A história do professor de EF que ficou preso em caverna na Tailândia

09 de julho de 2018 ● POR Redação

Por Alessandro Lucchetti

O mundo e, especialmente, professores de Educação Física do mundo todo acompanham com atenção a saga do time tailandês de futebol que ficou preso numa caverna incrustada na cadeia de montanhas Doi Nang Non, na fronteira entre a Tailândia e Mianmar.

Muita controvérsia envolve a figura do treinador dos garotos, o ex-monge tailandês Ekapol Chanthawong, de 25 anos. Autoridades da polícia tailandesa afirmam que ele poderá ser submetido a uma investigação para apurar sua responsabilidade no episódio se conseguir deixar a caverna com vida. Como se sabe, havia uma placa na entrada da formação, advertindo quanto aos riscos de ingressar no local no momento em que se aproxima o período de monções. Com as chuvas, parte da caverna ficou inundada, o que dificulta o regresso dos garotos. Dos 12 que entraram, quatro foram resgatados neste domingo, por mergulhadores.

Embora possa ser considerada negligente a decisão de entrar na caverna com os meninos, é fato que a figura de Ekapol tem ganhado contornos mais apurados com o trabalho da imprensa em torno do assunto.

Segundo o Washington Post,  Ekapol é considerado na localidade uma força divina enviada para proteger os meninos. Membros da equipe de resgate dizem que ele é um dos mais fracos do grupo, porque deu boa parte da comida e da água que lhe cabiam para os meninos. Ele também ensinou os jovens jogadores a meditar para conservar o máximo de energia até o momento em que forem resgatados.

“Se ele não tivesse ido junto, o que teria acontecido com o meu filho?”, pergunta a mãe de um dos garotos, Pornchai Khamluang, em entrevista a uma TV tailandesa. “Quando ele sair, precisamos curar seu coração. Meu querido Ek, eu jamais o culparia”.

Ekapol tornou-se órfão aos 10 anos de idades. Iniciou então os estudos para se tornar um monge, mas deixou o mosteiro para cuidar de sua avó doente em Mae Sai, no norte da Tailândia. Lá, envolveu-se com o trabalho de ajudante em um mosteiro e treinando o time de futebol Moo Pa (Javalis Selvagens).

Responsável pelos meninos menores, ele ajudou Nopparat Khanthavong, o técnico principal, a criar um sistema que aproveita a paixão dos meninos pelo futebol como forma de envolvê-los nos estudos. Boas notas equivalem a recompensas como calções, chuteiras ou traves novas para o campo.

Segundo professores de educação física da escola onde os meninos treinavam, Ekapol mantinha os garotos num rígido esquema de treinos, o que incluía excursões de bicicleta pelas montanhas locais.

Por conta dessa autoridade que tinha sobre os garotos, amigos de Ekapol descartam a hipótese de eles terem se aventurado a explorar a caverna sem sua autorização. “Eu o conheço e sei que vai culpar a si mesmo”, disse Joy Khampai, amigo de Ekapol no mosteiro, em entrevista ao Post.

No sábado, a Marinha tailandesa divulgou cartas que o grupo havia escrito para familiares. Na carta de Ekapol, lia-se: “Prometo cuidar ao máximo destes meninos. Quero agradecer por todo o apoio e pedir desculpas”.

“Ele amava mais esses meninos do que a si mesmo”, disse Joy. Segundo o amigo de Ekapol, ele se identificou com os meninos, muitos dos quais cresceram pobres ou eram membros de minorias sem pátria na região fronteiriça entre Tailândia e Mianmar, a antiga Birmânia.