Crossfit, musculação e corrida: vício, lesões e vulnerabilidade imunológica

23 de maio de 2017 ● POR Pedro Cunácia

Equipe de pesquisadores se aprofunda em uma discussão pouco usual no dia a dia dos profissionais de educação física: até quando é saudável a prática de atividade física? Abaixo, estudo deixa claro quais os limites do corpo e o que é mais indicado para cada uma dessas modalidades. Veja:

Resumo

Introdução: A inatividade física figura como um dos principais fatores associados à mortalidade. Por outro lado, os possíveis prejuízos provocados pelo excesso de exercícios físicos não devem ser negligenciados.

Objetivo: Avaliar e comparar o nível de dependência ao exercício entre diferentes modalidades, estimar a prevalência de lesões musculoesqueléticas e a vulnerabilidade imunológica em jovens assintomáticos.

Métodos: Estudo observacional. Uma amostra com 219 pessoas foi dividida em cinco grupos: sedentários (e/ou insuficientemente ativos) (n=50), controle (moderadamente ativos) (n=31), praticantes de crossfit superativos (n=45), praticantes de musculação superativos (n=47) e corredores superativos (n=46). Além de uma anamnese para caracterizar a amostra e inferir o número de lesões musculoesqueléticas, gripes e infecções nos seis meses anteriores à coleta de dados, foi utilizada a Escala de Dependência de Exercício. Utilizou-se a ANOVA one way para analisar as diferenças estatísticas e para comparar os níveis de dependência total ao exercício, e a prevalência de lesões musculoesqueléticas, gripes e infecções.

Resultados: O grupo musculação apresentou os maiores níveis de dependência ao exercício quando comparado com os grupos sedentários e controle (p<0,05). Quanto às lesões musculoesqueléticas, o grupo crossfit apresentou a maior prevalência, com diferença estatística em relação ao grupo controle. Gripes e infecções foram mais prevalentes nos grupos sedentários e musculação.

Conclusão: Pessoas moderadamente ativas apresentaram menos lesões musculoesqueléticas e menor vulnerabilidade imunológica em relação a sedentários e superativos. A inatividade física e o vício em exercício parecem tornar o sistema imunológico mais vulnerável. Pessoas com hábitos extremos em relação à prática de atividades físicas (sedentários e adeptos superativos) podem ter a saúde comprometida.

Para acessar o artigo na íntegra, clique

Autores: Thiago Guimarães, Marcos Carvalho, William Santos, Ercole Rubini, Wagner Coelho
Publicação: Rev Ed Física / J Phys Ed (2017) 86, 1, 8-17