, uma nova modalidade de aula, seguindo as novas tendências, surgiu. É o personal dancer. Os consultores fizeram escola com os profissional trainners e hoje há personal tudo: estilista, arrumador de guarda-roupa, mala e geladeira ajeitar a mobília da casa e até para lidar com todo o tipo de burocracia. Com a dança não podia ser diferente.
Anderson Farias é personal dancer de três alunas, todas acima dos 60 anos. ´´Vou na casa delas e ensino alguns passos duas vezes na semana´´, explica. O professor disse que essas mulheres optaram pelas aulas particulares por não terem tempo disponível ou preferirem a privacidade de suas casas. ´´Elas sabem dançar mas preferem que eu vá até a casa delas´´, disse. Anderson se considera, além de professor, é amigo de suas alunas. ´´Ás vezes dou uma de psicólogo com essas pessoas´´, orgulha-se.
GABRIELA FREIRE
DA EQUIPE DO DIÁRIO DE NATAL