Mamães e bebês juntos no esporte

09 de maio de 2016 ● POR

“Gravidez não é doença”. A frase é clichê, mas deve servir como mantra para as mamães – ou futuras mamães – de plantão. E o esporte tem tudo a ver com isso! Sempre respeitando as ordens médicas e a condição de cada uma, mulheres podem – e devem – praticar exercício físico durante a gravidez e também no pós-parto, inclusive acompanhada dos filhos. Hoje, são várias as opções de atividades ideais para essa fase em que se cuidar e cuidar dos bebês é fundamental.

O site do ESPN conversou com Patrícia Bueno, formada em Educação Física e instrutora de pilates, para tirar todas as dúvidas.

Quais são os exercícios mais indicados para a mulher durante a gravidez?
Após liberação do médico, as atividades mais indicadas são pilates e hidroginástica. Durante a gravidez, a mulher libera vários hormônios. Um deles, a relaxina, facilita a mobilidade nas articulações para facilitar o parto. No entanto, é liberado no corpo todo, e não só no quadril. É bom, mas é ruim porque deixa a mulher mais suscetível a lesões. As atividades ajudam, justamente, a evitar essas lesões.

O pilates é indicado porque fortalece dos pés à cabeça e tem exercícios específicos que ajudam a diminuir essa fragilidade nas articulações e tratar dores comuns como lombalgia. Além disso, prepara o corpo para o parto e para o pós-parto, ajudando a ter uma recuperação mais rápida.

A hidroginástica é uma atividade mais aeróbica. Demanda mais energia e será realizada com impacto controlado. Ajuda a evitar o sobrepeso e fortalece o corpo e a parte cardíaca. O ideal é conciliar as duas, mas se fora para escolher um só, o pilates é mais completo.

A partir de quanto tempo de gravidez pode praticar exercício e até quanto tempo antes do parto?
Se a mulher já praticava atividades, pode somente dar continuidade, assim que for ao médico e estiver liberada. Mas se antes da gravidez não fazia nada, geralmente poderá praticar a partir do terceiro mês, que é quando passa a fase de risco. E podem fazer exercícios até o fim da gestação, mas no último trimestre a atividade vai mudar, trabalhando mais respiração e alongamento. O objetivo de se exercitar durante a gravidez não é melhorar o condicionamento físico, e sim a qualidade de vida. Quem não fica parada, termina os nove meses muito mais saudável.

Quantos dias depois do parto a mulher é liberada para fazer exercício?
A regra geral é, normalmente, a partir de 40 dias ou dois meses após o parto, tanto para normal quanto para cesárea. No normal, após 15 dias a mulher já está mais preparada para fazer atividade física. No entanto, os médicos têm cautela.

Depois de quanto tempo o bebê pode começar a participar das atividades físicas?
A partir do terceiro mês, por conta das vacinas. Antes, não terá tomado e não estará imune, podendo ser perigoso conviver com outras pessoas.

Quais são os exercícios mais indicados para a mãe fazer com o bebê?

Baby pilates, dança materna e yoga. Sempre há interação: o olhar, as mãos… às vezes as mães cantam para os filhos durante a atividade. Quando começam a engatinhar, começam a interagir com outros bebês. Entre nove meses e um ano, começar a imitar as mamães e vira uma diversão. São exercícios lúdicos, extremamente benéficos, e que podem ser usado até os dois anos. Trabalham o vínculo afetivo entre mãe e filho, além de ajudarem no desenvolvimento do bebê. No final, geralmente é feita uma aula de relaxamento e massagem da mãe no bebê.

Mamães atletas
Nada melhor do que atletas para provar que gravidez não é doença. Nos últimos anos, a seleção brasileira feminina de vôlei tem recebido várias notícias de bebês a caminho e, nem por isso, as mamães atletas deixaram a carreira no esporte de lado.

Ponteiro-passadora, a bicampeã olímpica Jaqueline teve seu filho, Arthur, em dezembro de 2013 e voltou às quadras em maio do ano seguinte. Em setembro de 2015, foi a vez de Tandara receber a pequena Maria Clara. Três meses depois, a oposto voltou a jogar.

“Eu poderia ter me cuidado mais na minha gestação? Claro… talvez agora eu estivesse um pouco melhor, mas não me arrependo. Eu me cuidei onde podia e não me privei de nada. Comi, mas ao mesmo tempo fiz atividade física, fiz pilates, fiz o acompanhamento com nutrólogo, corri até os sete meses e meio na esteira. Eu estava muito bem”, contou.

A mais nova mamãe atleta da seleção é Fabíola, que já tem uma filha de 10 anos e, agora em maio, vai receber mais uma menina, Annah Vitória. A levantadora está entre as 19 jogadoras convocadas pelo técnico Zé Roberto Guimarães no início de abril, a primeira lista para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, mas pode ser cortada na relação final.

“A mulher atleta está mais preparada. Continuo treinando normalmente, lógico que em quantidade menor e com todo o cuidado de profissionais. Na minha primeira gestação, eu voltei (às quadras) em 30 dias. A meta, agora, também é essa. no máximo 40 dias. Treino com bola, faço musculação na academia e pilates também, justamente para voltar o mais rápido possível e disputar uma vaga na Olimpíada.”

Barriga de pano

Você já ouvir falar no sling? É um pano que forma uma espécie de saco ou rede para as mamães carregarem os bebês próximo ao seu corpo e uma das ferramentas que ajuda, na prática, a teoria da externo-gestação. O conceito, formulado pelo antropólogo inglês Anshley Montagu e popularizado pelo pediatra norte-americano Harvey Karp, defende a continuidade da gestação fora do útero – chamada por eles de ‘quarto trimestre’ – para proporcionar à criança um desenvolvimento saudável e seguro.

“Os slings deixam os bebês tão perto das mães que dá a impressão que eles ainda estão dentro da barriga, é uma sensação maravilhosa. E o pais também deveriam usar para ter uma ideia de como é. O mais apropriado é o de tecido, que tem cinco metros. Tem forma certa de amarrar e de colocar os bebês, respeitando a fisiologia certa de cada fase. Os slings ajudam muito nas aulas de baby pilates e de dança por deixarem as mães com os braços livres”, explica Patrícia Bueno.

Matéria publicada no site da ESPN.