Você precisa entender a relação entre autoestima e exercícios físicos para idosos

06 de março de 2018 ● POR Redação

O envelhecimento é um processo natural e dinâmico, com alterações importantes nos aspectos biológicos, físicos, aparência física, habilidades e vida social, podendo diminuir a autoestima dos idosos (RODIN; LANGER, 1980).

Autoestima é conceituada como a avaliação mais positiva ou negativa que as pessoas fazem das suas características pessoais, a partir da percepção de si mesmo, envolvendo valores, afetos, condutas, emoções. A avaliação positiva é chamada de boa autoestima ou autoestima alta, e a avaliação negativa, de baixa autoestima ou pouca autoestima.

Se o processo de envelhecimento altera essa percepção que temos de nós mesmos, ou seja, pode diminuir a autoestima, como os exercícios físicos influenciam esse processo de aumento da autoestima?

Ascenio e Pujals (2015) realizaram uma revisão de literatura através de levantamento nas bases de dados nacionais e internacionais, e observaram que a prática de exercícios físicos tem mostrado ser um fator importante para a baixa ocorrência de sintomas depressivos, elevada autoestima e motivação dos idosos, propiciando uma melhor qualidade de vida, e além disso, a alimentação, os cuidados emocionais e a socialização são fatores de grande importância para o prolongamento de uma vida saudável.

Já a pesquisa de Meurer, Benedetti, Mazo (2011) mostram que há uma relação entre a pratica de exercícios físicos e a autoestima a partir de um conceito de motivação, ou seja, se o idoso estiver motivado para a prática, essa influenciará nos índices de autoestima, e a autoestima aumentada é um fator motivador para a pratica de exercícios físicos, assim o isso se torna um ciclo. Antunes, Mazo e Balbé (2011) indicou que os idosos estudados que apresentaram elevada autoestima foram aqueles que avaliaram sua saúde de forma positiva, e que as mulheres idosas com percepção do estado de saúde positiva e os homens com idade igual o superior a 70 anos praticantes de exercícios físicos apresentaram os maiores índices autoestima.

Programas de exercícios físicos sistematizados trazem inúmeros benefícios para os idosos, sejam eles biológicos ou psicológicos, esse além disso os idosos aprendem a entender os fatores limitadores que o envelhecimento trás, visto que há um aumento dos parâmetros físicos, interação entre as pessoas, redução dos problemas de saúde, assim ele pode se reconhecer melhor nessa fase. Programas de exercícios em pessoas idosas são efetivos para melhorar os sintomas depressivos, qualidade de vida e autoestima (PARK, HAN, HANG, 2014) e para a felicidade (KHAZAEE?POOL, 2015)

Referências

ANTUNES, Giselli; MAZO, Giovana Zarpellon; BALBÉ, Giovane Pereira. Relação da autoestima entre a percepção de saúde e aspectos sociodemográficos de idosos praticantes de exercício físico. Journal of Physical Education, v. 22, n. 4, p. 583-589, 2011.

ASCENCIO, THAIS SILVA; PUJALS, CONSTANZA. A influência do exercício físico sobre o nível de autoestima dos idosos. Revista Uningá Review, v. 24, n. 1, 2018.

MEURER, Simone Teresinha; BENEDETTI, Tânia Rosane Bertoldo; MAZO, Giovana Zarpellon. Teoria da autodeterminação: compreensão dos fatores motivacionais e autoestima de idosos praticantes de exercícios físicos. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, v. 16, n. 1, p. 18-24, 2011.

PARK, Seong-Hi; HAN, Kuem Sun; KANG, Chang-Bum. Effects of exercise programs on depressive symptoms, quality of life, and self-esteem in older people: A systematic review of randomized controlled trials. Applied nursing research, v. 27, n. 4, p. 219-226, 2014.

KHAZAEE?POOL, M. et al. Effects of physical exercise programme on happiness among older people. Journal of psychiatric and mental health nursing, v. 22, n. 1, p. 47-57, 2015.

RODIN, Judith; LANGER, Ellen. Aging labels: The decline of control and the fall of self?esteem. Journal of Social Issues, v. 36, n. 2, p. 12-29, 1980.

Geovana Mellisa Castrezana Anacleto– Professora de Educação Física. Doutoranda em Epidemiologia pela FSP – USP. Email: geovana_castrezana@hotmail.com

Flávio Rebustini– Doutor em Desenvolvimento Humano e Tecnologias (UNESP – RC). Coordenador da Pós em Psicologia do Esporte da Universidade Estácio.