O papel do profissional de Educação Física no combate às drogas

09 de março de 2018 ● POR Redação

O professor de Educação Física pode oferecer uma contribuição valiosa para se reduzir o uso de drogas em determinadas faixas etárias. Segundo o médico Rogerio Morihisa, especializado em Psiquiatria da Infância e da Adolescência e Dependências Químicas, a introdução de hábitos saudáveis desde a infância é uma forma de se prevenir o uso de drogas na adolescência e na vida adulta. “A prática esportiva funciona como fator de proteção contra o uso de álcool e outras drogas. Sozinha, ela não evitará que o jovem se envolva com drogas. Por isso, além do esporte, deve-se transmitir informações sobre os efeitos das drogas, com a capacitação dos treinadores e professores, a oferta de desafios e realizações, algo que as práticas esportivas proporcionam, e a participação dos pais ou cuidadores nesse processo”.

A prática de atividade física está associada à liberação de substâncias como a endorfina, que age no cérebro, proporcionando-lhe prazer e relaxamento. Tanto o uso de drogas como a prática de atividades físicas produzem sensações de prazer, representada pela liberação de adrenalina, que vicia e induz o indivíduo a buscar repetir essa sensação. Após a ação da adrenalina, entram em cena as endorfinas.

Substâncias psicoativas acarretam alterações agudas, logo após o uso, ou crônicas, produto de um tempo maior de exposição aos efeitos da droga. Entre os danos fisiológicos causados ao organismo situam-se doenças respiratórias, como rinite, sinusite, asma e síndrome pulmonar aguda, acompanhada de alterações como aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial, tosse sanguinolenta e transtornos dos movimentos.

Como as substâncias psicoativas provocam todas essas alterações fisiológicas no organismo, é fundamental que o usuário seja submetido a uma bateria de questionários para estruturar sua sequência de atividades segundo as necessidades e limitações apresentadas por cada um.
A atividade física não deve ser realizada de forma exaustiva, mas recreativa, com o objetivo de movimentar o indivíduo, a fim de lhe proporcionar ganhos fisiológicos, como a manutenção da pressão arterial e da frequência cardíaca, melhora da capacidade funcional respiratória, da vascularização e diminuição da fadiga central, oferecendo-lhe momentos de prazer e lazer.

As pesquisadoras Edilene Seabra Mialick, Laura Fracasso e Sandra Maria Pires Vieira Sahd realizaram um estudo com o intuito de analisar os efeitos da atividade física como parte de um programa de tratamento para 30 dependentes químicos entre 18 e 35 anos numa comunidade terapêutica no interior paulista.

No estudo, 30% dos indivíduos praticavam caminhadas, jogos recreativos e alongamentos, 17% fizeram apenas alongamentos, outros 17% participaram de caminhadas e alongamentos, 13% optaram pelos jogos, yoga e alongamentos. Outros 13% optaram por realizar todas as atividades propostas e o grupo mais velho, que representou 10% da amostra, optou por caminhadas, alongamentos e yoga.

Ao iniciar o programa, apenas, apenas 7% se mostravam altamente motivados, e ao término dele, 30% estavam motivados para continuar a prática das atividades. É possível concluir que a atividade física auxilia de forma efetiva no tratamento de dependentes. Sem as substâncias químicas no organismo, o dependente precisa suprir a falta delas. Nesse sentido, nada é melhor do que a prática de atividade física, que proporciona uma sensação de prazer, bem-estar físico e mental e ainda ajuda na manutenção da sobriedade dos usuários.