Crianças no esporte: tratamento de ansiedade

14 de dezembro de 2016 ● POR

Tratamos no mês passado da importância dos esportes na formação da criança e gostaria de dar continuidade a este importante assunto. Precisamos, agora, colocar que a criança, pela sua fragilidade e por estar em um extraordinário momento de transformações constantes, necessita ter ao seu lado profissionais extremamente especializados. Este é justamente o momento mais delicado e o mais importante que o ser humano passa.

Os exercícios físicos promovidos adequadamente exigem demasiado do cérebro. Quando a criança está ali concentrada e motivada a realizar movimentos, seja nos esportes ou nos exercícios físicos, sua mente estará exigindo que o cérebro envie ordens por meio do sistema nervoso para todo o corpo. Quanto mais complexos forem esses movimentos, maior a exigência que estará sendo feita ao cérebro para lidar com os mais de 500 músculos que estão ali, à sua disposição. Não podemos esquecer também que esses músculos têm de funcionar na mais perfeita harmonia para que o movimento seja absolutamente correto e produtivo.

Assim, o cérebro, sendo exigido por tal complexidade de movimentos, reage e se transforma, desenvolvendo-se. Daí a necessidade de entupir as crianças no esporte de movimentos e incentivá-las a praticar esportes. Afinal, somente o movimento desenvolve o cérebro de forma sólida e permanente! Porém, deve ser realizado de forma agradável. O ideal são os grandes jogos, evitando-se esportes muito competitivos. Tudo tem de ser levado como uma brincadeira e mesmo os esportes em grupos têm de
ser colocados de maneira lúdica, evitando qualquer tipo de exigência das crianças para vencerem. Minha experiência mostrou que é muito comum os pais exigirem de seus filhos resultados, o que coloca o pequeno numa situação aflitiva e totalmente danosa para a sua formação emocional.

No nosso mundo cheio de tecnologias, porém, as crianças muitas vezes pouco se movimentam. Com isso, se alimentam com joguinhos eletrônicos de toda ordem, levando embora o seu tempo e sua saúde. Isso as deixa estressadas e repletas de energia incontida. É espantoso como a sociedade acabou por tornar essas crianças agitadas, aliás. Chegam a levá-las ao médico para conseguirem medicamentos. Mas, no fim, ela é apenas uma criança que está com muita sede de trabalho com os músculos de seu corpo.

A corrida passa, assim, a ter uma validade inquestionável, pois é uma forma direta e eficiente da canalização dessa carga energética. Os treinos, entretanto, devem ser vagarosos e seguidos de um guia que vai dando o ritmo para que o trabalho não fique pesado para a sua tenra idade. A corrida é a forma mais concreta de gasto energético tão importante nessa fase da vida. Com ela, é possível transformar pequenos superagitados em pessoas mais suaves e tranquilas.

(Coluna publicada na Revista O2, edição 151 de Dezembro, de 2015)