Treinamento de força máxima ou de potência: qual traz mais resultados?

12 de março de 2018 ● POR Redação

A maximização da potência muscular de um atleta é fundamental para o aprimoramento do desempenho em diversas modalidades esportivas (CRONIN & SLEIVERT, 2005). Para o desenvolvimento da potência, uma estratégia eficiente parece ser o treinamento de força (HARRIS, STONE, O’BRYANT, PROULX & JOHNSON, 2000; KYROLAINEN, AVELA, MCBRIDE, KOSKINEN, ANDERSEN, SIPILA, TAKALA & KOMI, 2005; MCBRIDE, TRIPPLET-MCBRIDE, DAVIE & NEWTON, 2002). Porém, a eficiência desta estratégia está atrelada à carga utilizada a qual modula a velocidade e a força durante a execução dos exercícios (BAKER, NANCE & MOORE, 2001; MOSS, REFSNES, ABILDGAARD, NICOLAYSEN & JENSEN, 1997).

Para cargas elevadas a velocidade do movimento é pequena, sendo o inverso também verdadeiro (RAHMANI, VIALE, DALLEAU & LACOUR, 2001). A importância da modulação da força e da velocidade em treinamentos com sobrecarga levou à definição de uma zona de intensidade na qual o produto escalar entre as duas grandezas é maximizado. Este espectro de intensidades é denominado zona de potência máxima (BAKER, NANCE & MOORE, 2001). A zona de potência máxima parece não apresentar um valor relativo fixo entre sujeitos, incidindo em percentuais mais altos da força máxima para indivíduos com níveis de força mais elevados e em percentuais mais baixos para aqueles com menor nível de força máxima (CRONIN & SLEIVERT, 2005), ficando normalmente na faixa de 30-50% 1 RM. Contudo, o treinamento de força máxima (TF) também parece ser eficiente para o desenvolvimento da potência muscular.

A zona de treinamento de TF caracteriza-se pela utilização de cargas elevadas, que podem variar entre de 80 a 100% 1 RM, implicando em menor número de repetições, com menor velocidade de execução e um percentual de carga superior ao do treino de potência (KRAEMER & RATAMESS, 2004). Apesar das diferenças existentes entre as duas zonas de treinamento – força e potência máximas – as respostas ao treinamento parecem ser semelhantes para algumas variáveis relacionadas ao desempenho esportivo, dentre elas a própria potência muscular (JONES, BISHOP, HUNTER & FLEISIG, 2001; MCBRIDE et al., 2002;WILSON, NEWTON, MURPHY & HUMPHRIES, 1993). Em programas de treinamento de potência (TP), além do esperado aumento na produção de potência muscular, é possível verificar também o aumento da força máxima (KYROLAINEN et al., 2005). Além disso, já foi constatado aumento semelhante da força máxima após grupos distintos de indivíduos serem submetidos a programas de TP e TF em um mesmo estudo (HARRIS et al., 2000; MOSS et al., 1997).

Por outro lado, protocolos de treino de TF parecem induzir aumentos na taxa de desenvolvimento de força (AAGARD, SIMONSEN, ANDERSEN, MAGNUSSON & DYHRE-POULSEN, 2002), assim como no salto vertical (TOUMI, BEST, MARTIN & POUMARAT, 2004) os quais são bons indicadores de alteração positiva no desempenho de potência. No entanto, não foi verificada a existência de um estudo comparando a potência mecânica produzida em resposta a protocolos de TP e TF em um contexto aplicado de treinamento. Na prática do treinamento, frequentemente verifica-se a utilização de um mesmo exercício pluriarticular para membros inferiores no treinamento e na avaliação. Assim, o presente trabalho teve como objetivo realizar uma comparação entre as duas zonas de intensidade de treinamento descritas (TP e TF) quanto à eficiência em aumentar a força máxima e a potência produzida no exercício meio agachamento.

Resumo

Força máxima e potência são considerados métodos de treinamento complementares para a preparação de um atleta. No entanto, há evidências de desempenhos semelhantes em resposta a treinamentos de força máxima (TF) e potência (TP). O objetivo deste estudo foi realizar uma comparação entre os dois métodos de treino descritos quanto à eficiência em aumentar a força máxima e a potência no exercício meio agachamento. Vinte e quatro sujeitos fisicamente ativos (peso 76 ± 8,4 kg, estatura 178,2 ± 5,3 cm), com no mínimo seis meses de interrupção no treinamento de força para membros inferiores, foram divididos nos grupos TF e TP. Foram realizados pré e pós-treinamento o teste de força dinâmica máxima (1 RM) e de potência muscular de membros inferiores no exercício meio agachamento com carga de 30% 1 RM. Após oito semanas de treinamento (3x/semana) observou-se que a força máxima aumentou significante (p < 0,001) e similarmente, 23% e 16% para os grupos TF e TP, respectivamente. A potência relativa concêntrica média aumentou quando considerados os dois grupos em conjunto (p < 0,05). Os principais achados foram que TF e TP aumentaram tanto a força máxima quanto a potência de maneira semelhante.

Para acessar o estudo na íntegra, clique aqui: http://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/16698/18411

Autores: Leonardo LAMAS; Rene DREZNER; Valmor TRICOLI; Carlos UGRINOWITSCH.

Publicação: Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.22, n.3, p.235-45, jul./set. 2008