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Exercícios físicos são os aliados da saúde do homem

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Exercícios físicos são os aliados da saúde do homem
Qualidade de vida passa pela atividade física

Nas duas primeiras reportagens da série sobre a

Qualidade de vida passa pela atividade física

Nas duas primeiras reportagens da série sobre a “Saúde do Homem”, os enfoques foram a maior longevidade da mulher e as doenças que mais atingem a população masculina. Nesta terceira reportagem e última reportagem, vamos começar repetindo o bordão do ator Paulo Cintura, na Escolinha do Professor Raimundo, extinto programa da Rede Globo de Televisão. Invariavelmente ele iniciava sua participação no humorístico dizendo: “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”.
Mesmo em tom de brincadeira, o recado passado aos telespectadores era o de que a saúde é um bem que precisava ser preservado. A preocupação com a saúde do homem passa não somente pela prática regular de exercícios físicos, sempre sob orientação médica, mas também por alimentação balanceada e visitas regulares ao médico.
 
Um dos exemplos a que tivemos acesso foi o do cirurgião geral e oncologista Geraldo Valim. Durante uma consulta de rotina, ele passou por um difícil processo clínico quando descobriu que tinha câncer na tireóide. Valim diz que agora vai ter de tomar remédios durante o resto da vida, mas que graças a Deus o câncer foi detectado e curado a tempo.

De uma maneira geral, o médico reconhece que o homem não vai muito ao médico. “Talvez porque o homem se apóie na infância, onde sempre teve o apoio e a retaguarda da mãe. Mesmo na fase adulta, ele ainda espera essa atitude de uma irmã ou da esposa, às vezes, até de uma filha. Ele, por si só, não toma a iniciativa de procurar o médico e fica sempre na dependência” diz o clínico geral.
 
Na opinião dele, o cigarro e o consumo de bebidas alcoólicas desempenham um papel devastador na existência do homem. É consenso entre os médicos que as campanhas contra a bebida e o tabaco teriam de ser menos tímidas e levadas às igrejas, clubes, associações, entidades de classe. Segundo Valim, já existem algumas ações na área de prevenção ao câncer, ao câncer de próstata e em algumas outras situações mas é tudo muito novo ainda.
 
O clínico entende que, antigamente, o médico de família era uma ferramenta preponderante no diagnóstico de doenças porque na verdade o homem sempre tem medo do desconhecido. Mas existem outras áreas nas quais o homem também se mostra resistente. A manutenção de uma boa condição física, geralmente é relegada a um segundo plano, porque o homem acredita que vai viver para sempre e que desfrutará de uma condição física boa e de uma virilidade à toda prova.
 
Segundo alguns especialistas, este pensamento praticamente foi imposto através da cultura dos nossos pais, que sempre disseram que o menino é mais forte do que a menina, que o rapaz tem de aguentar mais a dor do que a moça e que o homem não chora nunca. Este conceito de masculidade exacerbada passou a ser cultivada com o surgimento da cultura ao corpo e da descoberta das academias de ginástica.
 
O Boom das academias
 
A idéia de ter um corpo “sarado” fez com que muitos homens (e porque não dizer muitas mulheres) procurassem manter a boa forma através de exercícios físicos. Segundo a professora de educação física Michele Conceição Moreira de Paula, na área físico-educativa, as academias tiveram origem em 1867, quando um professor alemão montou uma instituição destinada ao ensino da cultura física com a utilização de aparelhos. A partir de 1905, mereciam destaque o balé e o halterofilismo. Em 1950 houve a proliferação das academias pela Europa, Canadá, Estados Unidos e pela América do Sul.
 
Em termos de Brasil, a novidade foi trazida pelo japonês Conde Maeda Koma, que era praticante de jiu-jitsu e que montou, em Belém do Pará, a primeira academia brasileira para fins comerciais, em 1914. Mais tarde, em 1925, o português Enéas Campello, instrutor de educação física do Colégio Militar do Rio de Janeiro, montou um ginásio onde eram oferecidas atividades pertinentes ao halterofilismo (levantamento de pesos) e ginástica olímpica (argolas e paralelas)

Até o início dos anos 70, academia era frequentada por homens e a atividade oferecida era quase sempre a musculação. Esse nome surgiu até para quebrar o preconceito que existia contra o halterofilismo e ao mesmo tempo atrair as mulheres para essa atividade.
 
Academia era sinônimo de homem forte

Na década de 70, o ator norteamericano Lou Ferrigno, dono de um físico invejável, ganhou o papel de “O Incrível Hulk”, que virou série na televisão americana. Ferrigno investiu na forma física até se aposentar em 1994. O ator também cuidava da preparação física de Michael Jackson para a turnê que nunca aconteceu, devido à morte do Rei do Pop.
 
Muito antes, em 1961 o ator austríaco Arnold Achwarzenegger foi convidado a praticar o fisiculturismo e, mais tarde, ganhou nas telas o papel do justiceiro Conan. Hoje em dia, a mesma musculação começa a receber outro nome: exercícios resistidos.
 
A febre do bem estar físico invadindo as academias iniciou-se nos anos 80, tendo como marco a atriz Jane Fonda quando ela lançou o seu primeiro vídeo da série "Workout". Nascia, então, o embrião da ginástica aeróbica com movimentos ainda suaves que tinham origem na dança.
 
O Teste de Cooper foi idealizado em 1968 para ser usado pelas Forças Armadas com o objetivo de verificar o nível de condicionamento físico. Em sua forma original, o objetivo do teste é correr a maior distância possível em 12 minutos. O teste de Cooper visa medir o condicionamento da pessoa e dessa forma deve ser corrido em um ritmo constante ao invés de sprints (testes de velocidade interrompidos por breves períodos de descanso).
 
Em 1971 a professora Jack Sorensen mudou os conceitos da ginástica ao criar definitivamente a dança aeróbica cujo conteúdo era montado com exercícios simples ao som de músicas enfatizando a continuidade. Até então, a ginástica localizada, uma variação da calistenia praticamente era a atividade física mais praticada nas academias depois da musculação.
 
Corridas
 
Ao mesmo tempo, ao ar livre, crescia a febre das corridas incentivadas pelo Dr. Kenneth H. Cooper e seus métodos revolucionários de avaliação de condicionamento físico. Posteriormente trazidas para dentro das academias com o desenvolvimento de esteiras elétricas, com inúmeros recursos que simulam até treinamentos intervalados.
 
Para amenizar esse problema surgiu a aeróbica de baixo impacto, substituindo os saltitos por passadas mais suaves sem os tradicionais "voos". Um pé deveria estar no chão em qualquer passo coreográfico ou transição. Atrás desse método veio a lambaeróbica, o aerodum e o street-dance com mais liberdade de movimentos corporais e mais informal, arrebanhando as pessoas que não se sentiam à vontade com a complexidade que a ginástica aeróbica havia chegado.
 
A bicicleta ergométrica, a esteira, a ginástica localizada e o alongamento são as outras atividades bem cotadas e uma frequência semanal adequada e de rendimento mensurável seria três vezes por semana em um tempo entre 60 e 90 minutos.
 
Para o professor de educação física e personal trainer Carlos Eduardo Ribeiro de Paula, o Carlinhos, “o ideal é frequentar a academia, pelo menos, entre 3 e 4 vezes por semana, desde que a pessoa esteja liberada pelo médico dela e que seja acompanhado sempre por um professor de educação física habilitado". Algumas pessoas possuem restrições médicas, por isso não podem fazer qualquer exercício e utilizar qualquer aparelho. O ideal é fazer uma avaliação física antes de iniciar a academia e depois refazer esta avaliação a cada 6 meses.

O professor faz um alerta também para aquelas pessoas que recorrem às academias com o objetivo de obter um corpo esbelto rapidamente. Ele diz que isso é praticamente impossível e aquelas famosas barrigas tipo “tanquinho” não são obtidas antes de seis meses de pura malhação e de uma alimentação balanceada. Para deixar o sedentarismo de lado e começar a praticar atividade física já, pois nosso corpo foi feito para se movimentar.
 
Atividade física traz benefícios como sensação de bem estar, melhora da força muscular, controle da ansiedade e depressão e melhora do sono, entre outras. O professor Carlinhos destaca também que pode-se começar uma atividade física com crianças na fase pré-escolar, com atividades recreativas que trabalhem a coordenação motora sem exigir muito esforço físico. Ou seja, o sedentarismo pode ser combatido desde cedo e se uma pessoa quiser começar hoje mesmo a fazer uma caminhada, a atitude será louvável, desde que a pessoa sempre passe por uma avaliação médica.
 
Exagero

Há pessoas que tomam esteróides anabolizantes, drogas que substituem o hormônio masculino testosterona. Eles ajudam no crescimento dos músculos (efeito anabólico) e no desenvolvimento das características sexuais masculinas, como pelos, barba, voz grossa (efeito androgênico). Podem ser usados na forma de comprimidos, cápsulas, ou como injeção intramuscular. Muitas mulheres que usam anabolizantes acabam sofrendo alterações no corpo.

“Para se evitar o consumo de anabolizantes deveria existir ações conjuntas entre os ministérios da Saúde, Esportes e Educação, promovendo campanhas e palestras de conscientização na mídia, escolas, clubes e agremiações esportivas”, diz Carlinhos.

Mas existe quem faça o uso consciente do medicamento. Um designer de 26 anos de Campinas, que prefere se identificar apenas como B.Z., afirma que usa anabolizantes e que cada um deve conhecer seus limites. "Chega uma hora em que seu corpo atinge um limite e se você quiser continuar a evoluir, precisa de alguma solução e os fármacos, neste caso, são a solução", diz o designer.

B.Z. afirma ainda que, com relação a resultados práticos, com três semanas já dá pra se notar algumas diferenças bem significantes. "O segredo está em cada fórmula, estudo de efeitos colaterais, estrutura do ciclo e uma terapia também pós uso dos medicamentos". O design alerta ainda que os interessados no uso de anabolizantes devem investir numa alimentação excelente e numa rotina de treinos impecável, sem descuidar da suplementação, pois entende que o uso de esteróides anabolizantes pode ser benéfico.

Regras

O uso de anabolizantes em Campinas agora tem regras. A Lei Municipal 13.782, de 12 de janeiro deste ano, dispõe sobre a obrigatoriedade das academias de ginásticas, estabelecimentos comerciais de nutrição esportiva e organizações do setor a afixarem placas ou cartazes de advertência sobre os malefícios causados à saúde pelo uso de anabolizantes.

Qualquer empresa deste setor somente receberá alvará de funcionamento se atender às exigências da lei. Se, por exemplo, uma academia descumprir a ordem, os proprietários estarão sujeitos a notificação, advertência, multa de 1000 Unidades Fiscais do Município (Ufics) e, na reincidência, será aplicado um valor corresponde ao dobro da multa e mais a cassação do alvará de funcionamento do estabelecimento.

O objetivo com essa série de três reportagens sobre a Saúde do Homem não foi engessar ninguém, mas contribuir para que as pessoas, especialmente os homens, desfrutem melhor dos seus momentos, em todos os momentos da vida.

Já passamos pelo primeiro mês ano, mas ainda há tempo para dizer: Feliz Corpo Novo em 2010.

por Edison Souza